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28 setembro, 2013

sábado, setembro 28, 2013

GRANADA ESPANHA ....Voltando para casa

Ao todo foram 4 vezes em Granada. Se é verdade que cada um tem seu local de paixão, o meu, definitivamente, é Andaluzia e mais precisamente, Granada. Não tenho uma explicação porque essa cidade exerce tanta influência sobre mim.  Granada é uma mistura viva e intensa de árabes, ciganos e judeus. Ainda não se sabe se Granada tem Alhambra ou Alhambra tem Granada...mas certo e fato é que quem a conhece, não esquece jamais. Se divide em 02 partes distintas: a partir da Plaza Nueva, encontramos o Bairro de Albaycin, Sacromonte e Alhambra imersas numa história da época dos mouros e católicos, onde árabes, judeus e ciganos se mesclaram para sobreviver, e, por conseguinte, surge daí o flamenco. Depois da Plaza Nueva (descendo a Gran Vía), a cidade toma forma de modernidade com o centro comercial e a Catedral, cuja realidade é mais próxima do que estamos acostumados, misturando o novo e o antigo da arquitetura.
Desta vez minha ideia foi uma imersão no mundo flamenco com uma programação de 3 horas diárias de aulas por 2 semanas na Escola Carmen Cuevas . A escola oferece cursos de espanhol, guitarra flamenca, história de flamenco e baile/técnica flamenco. A qualidade é comprovada pela frequência de alunos de toda parte do mundo, pois abraça o turista que quer viver um pouco de Andaluzia, atendendo aos vários tipos de necessidades. Além disso, oferece também alojamentos (aptos. ou casas) e o mais importante: pessoas de todas as idades estão aqui!
Além das aulas, fui buscar e experimentar coisas novas em Granada, onde tive a chance de desfrutá-la calmamente no calor de um verão intenso com temperatura próxima aos 44 graus. A cidade ferve em todos os sentidos nessa época: muitos jovens, estudantes em férias, turistas de passagem, pessoas alternativas e sem rumo, tudo isso e uma vontade imensa de ficar parada, observando e deixando o ar de Granada falar. Vi e conheci pessoas (muitos brasileiros) que estavam “de passagem por Granada”, arrependidos de não terem tido informações prévias sobre a riqueza cultural do local e extasiadas com tanta coisa que não poderia ser vista ou vivida, porque estavam de passagem...e gente...passagem em Granada não dá para ser feita numa tarde (vamos combinar né?) ...então, amigos, por favor, mesmo de passagem, reservem pelo menos 2 dias/3 noites para Granada. Garanto que será uma experiência única.
Vivendo Granada
Fiquei hospedada na Plaza Nueva, no hotel MaciáPlaza um ponto estratégico que divide a Granada rustica da moderna. Seguia diariamente para Albaycin (uns 3kms), passando por Alhambra TODOS OS DIAS e cada dia via uma Alhambra diferente. As noites foram para os shows de flamenco e tapear nos bares, sem pressa. Essa é uma coisa importante: não tenha pressa e todos seus sentidos estarão extremamente aguçados. Deixe Granada entrar em você.  Numa noite dessas, fui ao Hamman Andaluside Granada. Fica numa rua no início da Carrera del Darro. Foi providencial fazê-lo à noite depois de 1 dia intenso de aulas.
Uma pausa ao estilo árabe, permitindo-me banhos de temperaturas distintas, massagens e o típico chá de menta. Apesar de ser misto (homens e mulheres juntos), todos estão em trajes de banhos e não há “conversas” para não atrapalhar o momento de descanso e meditação. O local, com arquitetura tipicamente árabe, a musica ambiente que envolve o silencio e a iluminação (sempre penumbra), tudo isso nos deixa anônimos, quietos e meditativos. Fazer um hamman é uma experiência de pura luxuria e muito contato consigo mesmo. As vozes internas ficam nítidas e a mente clara. Um tempo de reflexão e relaxamento. Além disso, estar em Granada é permitir-se ao desfrute, deixando-se esquecer o presente e viajar num tempo de pequenos prazeres que os árabes já tinham há milhares de anos atrás.... Ah! Isso não tem preço.
 

Ali, bem pertinho da Plaza Nueva, tem a concentração de restaurantes e teterias (casas de chá) árabes e o Mercado Árabe - La Alcaicería (onde foi uma antiga medina muçulmana). O local fica entre ruas estreitas cobertas por “tendas” árabes onde pode-se comprar um típico artesanato e ainda parar para um chá. Durante as noites de verão o mercado ferve no vai-e-vem de turistas loucos com o artesanato local.
Aos pés de Alhambra 
Durante o dia, nada melhor que ficar aos pés de Alhambra, contemplando a suntuosidade e a delicadeza desse palácio, cujo reino foi marcado pela tolerância religiosa de 1200 até 1492, quando a cidade foi conquistada pelos reis católicos. Contemplá-la, ouvindo o barulho do rio e o vento nas árvores, faz de Alhambra uma rainha. Programa especial é jantar num dos restaurantes no Paseo de Los Tristes, sob a vista do Palácio e imaginando histórias. Descobri que existe a visita dentro dos palácios à noite, com uma perspectiva bem diferente dos passeios durante o dia. É permitido visitar os Palácios e admirar a arquitetura contornada pela luz da noite e a penumbra dos jardins. E nessa noite era lua cheia e a cada ambiente visitado, imaginei e invejei Washington Irving escrevendo seus contos....e os barulhos? A mistura da água das fontes, do vento leve de verão, faz com que Alhambra seja uma orquestra ouvida, sentida e desejada.
 


