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21 dezembro, 2012

sexta-feira, dezembro 21, 2012

MADRID - A cidade que nunca dorme!

 Estive em Madrid 04 vezes. Impossível fazer um roteiro completo para quem vai a 1ª.  2ª.  ou 3ª. vez.....o tempo será sempre pouco. De Madrid é possível sair de trem e explorar a Espanha e outros locais da Europa. Madrid tem uma energia que consome : é uma cidade “ligada” em 300volts...ferve...chamada de “la Movida”, reúne pessoas de todos os gostos: boêmios, intelectuais, urbanos, consumistas, jovens, maduros e, claro, flamenco com sofisticação. A cidade é um exagero e uma das mais agitadas capitais da Europa, vibrante, dinâmica, moderna sem deixar de preservar seu patrimônio histórico e cultural. Foi fundada pelos árabes como uma fortaleza e em 1561 foi transformada em capital da corte por Felipe II.
Aproveitando minhas boas recordações, fiz um roteiro simples para quem está “debutando” na cidade. Essa sugestão pode ser entre 4 a 7  dias de permanência na cidade. Claro que não estou mostrando nem 1/3 do que Madrid oferece, mas por ser uma cidade intensa, é melhor conhecê-la com algum planejamento. Tudo pode ser feito de metrô ou a pé. Depende de sua disposição e do roteiro do dia. O estilo de vida conhecido como “La Movida”, apareceu a partir de um “movimento etílico-cultural”, ou seja, os madrilenos propagaram a noite de Madrid para o mundo como a mais animada e boemia da Europa. Tive a chance de vivenciar isso....perambular pelas ruas entre “tapas e tragos”, a terminar a noite com chocolate e churros.  Na maioria das vezes estive sozinha, por isso optei em hospedar-me em locais bem centrais que me permitiam caminhar pela cidade e acessar tudo com muita segurança. Recomendo o Hotel Carlos V pertinho da Puerta de Sol. Para quem quer fazer compras também é uma excelente opção porque permite “ir e vir” várias vezes ao dia e não ficar carregando o peso das compras.
Vamos às sugestões bem básicas....
Dedique uma manhã para o “Prado”. Ou seja, não tem como ir à Madrid e não conhecer ou revisitá-lo. Um banho de arte e história. O Museu do Prado  tem maravilhas como "As Meninas" de Velásquez, El Greco, Goya , etc....Dedique uma manhã inteira porque é encantador...Uma aula de história que nunca veremos no Brasil, dada a concentração de obras de arte num mesmo ambiente. É uma das maiores pinacotecas do mundo, com mais de 9.000 obras. Aproveite também para caminhar no Paseo Del Prado, ao lado do Museu e Jardim Botânico. Caminhar pelas sombras das árvores muito antigas e apreciar os jardins...é a cara de Madrid e de uma sofisticação simples e marcante. Perto daqui encontra-se, a Fonte de Cibeles, toda em mármore, que representa a deusa Cibele (símbolo da Terra, agricultura e fecundidade). É aqui que a torcida do Real Madrid comemora suas vitórias.  Reserve uma manhã também para conhecer o Museu Reina Sofia. Especial porque abriga muita coisa da arte espanhola do século XX e arte contemporânea. Ter a chance de “ver” e ficar “chocado” com a Guernica, de Picasso, além de viajar no mundo de Salvador Dali  e Miró . São experiências que mexem com a cabeça mesmo. Um contraponto ao Museu do Prado.
Aproveite uma manhã (ou tarde) também para conhecer o Parque de  el  Retiro, onde os madrilenhos vão nos fins de semana para passear. Tem sempre alguma coisa acontecendo. Não deixe de visitar o Palácio de Cristal que fica no parque, todo em vidro, cercado por um lago, construído em 1887. Para o Palácio Real e adjacências, recomendo um dia inteiro porque vale a pena e cansa muiiittttoooo. O Palácio Real  foi uma fortaleza no século IX no reino muçulmano, depois um Alcázar (destruído num incêndio por volta de 1700) e finalmente conhecido por ser a residência oficial do Rei de Espanha (mas o rei Juan Carlos não vive lá!), tem museu com obras de Caravaggio (Salomé com a cabeça de João Batista), Velázquez e Goya. Caminhe pelas cercanias e encontre ali pertinho o Campo do Mouro e a Praça do Oriente onde ficam as esculturas dos reis espanhóis. Contornando, descubra a Catedral de Almudena, foi construída onde era uma antiga muralha árabe e onde fica o túmulo de San Isidro, padroeiro de Madrid e a imagem da N. Sra. de la Almudena em madeira prata. Em frente ao Palácio Real, fica o Teatro Real que merece a visita guiada. E depois de tanto andar...perto do Teatro, tem que parar para experimentar tapas no 100  Montaditos. São 100 tipos de tapas que podem acompanhar cerveja e vinho (no verão eu peço tinto de verano, um tipo de sangria que acompanha bem todas as tapas...e no inverno, um Rioja...). 



