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14 maio, 2014

quarta-feira, maio 14, 2014

EL CALAFATE - ARGENTINA - Entre Amigos no Fim do Mundo – Parte 2


A cidade está na Província de Santa Cruz e faz fronteira com o Chile, é extremamente agradável e me pareceu uma versão mais intensa de Campos e Jordão. Tudo gira em torno dos passeios ao Parque Nacional Los Glaciares. É nesse parque que fica o danado do Perito Moreno, a maior geleira em extensão horizontal que está em constante movimentação e diminuição, devido ao aquecimento global.  Tudo em El Calafate gira em torno do gelo. 
Daí, fomos conhecer o Bar gelado. Só precisa ir uma vez na vida. É impossível ficar mais de meia hora lá dentro e a pegadinha é que na compra dos ingressos somos informados que a bebida é livre. A questão é: não dá para beber mais do que 2 doses de qualquer coisa, porque não conseguimos ficar muito tempo lá dentro. Entendeu? O que tem de mais de bonito nesse passeio? A vista do pôr-do-sol num horizonte de tirar o fôlego. Então, a melhor coisa do bar gelado é ficar do lado de fora! 
 Os restaurantes foram vários. Recomendo chegar cedo, pois as filas são um incômodo. Para comer cordeiro (prato típico do local), La Lechuza o Casimiro Biguá, o Mi Viejo (para mim, foi o melhor de todos) e a La Tablita.  Para deixar o tempo passar numa tarde fria, parada obrigatória no San Pedro, bar e restô. Mas o que fizemos de mais intelectual foi a tarde no Borges e Alvares  – vinho e tio pepe, um bar livraria onde passamos uma tarde inteira falando de história, depois das comprinhas na feirinha de artesanato.
 A história de Francisco Pascacio Moreno (Perito Moreno), por Edivan Ferreira
Perito Moreno nasceu em 31 de maio de 1852, Buenos Aires e morreu em 22 de novembro de 1919, Buenos Aires. Cientista, naturalista e explorador argentino, autodidata e amante da paleontologia e arqueologia, explorador da região do Rio Negro, aos 23 anos de idade é o primeiro homem branco que chega ao Lago Nahuel Huapi desde o Oceano Atlântico. Atravessou a patagônia onde manteve contato direto com os indígenas, estudando o seu passado e origens. Em 15 de fevereiro de 1877 chega até o Lago Argentino, onde atualmente se encontra a cidade de El Calafate, e descobre um grande Glaciar que posteriormente foi batizado em sua homenagem (“Perito Moreno”). Foi nomeado chefe da comissão exploradora dos territórios do sul Argentino para estudar a possibilidade de estabelecer colônias na região entre o rio Negro e o rio Deseado. Ocupou o cargo de perito Argentino na demarcação das fronteiras entre Chile e Argentina, com laudo arbitral do governo Britânico. Preparou sua obra “Fronteira Argentino-Chilena”, viajou à Londres para facilitar o laudo arbitral da Rainha Vitória e apresentar uma exposição sobre o conflito. Por seus trabalhos de perito, a Royal Geographic Society lhe conferiu a medalha do Rei Jorge IV. Em 1902 recebeu 25 léguas quadradas de terras na Patagônia por seus serviços prestados à nação, doando em seguida uma parte destas terras para criar o Parque Nacional Nahuel Huapi, primeiro parque Nacional da Argentina. 
Seu nome é recordado de várias formas na Argentina: Glaciar Perito Moreno, localidade de Perito Moreno e o Parque Nacional Perito Moreno. Na maioria das cidades da Patagônia existe uma rua que leva o seu nome. Foi enterrado no cemitério de La Recoleta em Buenos Aires e em 1944 foi transferido para ilha de Centinela no lago Nahuel Huapi, junto com a sua esposa, onde repousam dentro do parque nacional que fundou. Por determinação da Prefeitura Naval Argentina, cada embarcação que passa frente à ilha deve soar três vezes a sirene para render- lhe homenagens.


Perito Moreno (a geleira) e o mini trekking
Os glaciares são o resultado da neve que fica no alto da cordilheira do Andes e que  derrete, desce e congela, formando blocos imensos de neve compactada no lago Argentino, também conhecidos como icebergs e que estão em constante movimento,  chocando-se com o solo. Nesse impacto, o barulho é ensurdecedor, além de ser um espetáculo dos deuses. Essa geleira é um glaciar que se estende desde a fronteira entre Argentina e Chile, até o braço sul do Lago Argentino. São 5 quilômetros de largura e 60 metros de altura e quando a água pressiona num movimento a geleira, provoca um desabamento na borda. Coisa impressionante e barulhenta. O último desabamento ocorreu em 9 de julho de 2008.  O passeio inclui o acesso via passarela que chega bem pertinho da borda do Perito. Depois de percorrer toda a passarela tirando foto de todos os ângulos, seguimos num barco para o ponto de partida para o trekking no gelo.  