 
 Albaycin 
 Albaycin é um pedaço histórico dos mais importantes de Granada que mostra a presença árabe na arquitetura de suas ruas e casas com seus jardins que exalam jasmim. A escola fica no coração de Albaycin. Subir suas ladeiras no silencio do calor escaldante e mortal, passando pelas casas que tão brancas refletem a luz que num momento confundem os olhos, explica porque no verão todos ficam trancados em suas casas, no frescor de seus jardins. De repente, entre uma ladeira e outra, aparecem praças como oásis com seus pequenos restaurantes e um bom local para descanso. E a vontade é nunca mais sair de lá, até o calor acabar. Passagem obrigatória para a melhor foto da vista de Alhambra e terminar a visita ao bairro, é chegar ao Mirador San Nicholas.
 
 

As cuevas de Sacromonte 
Sacromonte merece ser visitada de manhã cedo. A subida é forte, mas a vista e a caminhada são revigorantes. Está de frente com Alhambra e as “cuevas” abrigaram muçulmanos, judeus e ciganos, na época da perseguição católica. O Museu de Sacromonte mantém preservado um espaço típico dos costumes da comunidade cigana. À noite em Sacromonte, pode ter flamenco ou cine ao ar livre, enfim...subir Sacromonte, é passar pelas cuevas que foram Zambras e que hoje oferecem shows para Turistas com o que Granada tem de mais representativo de flamenco.  É preciso seguir para a Abadia de Sacromonte construída no séc. XVII, sob o lugar que foram encontradas relíquias do apóstolo Santiago Maior e os famosos livros plúmbeos (polêmicos até hoje), que são placas em escrita árabe que relatavam o martírio de São Cecílio e seus companheiros numa fusão de relatos cristãos e muçulmanos. 

 
 
As noites de Granada 

Nada melhor do que sair de bar em bar. Na própria Plaza Nueva, as opções são imensas, mas é no bairro de Realejo (Campo Príncipe) que as tabernas e bares se concentram numa variedade e preços justos. Em Granada, é muito comum ter a “tapa” acompanhada com a bebida, ou seja, paga bebida e come de graça!. Então, a desculpa para beber é mais do que saudável: com certeza haverá comida. Ninguém fica de estômago vazio. Claro que quando estamos muito tempo num lugar, elegemos aquele ponto frequente, que no caso foi a "La Gran Taberna"...porque essa? Bem, em frente ao hotel e era o único bar aberto com comida depois dos shows de flamenco....parada obrigatória 
 
Flamenco em Granada – Com minha licença poética.... 
 Falar do estilo de flamenco de Granada para mim é mais que importante. Apesar do flamenco de Granada não ter tanta visibilidade fora de lá, foi aqui que eu vi o estilo que mais me encantou e me identifiquei: eu chamo do estilo terra, que dança meio que agarrado ao chão.... Tudo é muito rustico, provavelmente não tem tanta técnica e sofisticação como em outras cidades, porque os gestos são fortes e toscos, o floreio lembra as mulheres do campo, os movimentos do corpo são brutos, o sapateado é “terra”, as roupas não se combinam em nada mesmo, a maquiagem exagerada hipnotiza: olhos pretos rasgados e lábios vermelhos. Os homens são bem “ciganos” e muito sensuais, com os olhos daqueles bem “cafajestes”, sabe? Pois então. Esse flamenco veio das Zambras.....e só em Granada tem Zambras...que quer dizer ruído, baile acompanhado de cante com instrumentos. Era uma expressão usada quando se cantava e bailava nas festas de casamento, religiosas, etc. As Zambras começaram em Sacromonte com os mouros e ciganos e somente a partir de 1820 com os viajantes franceses da época romântica, Washington Irving e outros intelectuais da época, que Granada e suas Zambras ficaram conhecidas por toda Europa. Eram artistas, escritores, intelectuais que cruzavam a Europa para conhecer as Zambras de Granada. Das várias surgidas no séc. XVI, somente a La Rocío e a Canastera ainda existem e as famílias daquela época (ciganas) que mais disseminaram as Zambras para o mundo foram os Heredias, Amaya, Maya, Cortés, Fernandez, Fajardo, Bustamente e Carmona. É gratificante presenciar as novas gerações perpetuando o que seus antepassados fundaram. Alguns ainda estão vinculados às cuevas de Sacromonte. Muitos são dessas famílias ciganas, outros adotaram essa cultura. O que importa mesmo é que a cultura está preservada com ares mais joviais e nessas 2 semanas de imersão total, conheci alguns bailaores (as) que fazem isso com muita paixão e simplicidade, mostrando o flamenco de Granada com toda sua força e razão de ser:
PILAR FAJARDO, minha maestra mais que especial, pois foi a 1ª. quando estive em Granada para aulas de flamenco em 2008 e sigo inspirada com seu estilo. Pilar tem uma simpatia típica e o flamenco mais puro que alguém pode presenciar. Tem um aire próprio. Ela é de Algeciras (Cádiz) e foi aprendiz de Antonio el Pipa,  Maria del Mar Moreno, Angelita Gómez, Mercedez Ruiz, Yolanda Heredia, Andrés Peña, Belén Maya, Rafaela Carrasco e Mario Maya.  Além de ser uma maestra da Carmen Cuevas, Pilar pode ser vista bailando em locais de flamenco à noite. Recomendo Le Chien Andalou onde Pilar baila como se estivesse em casa. Um local alternativo e tão pequeno que dá para sentir sua respiração a cada momento. Pilar quando baila exala sensualidade e leveza, conectada com a terra. Não tem uma pessoa que não fique hipnotizado e envolvido pela forma de bailar dessa cigana. E a cada arremate ou uma sequencia de sapateado, é como se voltasse no tempo e víssemos ali a mais pura expressão de um flamenco cigano.
 