Pausa para as compras, porque ninguém é de ferro né?
Um “aparte” importante sobre compras na Espanha: claro que não é mais barato que nos EUA. E ainda os preços estão em EUROS. Mas, se você não tem previsão de ir às compras nos EUA, vai encontrar produtos muito mais em conta que os preços praticados no Brasil. O que eu recomendo, nesse caso é descobrir as lojas da “terrinha” e deixar as marcas americanas de lado. Algumas lojas são populares lá e de grande referência aqui. Eis as minhas preferidas:Bershka , do grupo Zara e preços bem em conta. Roupas transadas e modernas. Lefties, a ponta-de-estoque da Zara, que é a maior bagunça e cheia de pechinchas preciosas. Zara ...e Mango....precisa falar? H&M , tem várias em Madrid e de uma elegância europeia a preços fabulosos. El Corte Inglês, a mais tradicional loja de departamentos da Espanha. Tem de tudo. Tem ainda o desconto para turista. A dica é procurar setor de informações para preencher o cartão de desconto, além do TAXFREE. Vale a pena garimpar aqui.  Sephora .. ..a mais tradicional loja de produtos de maquiagens.
Bom, outra coisa que tenho por costume é comprar as revistas de moda na Espanha que trazem as principais tendências que somente chegarão aqui no Brasil quase 1 ano depois. Nas farmácias, compro indiscriminadamente água termal D’Avene...meu vício. Ok, então...depois desses pequenos segredos compartilhados, vamos às compras. Reserve um ou 2 dias para as compras (que podem ser poucos viu?) e não os misture com passeios culturais, pois um deles pode ficar comprometido. A Puerta  del  Sol é a central de Madri e point agitadíssimo.  É fácil localizá-la, pois lá se encontra o símbolo da cidade (a estátua de bronze do Urso) e no meio da praça, estátua de D. Carlos III. Também fica aqui pertinho o Hotel Carlos V. Tudo que for preciso ou desejado de comprar, tem aqui, ao redor da praça e nas ruas que dão acesso a ela. É aqui que ficam as melhores lojas das marcas espanholas. Depois que você enlouqueceu nas lojas, recomendo parar na Casa Labra e conheça o mais barato e mais gostoso bolinho de bacalhau do mundo...coisa de doido....ou então caminhe até chegar à Plaza Sant’anna para comer e descansar num dos cafés elegantes e animados. A Gran Via  também é uma grata opção, pois tem um comércio fabuloso. Começa na Calle de Alcalá e termina na Plaza de España. Pela Gran Via a gente sente a intensidade de Madrid, pois além do comércio, é aqui que ficam os cinemas e teatros.  Um pedacinho da Broadway. E na Plaza de España, onde fica a famosa estátua de homenagem ao escritor espanhol Cervantes, tem uma feira de artesanato no final da tarde. Sugiro que, depois de caminhar pela Gran Via e fazer comprar, reserve o final da tarde para conhecer a Plaza de España e depois vá ao show de flamenco mais tradicional da cidade (na minha opinião, claro!)...tem que ligar para marca, pois o local é pequeno e vive lotado..Las Tablas...  ao lado da Plaza de España.
 
Para as noites...prepare-se para um tour de tapas...coisa de Madrid..coisa de Madrileño...
Sabe esse costume de brasileiro de ir a um bar, sentar e esperar ser atendido pelo garçom? E ficar a noite inteira sentado num mesmo local? Esqueça!!!! Na Espanha as pessoas ficam de bar em bar....não sentam....ficam em pé, bebem, beliscam conversam e seguem para o próximo bar....Comece na Plaza  Mayor, um local de bares e lojas de artesanatos, mas que já foi o centro dos acontecimentos, desde canonizações a execuções públicas e  corridas de touros. Esta praça sobreviveu a três incêndios, é linda, toda fechada, ponto de encontro, e um lugar que dá acesso a várias ruelas onde descobrimos cada lugarzinho...aqui tem restaurantes e até dá para sentar e ficar um tempinho, antes de começar a peregrinação da noite....É aqui que ficam as lojas de artesanatos tradicionais da Espanha. Siga o fluxo e encontre o Mercado de San Miguel. Certamente estará lotado, mas é assim mesmo. Fique um tempinho bebericando cavas, manzanillas, sangria, cerveja.... e experimente tapas de frutos do mar. Bem animado é lindo e o máximo para sentir como vivem bem os madrileños!!.  Hora de caminhar....siga o fluxo e conheça o Bairro La Latina...para todos os lados, bares, bares e mais bares...lotados...continue e siga em direção da Puerta Del Sol...perca-se em Madrid...mas tenha em mãos um bom mapa para saber por onde você está se perdendo..chegue até a Praça Sant’anna e aproveite para sentar um pouco de beber mais alguma coisa..... E para finalizar a noite....Chocolateria San Gines   , fundada em 1890. O local parece sair de um filme antigo da época romântica....e geralmente está lotado de madrugada porque comer churros de madrugada é uma mania madrilenha.