Bom, daí para frente, emoções fortes. Ao chegar ao acampamento, somos preparados com os “grampões”, sapatos para caminharmos que são amarrados e dão uma segurança importante. Logo em seguida vem as recomendações: nas subidas, andar com os pés abertos e na descido, inclinar-se com os joelhos flexionados. Em ambas as situações, fixar os pés com força no gelo para que os grampões agarrem o chão para dar a sustentação da caminhada. Evitar se distrair com a cabeça para cima (como se fosse um turista admirando o céu!) e ninguém deve sair da fila, pois o caminho é demarcado pelo guia em função dos movimentos climáticos. De tempo em tempo paradas para fotos e muitas explicações sobre os buracos azuis que se formam nas gretas. Umas finas outras largas e outras verdadeiros abismos. Tudo isso com um vento forte e a sensação térmica “sem noção”.   


Depois de 1 hora e meia caminhando, não há mais prazer (confesso). Frio, dedos congelados e olhando para frente eu só tinha a vista de estar indo mais longe do acampamento. Nesse momento a gente se pergunta: o que estou fazendo aqui? O guia que já tem uma vasta experiência de turistas em quase hipotermia, segue para mais uma pequena subida e, eis que avistamos uma baixada e um balcão de uísque com gelo nativo. A caminhada chegava ao fim. Finalmente, avistamos o acampamento e era tanto frio e dormência no corpo que eu e Neslita decidimos correr até o acampamento depois de 2 doses de uísque. Coisa de maluco mesmo! 
Claro que no final da caminhada a avaliação é totalmente positiva e estamos eufóricos (frio em uísque!). Mesmo com essa sensação de caminhar olhando para o nada (o branco do gelo confunde a visão mesmo) e sentir-se desprotegido diante da natureza, valeu cada minuto e dá até vontade de repetir. O treeking foi mais tenso que a corrida e me fez lembrar porque eu estava com tanto medo de cair: se antes eu achava, agora tinha certeza que o mundo definitivamente está de cabeça para baixo!!!
 
Foram 10 dias intensos e diferentes no Fim do Mundo (ou o começo dele...depende de onde você está). De certo, o que eu trouxe dessa viagem foi a intensidade de fazer coisas diferentes, fortes e leves seja na corrida, no trekking, com frio, vinho, enfim....e todas as noites acabávamos em uma mesa, rindo e comemorando o dia. Não é assim que se constroem histórias? É ao redor de uma mesa que as pessoas se olham, se entendem, se conhecem, riem, planejam, agradecem...enfim...ao redor de uma mesa as pessoas simplesmente são (não estão). 
 
Créditos: algumas fotos publicadas no blog foram gentilmente cedidas/compartilhadas pelo grupo que estava na viagem.