ESTEFANIA MARTINEZ PUYOL foi minha maestra agora. Tem na sua formação o flamenco e o clássico espanhol, o que torna seu baile peculiar: a mistura dessas influências enriqueceram de tal forma seu estilo que não dá para separar a bailarina da bailaora.  Pessoalmente, uma menina doce e aparentemente frágil. No palco, uma mulher cujos olhos dançam e seus braços se movem de tal forma que parecem voar e num suspiro, vem uma força que não se sabe de onde. Estefania tem uma técnica perfeita e se transforma assim que pisa no tablado de Venta los Gallo.
 
MARI CARMEN GUERRERO, a grande maestra é de Albayzín. Que sorte ter tido aulas com ela. Nasceu no meio dos grandes do flamenco. Cresceu nos tablados, foi aluna de Manolete, Mariquilla, La Presy, Adela Campallo, Pastora Galván, Manuel Liñan...essa é grande mesmo e sua paixão vê-se refletida na sua própria filha: Patricia Guerrero. Mari Carmen tem uma didática muito típica e pessoal, pois o flamenco flui em seu corpo com uma obviedade impressionante. Ao ensinar, não tem quem não acredite que não possa dançar. Uma maestra especial que (infelizmente) não encontramos nas noites de Granada bailando, mas encontramos na escola como uma das mais importantes maestras. Maestra, te reverencio!
 
PATRICIA GUERRERO, filha de Mari Carmen Guerrero, nasceu em Granada. Uma revelação sem precedentes, uma menina que está deixando um legado importantíssimo para o flamenco. Aprendeu com sua mãe, claro, mas também com  La Presy, Mario Maya, Belén Maya, Rafaela Carrasco e Juan Andrés Maya. Patricia leva para todo o mundo um flamenco forte, técnico e de movimentos perfeitos. Apesar da aparente fragilidade de menina, quando baila, cresce e se transforma numa bailaora, onde todas as histórias parecem contadas em seu baile. Patricia carrega a história e abre um caminho para o novo.
 
ADRIAN SANCHEZ é de Granada e teve sua formação na escola de  Mariquilla. Fundou sua própria Cia. Em 1995 – Taracea e atualmente tem uma escola em Granada. Adrian é um atleta flamenco que acompanhou Patricia Guerrero na Casa del Arte Flamenco, deixando uma marca única.  Quando baila sua uma técnica limpa e seu sapateado de luxo, a sensação é que ele está andando sobre água, de tão leve, elegante e sedutor.  
 