Mais algumas idéias....
Em Madrid tem muitas opções de flamenco. Além de ver grandes apresentações, da ultima vez, aproveitei para fazer aulas particulares com o grande maestro e bailaor Joaquin Ruiz. Ele foi de uma simpatia única, pois além das aulas...conhecer a noite de Madrid com um nativo...é outra história. Incluir as aulas com o turismo é muito proveitoso, principalmente para quem viaja sozinho.  
Outra coisa bem interessante : conhecer a cidade de Toledo! Que no passado foi próspera e sob o reinado árabe (século VIII). Era conhecida, pela tolerância religiosa e tinha grandes comunidades judaicas e muçulmanas. No século IX foi conquistada por Afonso VI. A cidade ficou conhecida pela produção de espadas, facas e ainda hoje pode-se adquirir esse tipo de artesanato nas lojas locais. A cidade foi local de residência de El Greco no final de sua vida. É um passeio diferente e que remete a história que tanto falei nos posts de Andaluzia. É possível ir de ônibus de Madrid até Toledo, uma viagem que dura cerca de 75 minutos. É barato e seguro!


É isso, uma amostra do que fazer em Madrid em poucos dias!
Amigos, este post encerra o ano de 2012 como um presente de Natal para mim mesma!!!!. Como estive lá mais de uma vez, tive a chance de relembrar cada passagem e me encher de gratidão por todas as vezes que decidi sair do meu mundo e voar bem alto.....A cidade de Madrid instiga a ser um anônimo na multidão e instiga a pensar em “chutar o balde” e deixar-se levar pela “La Movida”....e esse sentimento é muito bom quando um ciclo se fecha (final de ano) e a gente começa a pensar em “possibilidades” surreais.....huummmm...vou para por aqui...porque isso tá com cara de previsão astrológica ou surto sabático!

29 julho, 2012

domingo, julho 29, 2012

ANDALUZIA – Málaga, um caminho para a África!

Conhecer Málaga foi uma oportunidade integrada com o curso de Flamenco do Festival de Jerez 2012 e a proximidade física para o Marrocos, com um detalhe: eu queria cruzar o Gibraltar pelo mar. A minha agente de viagens, Dayse - New Age, descobriu um grupo saindo de Málaga para o Marrocos no período que eu queria e de ferry boat...além disso, o custo terrestre era muito atrativo. Programei 2 dias de permanência em Málaga, antes de seguir para Marrocos.
Esta seria a 4ª. cidade de Andaluzia que eu teria a chance de conhecer e me aprofundar na cultura e na história. E claro, uma referência para aficionados pelo flamenco como eu.
Como tinha somente 2 dias, programei alguns locais para mais próximos do centro histórico para conhecer e aproveitei para explorar a cidade caminhando à noite. Era inverno e carnaval, por isso a parte litorânea não estava atrativa para mim. Concentrei-me na cultura e na gastronomia e confesso que o que mais me encantou foi a noite de Málaga. A cidade de Pablo Picasso e Antonio Banderas é leve, fácil, alegre e bem cosmopolita. Adorei a proximidade de tudo...todas as culturas lado a lado. Uma cidade descontraída onde as noites (mesmo de inverno) são quentes e animadas, regadas pelo famoso vinho Moscatel.
Como todas as cidades Andaluzas, aqui passaram fenícios, romanos e árabes. Também foi um berço para o desenvolvimento do flamenco, onde surgiu o VERDIALES, que é um cante folclórico, anterior ao flamenco, de grande influência árabe e em meados do século XIX aparece um baile chamado “MALAGUEÑA", procedente do FANDANGO. Ambos se aflamencam e fazem parte de nosso repertório de cante e baile flamenco. 
Além de ser uma cidade artística, moderna, turística por suas praias e sol e uma referência de flamenco, existe um patrimônio histórico e cultural que merecem atenção especial.
Comecei explorando a Calle Marques de Lários, onde existe uma concentração de comércio e bares/cafés e restaurantes, além de dar acesso à parte mais histórica da cidade. Toda a rua estava adornada para o carnaval e muitos blocos desfilavam um carnaval jocoso com musicas que faziam referência a “chistes” locais. Fiquei hospedada no hotel Bahia Málaga, muito próximo à Marqués de Lários e Avenida Principal, com excelente localização e quartos bem agradáveis.
Seguindo a Calle Marqués de Lários, encontrei o Monumento a Larios, do século XIX, dedicado a Manuel Domingo Larios y Larios quem construiu a dita rua (que leva seu nome). A Marques de Lários é excelente para acesso a vários pontos turísticos. 
Seguindo-a, descobri a Catedral que tem sua origem nos séculos XVI/XVIII e se chama “Encarnación”. No passado, foi uma Mesquita. A obra ficou inacabada, por isso seu apelido “La  Manquita”. Caminhando para depois da catedral, encontramos o Alcazar que deve ter sido construído entre os séculos XI/XIV e já foi um Palácio muçulmano e o Teatro Romano – do Século I AC, está aos pés do Alcazar. Pela história, sabe-se que foi da época de Augusto e depois foi utilizado para armazenamento de materiais do período muçulmano. 
Pelos arredores, é fácil encontrar o Museo Picasso, que fica no Palácio de Buenavista. Um prédio renascentista do século XVI que abriga a coleção permanente de Picasso (mais de 200 obras entre pinturas, desenhos, esculturas, etc), bem como peças fenícias.
E, claro, não poderia deixar de falar sobre o Museo de Arte Flamenco, "PeñaJuan Breva" que tem mais de 5000 peças, entre discos, guitarras, aparatos, adereços de baile, vestidos, etc, do período do século XIX/XX. No térreo do museu tem um bar e espaço para apresentações de flamenco.
A gastronomia é uma diversão à parte....muitos pescados e vinhos. Deliciei-me no Moscatel, o vinho mais consumido na cidade. E pelo frio que estava, caiu muito bem. Por isso que as noites são quentes....imperdível...não deixe de conhecer :