IVAN VARGAS HEREDIA, um diamante bruto e intenso. Vi esse rapaz em “Los Veranos de Corral” com seu espetáculo “Yo Mismo”. Um menino cigano típico de cueva. Nascido em Sacromonte, na cueva “La Rocío” onde inicio o flamenco no seio de sua família “Los Maya”. Esse rapaz é sobrinho de Juan Andres Maya, representando uma dinastia de flamenco das mais importante de Granada : Manolete, Juan Andrés Maya, Mario Maya e Juan Maya “Marote”. O espetáculo “Yo Mismo” não poderia ser melhor descrito : ele dança “ele”, flamenco de cueva. Simples e tão preso nas suas raízes. Puro, romântico, sedutor e forte... Olé Ivan!
ALBERTO SELLES, jovem bailaor que já tem um espaço garantido no mundo flamenco. Foi discípulo de Angelita Gómez e Patricia Ibáñez em Jerez, se formou e se desenvolveu com Juan Ogalla, La Moneta, Farruquito, Javier Barón, Úrsula López, Rafael Campallo, Andrés Peña e Andrés Marín. Seu show em “Los Veranos de Corral” teve a preciosa participação de Javier Barón.Foi indescritível ver a criatura e o criador, bailando juntos. O tradicional e o moderno se complementando. Ambos com a mesma paixão e bailando um para o outro, sem se importarem com mais nada em volta deles. Os movimentos de Alberto Selles são perfeitos e a sua sintonia com Javier o coloca num patamar dos grandes mesmo, pois a cumplicidade de ambos deixa a plateia de boca aberta. Alberto é sofisticado e já é uma referência no universo flamenco.
FUENSANTA LA MONETA, de Granada, também começou na escola de Mariquilla e seguiu tendo aulas com Antonio Vallejo, Juan Andrés Maya y Manolete. Durante muito tempo se estacou no baile da cueva de Sacromonte «La Rocío». Conheci seu baile no show do Generalife com o Espetáculo “El Duende”, local de grande evento e de outra perspectiva, bem diferente das cuevas/zambras. Percebe-se que por mais trabalhada que seja seu baile, ela não conseguiu (graças a Deus) deixar o estilo de Granada, e mesmo vendo-a bailar bem de longe, sua rusticidade e a raiz de uma Cueva gritam e ela torna-se maior que Generalife.


E foi assim que pela 4ª. vez vi Granada...e pensando muito sobre a paixão de viajar e pelo flamenco, me deparei com um único medo que me assombra atualmente : medo de não me deslumbrar com as descobertas, encontros e reencontros. Não existe nada tão frustrante e deprimente quanto esse medo de não me surpreender com as coisas que a vida oferece. Nem sempre temos a vida que sonhamos, mas seguramente podemos fazê-la com emoção e vivê-la intensamente e por isso, quando passava sob os pés de Alhambra diariamente, entendia a grandiosidade do homem e a tolerância de Deus.  

15 abril, 2013

segunda-feira, abril 15, 2013

PORTO ALEGRE – RS – Para onde os ventos flamencos levam...

Fossem ciganos a levantar poeira
A misturar nas patas
Terras de outras terras, ares de outras matas
Eu, bandoleiro, no meu cavalo alado
Na mão direita o fado
Jogando sementes nos campos da mente
E se falasses magia, sonho e fantasia
E se falasses encanto, quebranto e condão
Não te enganarias, não te enganarias
Não te enganarias, não!
Feitiço, transe, viagem, alucinação
Ney Matogrosso
Entrei no tablado, olhos profundos, sorriso largo, Juan parecia estar em casa. Os ciganos estão em casa quando são livres e podem ser o que realmente são. A primeira coisa que me veio a cabeça foi a musica do Ney Matogrosso...porque eu o vi assim... Fossem ciganos a levantar poeira, a misturar nas patas, terras de outras terras, ares de outras matas..... na mão direita o fado,  jogando sementes nos campos da mente..... e é assim que começa essa viagem.... feitiço, transe, viagem, alucinação....
O destino teve como pano de fundo, Porto Alegre – RS.... era uma vez...pessoas apaixonadas pela arte flamenca....no Brasil.....
A proposta era fazer um Workshop de Flamenco com o grande bailaor Juan Manuel Fernández Montoya – Farruquito. Programação intensa de 4 dias que foi decidida com 1 mês de antecedência. Seguimos para Porto Alegre.  A rotina era simples: 2 horas de aula com o maestro Farruquito e ver seu show Abolengo. Simplificamos tudo e ficamos num hotel no centro da cidade perto do local das aulas e do Centro Histórico. O hotel POA Residence é espartano e recomendo com muita segurança pela localização, atendimento e limpeza. Nas horas vagas tivemos a chance de conhecer locais que remetem a uma colonização muito diferente do centro e nordeste do país. Inclusive (creio eu) que pela proximidade com Argentina, a arte flamenca tem muitos adeptos, sendo Porto Alegre uma referência de escola e artistas flamencos. Isso sem deixar de citar a acolhida, educação e simpatia do povo Gaúcho.
 
 
 
 
 
 
  
 
 
Que encanto! Em 3 dias conhecemos o Centro histórico, a Praça da Matriz, passamos pela Catedral e fomos ao Teatro São Pedro, tudo isso numa tacada só. No dia seguinte fomos caminhar no Parque Farroupilha e nos deparamos com uma infinidade de atrações da natureza, com árvores centenárias e nativas. Um espaço aberto (esse parque não é cercado!) e um exemplo de conservação e beleza, desde 1935. No 3º. Dia, seguimos para o Mercado Público que fica num prédio de estilo neoclássico (1869). O Mercado oferece de tudo e a vontade é de sentar num dos restaurantes e ficar observando o vai e vem frenético das pessoas.
Seguimos para a Casa de Cultura Mario Quintana que fica no prédio do antigo Hotel Magestic que me pareceu ter sido super badalado na época (1910 a 1933). A parada merecida no 7º. andar para um almoço ou café é reconfortante. O Café Santo de Casa parece um abraço de Quintana. E para complementar, descobrimos Bauru e a Pizza de panela do Pedrini, desde 1960. Turismo rápido, de altíssima qualidade e engrandecedor!!!! Tempo suficiente para nos apaixonar pela cidade.
 