El Chinitas, fica no centro histórico, com acesso pela Calle Marques de Larios. Um local aconchegante, tradicional e de uma perfeição gastronômica, além do ambiente flamenco. Possui salas mais reservadas para grupos e uma decoração bem antiga. No térreo fica o bar o nos andares superiores o restaurante. Bastante romântico e recomendado para noites especiais. E ponto!
El Pimpi, é uma bodega mais que especial e me encantou. De noite, na parte interior, um ambiente típico andaluz, as garçonetes se vestem de flamencas, muita gente jovem e musica flamenca. Passei uma das noites mais relaxadas e alegres. De dia, de frente para o Teatro Romano e Alcazar, ao ar livre, um local de deleite visual e apreciação das tapas e, claro, famoso Moscatel...Esse local é para ir e ficar, sem pressa...e foi aí que me despedi de Málaga, mais uma janela Andaluza.
De Málaga, seguimos para Algeciras (onde fica o Porto de Tarifa – saída do ferry boat para Marrocos). Um pedaço de Andaluzia (Cadiz), Algeciras tem nome árabe, com sangue cigano. Cidade de Paco de Lucia ...quem compôs “Entre Dos Águas”....uma homenagem à cidade que fica entre as águas do Mediterrâneo e Atlântico...Algeciras nem está lá e nem cá..Algeciras...é a porta para um mundo diferente....é a porta para a África e uma nova aventura recomeça...brevemente Marrocos....


E a sequência Andaluzia chega ao fim...Falamos de Andaluzia com Flamenco e Turismo. Detalhamos Sevilha, Granada, Córdoba, Cadiz e Málaga....com tantas histórias e dicas, Andaluzia está muito bem retratada e divulgada por cada um que passou por aqui.
Para mim, a melhor definição de Andaluzia e a história de seus povos ciganos, árabes, judeus é que andar por suas cidades é ter a sensação de estar “retornando para minha casa”. Acredito que cada um que esteve aqui tenha a mesma sensação: uma experiência de vidas passadas. 
O povo flamenco é assim...ganha o mundo...vai para bem longe, mas sempre volta para sua casa, para os seus e para sua história. Somos muitos espalhados pelo mundo e sempre nos encontramos em algum ponto de Andaluzia para matar nossa saudade de outras vidas, como um povo que não se vê há muito tempo. E sempre seguimos para outras terras, levando nossa cultura e paixão.

12 julho, 2012

quinta-feira, julho 12, 2012

ANDALUZIA - Jerez...a minha Janela Andaluza que fechei...

Esse é um pedaço de Andaluzia muito peculiar. Os atrativos turísticos são mais visíveis para quem se identifica fortemente com a cultura flamenca, apesar de que, Jerez de La Frontera (que pertence à província de Cadiz), tem todas as influências muçulmanas e romanas das cidades de Andaluzia, cuja história se repete e se consolida com a sobrevivência dos excluídos e foragidos árabes, judeus e ciganos. É uma cidade rica culturalmente que deve ser descoberta e explorada turisticamente. Além da história, a cidade é conhecida pelo Circuito de Fórmula 1 e pelo vinho de produção local (Jerez). É muito boêmia. As noites de Jerez são um atrativo à parte, isso porque é uma cidade “esteticamente” cigana onde isso é percebido claramente na fisionomia, principalmente, dos homens e no comportamento “descompromissado” e “calmo” entre um trago e outro, o que também não seria impossível presenciar, de madrugada algum deles se exaltar e quebrar uma garrafa e começar uma briga...aquela coisa assim, bem passional. digna de gitanos....
Jerez é considerada a "Cuna del Arte Flamenco, pois foi aqui que surgiram muitos cantaores, bailaores e guitarristas, provenientes dos bairros de Santiago e São Miguel, onde faço uma referência especial à Lola Flores e Paquera de Jerez. Foi daqui que surgiu a Buleria, um tipo de baile festivo, da improvisação de grupos em festa, seja no canto, seja no baile. É uma brincadeira tradicional e muito comum, típico das famílias jerezanas.

Como fui parar em Jerez... 
A 1ª. vez (2011) foi uma decisão de “susto” e de “impulso”.  Normalmente, escolho circuitos comerciais e turísticos para férias, porém, Jerez apareceu sem férias, num dia normal de aula de flamenco onde a professora comentou que tinha saído a programação do Festival de Flamenco de Jerez e o quanto era enriquecedor “beber na fonte” o que buscamos.
Foi um delírio sonhar com a possibilidade. E não é que deu certo? Um pequeno grupo sonhou e foi ver o que era o Flamenco no seu berço. Decisão rápida, grupo formado e claro, dinheiro contado. Tive que praticar direitinho o “planejamento”, pois sequer eram férias e não tinha reserva financeira. Eu tinha 5 meses a contar da inscrição nas aulas do Festival para organizar-me financeiramente para a viagem.
A matrícula no curso é a 1ª. coisa a ser feita e aguardar confirmação. As turmas se completam rapidamente e não deve ser postergada. A minha decisão se baseou em fazer aulas e imersão total nos shows de Flamenco. Investimento necessário. Matrícula feita!!!!
O próximo passo foi comprar passagem (dividida em várias prestações) e fazer reserva de hotel. Recomendo os hotéis : Tryp e Tierras de Jerez muito bem localizados, confortáveis e preços justos. Afinal, seria um período intenso de atividades, além de ser inverno rigoroso. Escolhi esses hotéis (em 2 momentos diferentes, claro) porque me proporcionavam um conforto maior...e melhor descanso nos intervalos das atividades.
Apesar de ser um grupo, cada um optou em montar seu roteiro, mesmo assim, estaríamos juntos na semana do Festival e nas noites de Jerez. Muito providencial essa formação de grupo: todos vão para um mesmo local, porém, cada um com sua programação.  
Já em 2012, aproveitei a “desculpa” do Festival de Jerez e marquei férias para o período. E eu tenho um compromisso comigo : sempre conhecer outro local, antes de ir para Jerez ou retornar a qualquer cidade na Espanha. Assim, eu posso expandir meus conhecimentos sem deixar de fazer o que mais gosto. Falarei sobre o Marrocos mais tarde.

A dinâmica de Jerez é um pouco diferente das demais cidades.  Na época do Festival, cujo período é de um inverno rigoroso para os padrões brasileiros, a cidade fica “lotada” de aficionados pelo flamenco, de toda parte do mundo. A programação é intensa durante o dia e à noite.









Por toda a cidade escolas oferecem cursos, oficinas, intensivos e shows. Durante o dia, suamos enlouquecidamente nas aulas com nossos maestros e depois das aulas, uma parada para uma tapa e um trago...num frio de doer... À noite presença certa nos shows do Festival e na programação paralela, e depois vagamos de bar em bar entre uma tapa e um trago....e no dia seguinte...a mesma coisa...
Uma rotina insana para quem não entende nossa dedicação ao flamenco.  Mas tem também turismo de grande valor cultural que proporciona grandes surpresas para quem vai a 1ª. vez:
Comece pela Calle Larga, fácil de localizar e o ponto central de tudo em Jerez. Aqui ficam as principais lojas da Espanha e da Cidade, além de ser uma boa referência de bares e restaurantes. Excelente local para compras.  
Em Jerez, a ordem é caminhar! Descubra a Catedral de estilo barroco que também já foi uma Mesquita. Siga até o Alcazar que fica na parte antiga da cidade e tem referência do século XII, tendo sido residência de califas. A Mesquita agora é uma capela (desde a conquista dos Católicos, Afonso X).
Programe um Hammam (Banho Árabe) onde tem 03 piscinas com água quente, morna e fria, num ambiente a meia luz e massagem. Grande experiência e recomendado para qualquer pessoa que queira desfrutar de uma vivência especial dos costumes árabes.

Recomendo uma manhã para a visita na Bodega Tio Pepe onde o tour incluir degustação e por ser um vinho mais forte, não vá de estômago vazio. No final do dia, experimente Churros com chocolate quente, que no inverno é uma excelente opção.