 
A desbravadora....Andressa Porto
 
Esse evento (Woskshop e Show) foi encampado pela Andressa Porto...gente ...essa garota vai longe. Ela “simplesmente”, saltou no escuro debutando com uma produção desse porte. Que organização e simplicidade. Ela agitava tudo em parceria com o Tablado Andaluz  e apoio dos simpatizantes de flamenco da região. Conseguiu não só mobilizar o povo local, mas pessoas de São Paulo e Brasília...imagina a força dessa garota. Ela fez com que tanto a equipe de produção do Farruquito quanto os participantes estivessem à vontade e com vontade! Me impressionou ela levar o show Abolengo para o melhor teatro de Porto Alegre - Bourbon Country e lotar a casa num domingo à noite. Andressa, incansavelmente, estava todos os dias nas entrevistas, nas aulas e nas noites do tablado. Lindíssima, mostrou que não existe impossível, ela me seduziu com sua coragem desbravadora, a despeito da experiência conquistada em tempo real. Andressa não só foi onde o flamenco leva, como trouxe a magia do flamenco para muitos que não conhecem.  Se ela tem origem cigana? Não sei, mas sua alma não nega....conquistou respeito e admiração de todos. Ela realizou um sonho. 
 
O Tablado Andaluz e a espirituosidade flamenca de Andréa, Robinson e Pedro
 
Andréa Franco, Robinson Gambarra e Pedro Fernández não são desse mundo! Eles são a base e a crença de que um sonho é factível. Todos são flamencos de alma, coração e vida. Administram o Tablado Andaluz, não só como um negócio, mas como suas próprias vidas...leveza, alegria e paixão....Há mais de 20 anos eles trouxeram os ventos flamencos para nós...um pedaço de Andaluzia no Brasil. Quando entrei no Tablado pela primeira vez, senti que era uma outra dimensão e que é mais que possível criar mundos  reais a partir de sonhos e paixão. O local foi Inspirado nos antigos Tablados da Andaluzia, que foram fundamentais para a sobrevivência e surgimento da Arte Flamenca.  Passando por aquela portinha estreita, entramos num mundo que só quem foi a Andaluzia entende. 
Ambiente rustico e real, gastronomia surpreendente e shows de flamenco. Além das aulas serem lá, no finalzinho da tarde, várias pessoas se revezam na organização da “fiesta” da noite. E quando a noite chega, Andréa (que também estava nas aulas com o maestro), segue para o restaurante, à vista dos clientes que se deliciam com as sangrias, e prepara a Paella que tanto encanta. Clientes esses que muitas vezes vão ao local para experimentar uma gastronomia típica e saem de lá transformados como se tivessem viajado para Andaluzia E não acaba aí....Pedro e convidados fazem shows de flamenco para os clientes e tudo acaba com uma buleria  fantástica....impossível não amar essa experiência. E antes das aulas, Farruquitoe equipe estiveram despojadamente assistindo TV no meio do salão, com as cadeiras em cima das mesas ainda e em algum canto, Román (o grande guitarrista) dedilha sua guitarra....e a vida segue....cada conversa...uma vontade imensa de aprender mais e mais....e Andréa e Pedro abrem as portas arando esse solo que anseia por flamenco. O grande presente da noite de sábado, ao final da apresentação de Pedro e convidados que finalizavam com a buleria e inesperadamente Farruquito e equipe sobem ao tablado e nos encanta com sua participação elegante e jocosa (como tem que ser a buleria), original e de raiz. E, buleria, minha gente, é festa de família...daí a certeza de que ele realmente sentia-se em casa...e todos que assistiam se emocionaram e sentiram-se prestigiados pela “cumplicidade” de Farruquito.  
 

Eu e Giovana Teles...levadas pelos ventos flamencos
O que a gente estava fazendo lá? Não sei!


A participação em massa era de professores de flamenco que tem suas escolas próprias ou de alunos locais...mas sair de Brasília para Porto Alegre por mera Paixão por 4 dias? Bom...até agora não consegui explicar nem para mim mesma...só sei explicar que os ventos flamencos estão me levando cada dia para mais longe daqui e mais perto de mim....
A Giovana ainda conseguiu programar uma matéria para GloboNews com o maestro Farruquito.  Que garota de aire...a aprendiz entrevistando o maestro e ela sabia tanto quanto ele...e ele ficou encantado...e os bastidores dessa entrevista foi uma experiência de “novos amigos” : a equipe (supersimpática da RBS) estava tendo o 1º. contato com essa arte e todos se envolveram com a simplicidade e cumplicidade de Farruquito e Román Vincenti(o grande guitarrista) ...Giovana Teles, essa moça,  tem aire flamenco, glamour profissional e inteligência incomparáveis , sabendo claramente o que quer e como quer... e está determinada a disseminar essa arte ainda desconhecida no Brasil. Na entrevista,  Giovana aborda se ele acredita que  el duende” (estado de torpor e transe que alguns vivenciam quando cantam ou bailam flamenco) realmente existe...e a resposta dele foi simples e direta....“El duende” (se existe) te encontra e não é você que encontra ele. Quando se está preparado, ele aparece. Hay que bailar com el corazón y alma. E numa tarde nos apaixonamos por Juan e sua história!