A noite, veja a programação no Tio Zappa e na Peña de La Buleria. Se quiser algo mais requintado, visite o Teatro Villamarta  que no período do festival de flamenco tem shows todas as noites
Explore as praças das redondezas – A praça Plateros é belíssima e tem a Torre de Atalaya, com seu relógio do século XV. Em tempos antigos foi uma torre de vigia.
Calmamente, descubra as igrejas : Iglesia de San Dionisio, de Santiago, de San Miguel, de San Marcos, San Juan de los Caballeros o la Basílica de Nuestra Señora de la Merced.
É importante entender que Jerez se divide em 02 grandes bairros “ciganos” onde se situam os monumentos, igrejas e flamenco  : Bairro de San Miguel e de Santiago.
São os bairros mais antigos da Andaluzia, com suas ruas estreitas, sinuosas e deliciosamente confusas. É muito fácil e desejável perder-se nesses bairros e descobrir praças, igrejas, e construções antigas e típicas. Esses 02 bairros nasceram fora da cidade e foram povoados pelos ciganos e outros considerados indesejáveis. À noite, as cidades amuralhadas eram fechadas para aquelas minorias que não eram bem-vindas e consideradas perigosas, então essas pessoas passaram a viver “fora dos muros”, constituindo uma nova comunidade. Assim foi com São Miguel e Santiago. Por isso que não tem como separar o flamenco de Jerez... foram nesses  locais que o flamenco floresceu e passou a ser a cultura mais eloquente de Jerez. Lá pelos idos do século XV, quando a Igreja Católica se afirmava definitivamente, as comunidades que viviam “fora” dos muros da cidade (São Miguel e Santiago) cresceram muito e foram incorporados como bairros das cidades.

Em Santiago, descubra as Igrejas e Praças e não deixe de visitar o Centro Andaluz de Flamenco, com uma estrutura moderna e acervo para os diversos interesses da área. Em São Miguel, a igreja é imperdível e a Praça Afinal merece uma parada para um café, e claro, para os aficionados, o monumento em homenagem à La Paquera.
E, para entender o que tem em Jerez de tão especial, caminhe pelas noites, descubra as laranjeiras, as ruas estreitas, os bares cheios de ciganos. Jerez tem cheiro de Jerez, sabor de tio Pepe e tem perfume de história  e não ache estranho se você sentir voltando para casa num lugar tão distante do Brasil.

10 julho, 2012

terça-feira, julho 10, 2012

ANDALUZIA - Cádiz e Jerez por Patricia Vieira

 “A primeira vez que fui à Espanha, eu tinha 16 anos. Na última vez, eu estava às vésperas dos 36 anos. Nesses vinte anos, fui à Espanha quatro vezes e, especialmente, três vezes à Andaluzia. Já conheci outros países, mas sempre tenho vontade de estar em terras andaluzas: gosto do cheiro, gosto do povo, gosto da música, gosto da comida.
Na primeira vez, Sevilha me deixou muitas lembranças, era época de Expo 92 e a cidade estava grandiosamente preparada para o evento. No entanto, a foto mais representativa dessa primeira viagem é uma em que estou em pleno verão na Alhambra, em Granada. Quem já foi à Alhambra, o magnífico palácio, sabe o que aquele lugar significa em termos históricos e culturais. Na minha alma, significou muito também.
De outra vez, fui conhecer a Catalunha e o País Basco. Duas regiões impressionantemente diferentes e encantadoras. Eu, que sou apaixonada pelo estudo de línguas, tinha ali todo o prazer do mundo naquelas trocas linguísticas.
A terceira viagem foi voltada à Andaluzia, e o foco era a cidade de Jerez de la Frontera, na província de Cádiz.
Jerez, além do circuito de Fórmula 1, tem as famosas bodegas de produção do vinho Jerez (ou xerez), mas o que me levava até ali, especialmente, era a possibilidade de encontrar um amigo querido e de fazer aulas de flamenco! Sim, os maiores bailaores de flamenco da Andaluzia se concentram em duas semanas de aulas e espetáculos em Jerez.
A cidade é muito pequena, quase sem atrativos, mas a atmosfera flamenca que se respira ali é de arrepiar!
Em Jerez é possível viver o autêntico cotidiano gaditano, “tapas y finos” (petiscos e vinhos jerez) e muito, muito baile e cante flamenco.
Leva-se uma hora de trem, partindo-se de Sevilha e adicionando mais quarenta minutos, chega-se à Cádiz.

Tive a sorte de pegar um fim de Carnaval em Cádiz, ciceroneada por um casal morador de lá. Foi diversão garantida, a folia muito original e colorida. Vale a pena ver um carnaval de Cádiz!




Patrícia Vieira, linguista, 36 anos, casada há 10 anos com Sérgio Ricardo, cantor lírico, 37 anos, mora em Brasília e é mãe de gêmeas!  



01 julho, 2012

domingo, julho 01, 2012

ANDALUZIA - A Granada que Carlos e Sandra conheceram....

O motivo maior que nos levou até Granada foi o monumento de Alhambra...arquitetura e história fascinantes num dos lugares mais mágicos do mundo, quero crer. Então escolhemos ficar DENTRO do monumento e isto foi possível por que tem um hotel pequeno e aconchegante chamado “Hotel América dentro das muralhas de Alhambra , romântico e muito bonito. Da janela de nosso quarto se avistava toda a cidade lá embaixo. Ficamos nos arredores e desfrutamos da floresta e dos caminhos que serpenteiam a montanha e as incríveis muralhas. Escolhemos desfrutar dessa atmosfera mágica, onde o barulho das águas dos milenares canais e fontes, engenhosamente trazidos de longe, nos seguiam por onde passávamos. Os antigos e nobres habitantes desta cidade fortificada transformaram o topo de uma montanha em um verdadeiro paraíso. Os palácios são de uma beleza indescritível e nos mostram como devem ter sido os tempos califares.  As idas e vindas à cidade são um convite ao deleite. Nas manhãs e tardes, quando ao término da descida, adentra-se nas ruas encantadoras de Granada. Muito Jamón , vinho batatas enormes e recheadas fizeram nosso tour gastronômico. À noite vale muito um passeio à pé, descendo as bem iluminadas ladeiras de Alhambra e indo direção ao Albaicín (Bairro antigo e tradicional refugio dos povos ciganos) podemos contemplar em todos os lugares a majestosa visão de Alhambra que com sua iluminação impressionante mais parece um palácio de ouro a reluzir por toda a cidade. No Albaicin pode-se tomar uma taça de vinho e assistir a um show de flamenco numa cueva como a de “Los tarantos” . Imperdível também o Bairro de Sacromonte , mas o mais lindo de tudo e que tornou nossa ida a Granada inesquecível,  foram as muralhas, as construções da Alhambra e o doce barulho de água corrente e das fontes que ficarão para sempre em nossos corações.  A importância desta viagem se deve ao caráter histórico da cidade com sua memória tão rica e tão bem preservada. Para melhor compreender o que encontramos, relembramos de um fragmento da história local dando conta da conquista do reino de Granada pelos reis católicos, Isabel e Fernando. Eles expulsaram o rei Boabdil, o qual ficou muito triste por ter perdido o que chamava “paraíso terrestre”. 

Diz a lenda que o monarca teria chorado diante de sua mãe enquanto se afastava de Granada e que esta lhe teria dito: “...Chora como uma mulher, o que não soubestes defender como um homem.”


No caminho até a encosta granadina existe um ponto chamado “El suspiro Del Moro” (o suspiro do Mouro ) nome que se retirou da lenda, já que nesse ponto se pode observar toda a cidade e a Alhambra, onde se supõe que o monarca Boabdil parou para admirar o seu reino perdido, não podendo evitar o pranto...

Carlos Borges tem 53 anos, é arquiteto, artista plástico, musicista e amante da cultura espanhola especialmente da dança flamenca. Casado com a Sandra Marques, 54 anos, funcionária da Câmara dos Deputados , chef e gourmet, procura os sabores dos lugares por onde passa experimentando de tudo, além de amante das artes e da história...ambos descobriram a Espanha e também se apaixonaram pela história.







domingo, julho 01, 2012

ANDALUZIA - A Granada que Patricia Vieira conheceu....












“...Na última viagem, agora em 2012, teve um sabor especial. Me concentrei em quatro cidades: Sevilha, Granada, Córdoba e Jerez. Fomos meu esposo e eu, celebrar nossos dez anos de casamento. Foram dias lindos. Em Sevilha, destaco o Museu de Belas Artes, a torre da Giralda na magnífica Catedral e o deslumbrante Alcázar, que deve ser visto antes da Alhambra para não perder o encanto. Todo o aspecto de califado de Sevilha é intensificado em Granada, que é uma cidade apaixonante com seu bairro árabe, com seu bairro gitano, com “su gente buena”, com boa comida e com todas as reminiscências do Federico García Lorca. Quantos suspiros deixei ali pela casa de campo da família Lorca Quanta arte esse homem tão jovem produziu! A experiência da Alhambraé fundamental e ler sobre os califas é desejável para entender quão emblemática é aquela fortaleza que tem como pano de fundo a Sierra Nevada. Inesquecível também foi a noite no Chien Andalou”, bar, tablado flamenco. Não dá pra perder....”

Patrícia Vieira, linguista, 36 anos, casada há 10 anos com Sérgio Ricardo, cantor lírico, 37 anos, mora em Brasília e é mãe de gêmeas!   É autora do blog Janelas Andaluzas que inspirou muitas pessoas, particularmente a mim!
domingo, julho 01, 2012

ANDALUZIA – A Granada que Giovana Teles conheceu….