E os ventos flamencos trouxe Juan Manuel Fernández Montoya – Farruquito
Juan (Farruquito), é filho do cantaor Juan Fernández Flores, El Moreno e da bailaora Rosario Montoya Manzano, la Farruca . Ele é neto de uma lenda da história flamenca: Farruco que deixou o legado da disciplina e da técnica e que levou a arte flamenca para o mundo com suas inovações e passos únicos. A família Farrucos tem 3 gerações que representam os ciganos e sua história. Farruquito e seus irmãos Farru  e Carpeta são uma herança legitima de flamenco gitano. Toda sua história é escrita pelas mãos da arte flamenca mais pura. Ele começou no mundo internacional aos 5 anos na Broadway no espetáculo Flamenco Puro, com sua família e com os mais nobres e legendários do Flamenco. No filme de Carlos Saura – Flamenco (1995), apresenta junto com seu avô – Farruco uma belíssima e emocionante Soleá. E em outro filme do mesmo Saura – Flamenco, Flamenco (2009)  – ele emociona com um sapateado maravilhoso que seguramente estava a bailar imaginariamente com seu avô (que já havia falecido nessa época), pois a emoção que as câmeras conseguem passar, mostram uma reverência e uma gratidão em ser cigano e neto de Farruco  Então foi assim, quando vi aqueles olhos, entendi seu baile. Tudo em Farruquito tem paixão, tem a passionalidade gitana, tem suor e tem leveza, tem rusticidade e elegância, tem sedução e tem um ar paterno de quem tem sempre algo a explicar sobre o baile e seu avô...Farruco. 
 
A escola funciona no mesmo local do restaurante (Tablado Flamenco) e é uma referência nacional de escola da arte flamenca. O talento e a simpatia de Pedro e suas aulas formam e educam para quem quer vivenciar essa arte. E ele dança e canta! E foi nesse local que tive as aulas com Farruquito. Vi de perto e senti a emoção de seus olhos e seus movimentos. Indescritível observar cada centímetro de seu corpo bailando flamenco e ele faz como se estivesse num tablado, não somente os movimentos corporais, mas o que chama muita a atenção, como ele baila com os olhos. Ele tem um gesto próprio de “levar a mão direita ao coração” em movimentos curtos, simulando o bater do coração...ele dança com a alma....e quando termina uma sequencia de passos eletrizantes...é como se estivesse agradecendo a explosão. Finaliza com uma elegância sutil e própria, estendendo os braços ao alto como se quisesse abraçar o mundo...uma devoção e adoração pelo avô que é reverenciado a cada momento, seja com uma história engraçada, seja com o baile de seus netos, que que nos mostra a moral e ética do patriarca e seu legado de luta e originalidade flamenco cigano.
E como não se lembrar da participação de Román Vincenti nas aulas, que embalava as sequencias com os rasgueios de sua guitarra e suas risadas e graça com Farruquito?  Uma sintonia e intimidades com uma graça, típicas dos ciganos. E Jesus Lumbreras, o grande protetor que se colocava de longe a observar, mas se fazia presente e sempre “listo” com sua simpatia e grande conhecimento da musica brasileira. Juan não só nos deixou apaixonado pelo seu baile e sua história, como nos encantou com sua equipe. Ele é a prova de que pessoas boas atraem pessoas melhores ainda. Gracias Jesus, gracias Román... E finalmente...estávamos nós felizes, emocionadas e com os pés destruídos (ou vejo asas brotando?)...e com a certeza que se houvesse a chance...seguiríamos essa caravana para qualquer canto do mundo.
 
A despedida...
Abolengo...significado  de abuelo, ascendência de abuelos o antepassados, ascendência ilustre...
E Abolengo, um show que homenageia seus antepassados, surpreende com a participação da grande Karime Amaya, neta de Carmen Amaya. A cada instante do show, um suspiro de saudade... ela com seu bailado pessoal, como se estivesse num transe e dançando para seus antepassados, e ele numa felicidade ímpar, explodindo para a plateia suas crenças e sua paixão. Diferentes e sobreviventes. E naquela noite Farruco e Carmen Amaya estavam lá e reuniram um povo para lembrar sua história. Tive um sopro de percepção de que Abolengo foi concebido para isso, proporcionar instantes de lembranças.... e se existe esse povo foi separado, ele encontrou em Porto Alegre.....naquele instante...e no final de tudo isso.....senti um significado para a  musica de Ney Matogrosso que desde criança me fascina... Fossem ciganos a levantar poeira, a misturar nas patas, terras de outras terras, ares de outras matas. ......jogando sementes nos campos da mente... e foi assim que fiz mais essa viagem....e dessa vez, não estava sozinha....estava entre os meus....entre los abuelos!
 