 Chegar a Granada no fim da tarde é um grande presente. O melhor é ir direto para a Carrera del Darro e observar a Alhambra: grandiosa, encantadora que vai se “transformando” com o cair do sol e ganha outros ares e cores à noite. É deslumbrante acompanhar esse rito de passagem das calçadas dos vários bares dessa área da cidade, que dá acesso ao Sacromonte e ao Albaicín. Há passeios guiados à noite por esses dois “bairros” que se complementam. Uma parada obrigatória é o Mirador de San Nicolás, de onde se vê a Sierra Nevada, e todo o Generalifee a Alhambra. O encantamento continua subindo o Albaicin, em alguma das cuevas com espetáculos de flamenco. Sim, são shows montados para os turistas, em várias salas, vários horários. Mas mesmo assim vale a pena, pelo lugar, pela atmosfera mágica da noite de Granada. Fui à zambra gitana da cueva Los Tarantos.
Dia seguinte separado para a visita à Alhambra, uma joia da arquitetura árabe, erguida pelos sultões Nazaritas já no último período da dominação muçulmana. A cada palácio, fonte, jardim – cada um com suas histórias e mistérios - aumenta a certeza de que se vai voltar à cidade um dia. Para aliviar o cansaço e renovar as energias, um banho árabe, em seguida. A rede Hammans de Al Andalus, tem um banho árabe junto da Carrera del Darro. São piscinas quente, morna e fria e você pode optar por massagens também. Perfeito!

Depois, na Plaza Nueva, montaditos de jamón Pata Negra com um vinho de Rioja. Vem a noite outra vez e mais flamenco. Mas dessa vez, em casas que os próprios granadinos frequentam: como o Le Chien Andalou. É preciso comprar os ingressos cedo porque o lugar é pequeno e enche muito rápido. Pelo Chien passam muitos artistas da cidade e os que estão a passeio ou dando cursos. Encontramos nesse bar flamenco, por acaso, ninguém menos que o bailaor Joaquin Grilo.


De dia, outra visita inesquecível é ao Museu da mulher Cigana e às cuevas que reproduzem como os ciganos moravam nessas casas escavadas na rocha. Essas casas, morada dos mais pobres, ficam aquecidas no frio e amenizam o calor no verão. O museu mostra também as principais atividades dos ciganos – a fabricação de cestarias, de utensílios de cobre e de ferro. Pertinho disso, também no Sacromonte, outro museu: a casa cueva de Curro del Albaicin, um cantaor, poeta, muito ligado à arte flamenca em Granada. O salão está cheio de fotografias de artistas das mais nobre dinastias dessa arte.

Como eu e minha amiga Magda Patrícia de Castro identificamos vários deles, acho que passamos no teste, e Curro ainda improvisou uma zambra exclusiva pra gente – flamenco puro en la sangre!  Também é assim nas apresentações em outra cueva em que professores das escolas de flamenco da cidade costumam se apresentar - a Venta El Gallo, que tem na parede principal a foto do escritor, poeta, músico que, para mim, se confunde com a cidade: Federico García Lorca.

Para ficar mais perto da obra e da história de Lorca é preciso seguir para o outro lado da cidade. No parque Federico Garcia Lorca está a Huerta de San Vicente, a casa de campo onde a família passava o verão e que serviu de abrigo a Lorca antes de ser assassinado pela ditadura de Franco.

Na casa museu, só se entra com guia e em horários determinados. Ali estão textos manuscritos, desenhos, objetos pessoais, o quarto ... e o piano em que Lorca tocou e gravou várias canções populares com La Argentinita. Entrar nesse universo, conhecer a letra, as cores escolhidas pelo próprio Lorca para suas obras é um privilégio sem tamanho. É como se pudéssemos voltar às décadas de 20 e 30 ... a casa simples, rodeada de verde,  onde um dos maiores poetas de todos os tempos buscava inspiração ... entre os manuscritos, cartas aos amigos geniais como ele: Salvador Dali, Luís Buñuel, Manuel de Falla. A vontade é de ficar horas observando e absorvendo cada detalhe. A guia nos dá a chance de voltar a um cômodo antes de sairmos. Voltei para a sala de piano, lembrei da Nana de Sevilla gravada pelos dois. Saí e chorei por saber que, de alguma forma, tinha vivido ali momentos de muitas histórias que pareciam distantes e naquele instante eram tão reais.  Sentimentos iguaizinhos aos da Canción del dia que se va ...
“Que trabajo me cuesta
Dejarte marchar, dia!
Te vas lleno de mi,
Vuelves sin conocerme
Que trabajo me cuesta
Dejar sobre tu pecho
Posibles realidades
De imposibles minutos.”
(Federico Garcia Lorca)

Giovana teles é jornalista, completamente apaixonada pelo flamenco e tem certeza que Andaluzia é a sua casa espiritual

Andrea Pires

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