 

07 janeiro, 2013

segunda-feira, janeiro 07, 2013

Viajar nos Livros, um bom começo !

Começando o ano e refletindo sobre os próximos passos, me deparei com um acervo pessoal de mais de 250 titulo lidos e devorados que, de uma forma ou de outra, estiveram comigo em viagens, ou me inspiraram a fazer viagens ou ainda foram as próprias viagens em tempos difíceis. Não tenho a pretensão de listar melhores livros e nem os mais inteligentes, mas separei aqui alguns que fazem parte da minha formação literária (mesmo os romances sem nenhum compromisso científico) e que me fizeram sonhar.....São histórias distintas por natureza que me emocionaram em momentos unicos. Acredito que nos livros damos um primeiro passo para conhecer o mundo...e é nos livros que acalentamos nossas angustias, acalmamos nossos medos, comemoramos nossas alegrias e compartilhamos com quem admiramos...um aprendizado contínuo e eterno.
O que desejo para 2013? Uma boa viagem! Para dentro de mim e para outras culturas pelo Brasil e pelo mundo.....
Paixão índia – Javier Moro
Ahhhh...a encantadora história de Anita Delgado, uma andaluza bailarina que se transformou em princesa na Índia. Comprei esse livro para continuar sonhando em conhecer a Índia (e ainda não foi possível!). Essa andaluza foi desposada por um marajá indiano que de tão apaixonado, construiu um palácio e a transformou em princesa. Mas Anita não era sua única mulher e isso trouxe ciúmes e conspirações que transformaram sua vida. Apesar do amor incontestável, o choque cultural entre oriente e ocidente e os costumes tornam esse livro dramático. Anita tinha muita solidão, mesmo tentando aprender a cultura e fazer parte de um mundo tão diferente. No decorrer da vida, o que começou com a paixão ardente e muito sensual, desgastou-se e a solidão foi implacável....uma história belíssima que vale continuar sonhando em ir á Índia.
Madalena – Herculano Pires
Meio estranho falar desse livro (que é espírita) sobre Madalena, tenho alguns livros sobre a vida dela, mas elegi esse! Não tenho pretensão de levantar questionamentos religiosos, apenas me reservo o prazer de conhecer as muitas histórias sobre essa linda mulher. Não importa o que é verdade ou não. Para mim, o que vale é consistência da leitura e seu encantamento. O mistério de Madalena sempre está presente na mente feminina e uma boa leitura como essa pode levar a um mundo desconhecido ou irreal. Esse livro me inspirou a conhecer seus caminhos que levam para vários lugares. Onde ela viveu? Como viveu? Em todas as leituras que fiz sobre ela, tem um caminho que é comum: A França!...quem sabe um próximo roteiro....
A Dançarina e o Rubi – Barry Unsworth
Comprei esse livro no aeroporto com destino à Turquia. Um romance para embalar o desconhecido. E foi uma grata surpresa, pois a história se passa durante o reinado dos reis normandos, na Sicília do século XII, romanos, gregos, árabes e judeus onde todos viviam em harmonia. A história é sobre um jovem que trabalha para um muçulmano e que acaba sendo envolvido numa conspiração contra o rei. Durante esses conflitos, ele reencontra uma antiga paixão e conhece a misteriosa e sensual dançarina Nesrin. Um homem atormentado pelo amor e pela paixão. Imagina ler esse livro na paisagem da Turquia!!!!


O Retorno – Victoria Hislop
Um presente e que me inspira a pensar num futuro. Esse livro fala de Sonia Cameron que começa suas férias na Espanha, em Granada, deixando uma vida programada em Londres com um marido previsível. Uma vida árida, sem emoção.Ela conhece um senhor, dono de um café em Granada, que torna-se um grande amigo e passa a contar a ela uma história tensa e dura sobre a Guerra Civil Espanhola e alguns personagens locais encantadores e marcantes de uma mesma família que se dividem nas ideologias políticas, à medida que a Guerra destrói lares e cidades. Um desses personagens se refugia na paixão pelo flamenco e o destino se encarrega de transformar a vida dessa personagem, que reflete na vida de Sonia. Uma preciosidade que remete a um resgate histórico lindíssimo da Guerra Civil Espanhola com o desenrolar de uma vida sem emoção, e, claro...na cidade de Granada...e não tem uma vez que quando estou lá não me lembre desse livro!
Vivir para Contarla – Gabriel Garcia Marquez
Eu comprei esse livro na minha viagem para o Chile, em Santiago, mais pela curiosidade do que gosto. Que grata surpresa, pois fala da história de Garcia Marquez entre 1927 e 1950, uma narrativa sobre sua infância e vida. Conhecendo a vida de um escritor, a gente entende seus livros, seus medos e anseios. A vida real está refletida nas suas obras e esse livro faz uma ponte muito clara sobre isso. Uma leitura engraçada e forte.

La Isla Bajo el Mar – Isabel Allende
Isabel Allende me conquistou definitivamente. E esse livro me abriu a mente para conhecer Cuba e arredores, assim como New Orleans (estão na wish list). Apesar de ser um romance, a autora tem compromisso com as questões históricas. Narra a vida de uma escrava em Santo Domingo, que se chama Zarité que serve com seu corpo e sua vida a um fazendeiro sórdido e avarento. O caminho para a liberdade é árduo e sem esperanças, mas ao ser levada para New Orleans, uma nova etapa e novas descobertas, emolduradas pela formação de uma nova sociedade. Emocionante e contagiante, sem falar que é uma visão da escravidão bem parecida com o que vivemos no Brasil.
La Suma de Los Días – Isabel Allende
Uma preciosidade esse livro porque, diferente de seus romances, é a história de vida de Isabel Allende, depois da morte de sua filha, já vivendo na Califórnia. Narrativa franca, engraçada e cheia de passagens que poderiam ser na nossa família. É surpreendente ver o seu amadurecimento após a perda e sua predisposição em viver um grande amor. Uma história de família, brigas, encontros, decisões e partidas, sempre com o tom irônico da autora.
1813 – 1829 – Paulo Setúbal
A história do Brasil tem nuances maravilhosas que fogem dos livros escolares. É importante aprender o básico, mas depois de um tempo, temos obrigação de entender nossas raízes que definiram nossa cultura. Que D.Pedro I era um “Dom Juan” declarado, todos sabemos. Que a Marquesa de Santos ficou conhecida como a amante eleita, também é fato. Que a Leopoldina passou o pão que o diabo amassou nas mãos de D.Pedro I, também é de conhecimento geral. Mas a influência que a amante teve nas decisões políticas nesse período, é mais que surpreendente. D.Pedro I demonstra a omissão e, ao mesmo tempo, a impulsividade nas questões amorosas e políticas. Ele não conseguia separar as coisas. Uma história forte e amargurada, mas que (de alguma forma) explica alguns estereótipos que existem no Brasil.
A Carne e o Sangue – Mary Del Priore
Para continuar a entender melhor a vida da Marquesa (Domitila), eu conheci esse livro que retrata a convivência de D.Pedro I com a esposa que era responsável pela linhagem real e lealdade ao império e a amante que proporcionava prazer. Aqui tive a chance de ter a visão da mulher esposa que enfrentou tanta dificuldade para manter-se casada. A descrição de uma vida complicada e cheia de remorsos. Esse triangulo amoroso escandalizou e faz parte de nossa história. Nesse livro entendi melhor a cultura do Rio de Janeiro e a formação da sociedade de São Paulo.
Os Segredos da Capela Sistina – Benjamin Blech e Roy Doliner
Lamentavelmente li esse livro depois da viagem que fiz à Itália. Nessa viagem, encantei-me com o Renascimento e me surpreendi com o Vaticano. Em 'Os segredos da Capela Sistina', a história é uma defesa de que Michelangelo teria inscrito nos afrescos da Capela Sistina mensagens que permaneceram ocultas por mais de cinco séculos. Ressalta o conflito do artista com o poder da Igreja e suas convicções religiosas. O livro mostra detalhes sobre a Capela Sistina com mensagens antagônicas à doutrina cristã. O pintor não utilizou nenhuma figura cristã na Capela, retratando personagens da Bíblia Hebraica. Uma verdadeira aula sobre as motivações do artista, os anos de formação intelectual e o fascínio pela cultura judaica.
Não é só de história que vivo! Gosto de conhecer coisas simples e esse livro me chamou a atenção porque pretendo voltar em Paris e quero entender melhor essa cultura cosmopolita descompromissada pela qual as mulheres de lá são famosas. É divertido, mas não acho que seja um manual. As mulheres francesas são famosas pela beleza, elegância e simplicidade emocional, diferentes de nós, brasileiras, que somos por natureza, passionais! O que mais me chamou a atenção no livro é a autoconfiança. Morro de inveja!!! Um livro para descomplicar e divertir!
Um lugar na Janela – Martha Medeiros
Esse foi o ultimo que li, entre o Natal e o Ano-Novo (2012/2013). Martha Medeiros narra de uma forma muito simples suas viagens, cujo enfoque é a experiência pessoal. Parece um diário e para minha grata surpresa, a vivência dela no Marrocos e Istambul foi muito parecida com a minha. É um livro para inspirar, até porque, todos os relatos foram experiências vividas. Para quem quer viajar...é uma boa inspiração.

Andrea Pires

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