quarta-feira, maio 14, 2014

USHUAIA - ARGENTINA - Entre Amigos no Fim do Mundo – Parte 1


Chegar ao Fim do Mundo é especial. Decidir ir ao Fim do Mundo é ousado. Eu, particularmente, precisei de um motivo forte para encarar essa aventura e tenho que confessar: foi uma das experiências mais intensas que tive. Quanta diferença entre o calor da África e o frio da Patagônia...ir aos extremos em alguns momentos da vida é também uma necessidade (em qualquer aspecto). Então, fui à Patagônia! E que lugar exuberante situado no final de tudo, no extremo da América do Sul, parte do Chile e da Argentina. Sabe aquela língua quase lambendo a Antártica? É lá mesmo!  Aqui o ser humano tem certeza da sua insignificância diante de uma imensidão quase inóspita (pelo menos aparentemente). A posição ideal é ajoelhar, pois é como se estivéssemos entrando na casa de Deus, pela porta da frente! Para entender essa região é importante ter uma noção sobre a história de povos indígenas que a habitavam e porque atraía tanta gente numa época tão improvável. As questões vinculadas à Patagônia e sua exploração/colonização refletiram no sul do nosso país, cuja história é tão pouco conhecida. Quase não lembramos que somos parte da América Latina, pois nossa história é bem diferente dos nossos vizinhos que tiveram uma colonização exterminadora. E então conhecemos o Edivan, um gaúcho corredor, amante de história e que, para nossa agradável surpresa, deu-nos uma contextualização impressionante sobre as incursões Argentinas e Europeias, cujas conversas giravam em torno das nossas diferenças e sempre regada a um bom vinho que nos levava a uma viagem no tempo e na geografia...e ele escreveu para nós....
Os conflitos indígenas por Edivan Ferreira
“Ano de 1874 quando Nicolás Avellaneda assume a presidência da
Argentina e começa uma gestão na busca do desenvolvimento econômico a partir de incursões para a tomada de terras. Essa época ficou marcada pelas “Campanhas do
Deserto” do Ministro da Guerra, Julio Argentino Roca, nas quais as tropas avançaram sobre os indígenas que viviam no sul do país, liberando milhões de hectares para a instalação de estâncias. Seu governo deu apoio total à imigração europeia (principalmente a italiana) e investiu na educação primária, proporcionando ao país ter a população com mais anos de educação formal da América Latina. Depois, assume Julio Argentino Roca (ex-Ministro da Guerra), cujo primeiro governo durou de 1880-1886 e com 37 anos de idade foi o mais jovem presidente Argentino em toda a sua história. A prosperidade da nação continuou durante o seu mandato. Conduziu a política da purificação étnica,  vencendo a resistência dos povos Mapuches e causando a morte de 20.000 índios. A população indígena quase desaparece. Nesses governos, onde a Argentina entra num longo período de abundância e prosperidade econômica, fica marcado pelos conflitos entre os povos indígenas que habitavam as regiões dos Pampas e da Patagônia. Julio Argentino Roca, que começa a exterminação ainda no cargo de Ministro da Guerra com a Campanha do Deserto, intensifica os ataques com sua estratégia era “dominar, expulsar ou exterminar” os indígenas. Conflito esse que foi até o final do seu governo. De fato, os europeus não descobriram a América, eles a invadiram. Nestas terras havia populações indígenas desde a Terra do Fogo até o Alaska e foram dominados, dizimados e expulsos das suas terras, utilizando-se da ideia de catequização, perdendo a identidade e os poucos que ainda sobrevivem estão reclusos em reservas ou na periferia das cidades.”
Devidamente contextualizada a história....vamos a Ushuaia, capital da Patagônia Argentina e da Província da Terra do Fogo, composta pela Antártica e Ilhas do Atlântico Sul (onde estão as Malvinas).  A primeira sensação ao chegar é de cortar n’alma. A paisagem é uma obra de arte difícil de acreditar na sua veracidade. A cordilheira emoldura o horizonte, cuja neve nos picos das montanhas reflete e ressalta com muito mais intensidade o azul do céu e o verde levemente avermelhado pela chegada do outono.  Além desse contraste que fere os olhos, a pele sente o vento como uma navalha a golpes rápidos no rosto. Foi assim que a percebi: misto de dor e prazer.  Ultima cidade antes de chegar à Antártica, conhecida como Fim do Mundo ou Terra do Fogo, mas que para mim parecia ser o começo de tudo e que o mundo é que estava de cabeça para baixo. O nome Ushuaia vem do indígena Yagan: ushu + aia (baía profunda) e há mais de 11 mil anos já tinha sido descoberta por nômades/índios (como os Onas e Yaganes) que, mesmo num clima quase insuportável, se vestiam minimamente, buscavam alimentos na água, famosos por suas canoas e fogueiras. Foi aí que descobri porque se chama Terra do Fogo: atribuído por Fernão de Magalhães quando explorava a região e se deparou com fogo sobre a costa do estreito (que hoje leva seu nome: estreito de Fernão de Magalhães) e que eram fogueiras...foi batizada como “Tierra del Fuego(1500). E quem nasce em Ushuaia é Fueguino.A cidade foi habitada de verdade (1869) por pastores anglicanos que vieram para catequizar os índios, mas, como foi tão bem descrito por Edivan, à medida que o homem branco tomava posse da região, os índios iam sendo dizimados ou pelas doenças trazidas pelos diversos povos europeus ou pela devastação das guerras e confrontos. Em 1930 quase toda a população indígena havia desaparecido.  Então veio a construção do famoso presídio no início do séc. XX que funcionou por quase 50 anos (1902 a 1947) e que, num paradoxo social, trouxe o desenvolvimento de infraestrutura e econômico para a cidade, ao mesmo tempo em que a população se mantinha temerosa com um volume de presos no local quase igual à quantidade de habitantes. Não tardou para ser fechado e transformado em um museu, parte do Museo del Fin del Mundo. Ushuaia é rica em tudo e tem um povo muito educado, receptivo e nacionalista que ainda mantém a memória viva sobre a questão das Malvinascomo uma conquista necessária. Com toda essa miscigenação é bastante internacionalizada em sua cultura e hábitos. E por ser uma cidade muito jovem, suas raízes e sentimento de pertencimento ainda está se construindo na descoberta de sua história, o que me lembrou de Brasília e talvez o que me fez sentir quase em casa (se não fosse o clima, claro!).  
Onde ficar e o que fazer ?
O Hotel Costa Ushuaia é bem adequado para quem quer contato direto com a natureza. Fica a 10 minutos do centro da cidade (de carro) e de frente para a baía. É muito agradável percorrer as proximidades e se perder na imensidão do céu azul e do frio cortante.  O Museu do Fim do Mundo é uma parada providencial, dedicado aos povos indígenas, a natureza, a história local e aos naufrágios ocorridos nas proximidades da cidade. A cidade também oferece lugares muito agradáveis e de uma rica gastronomia. A tarde se perde e faz-se necessário perambular pela San Martin, experimentar a torta de maçã do Andino  ou experimentar uma das receitas de café e chocolate exóticas do Isla de Chocolat. Para passar o tempo admirando e conhecendo mais a história, El Almacén de Ramos Generales quase de frente para o Porto.
Comer é uma diversão garantida e a pedida certa é a centolla (um caranguejo típico da região) que tivemos o prazer de experimentar no El Gustino e no Vilaggio e para prestigiar a cozinha chilena, tem que ir no Chiko  ...tudo isso regado ao vinho do Fim do Mundo que já era parte desses pequenos prazeres.
Canal de Beagle



O Canal de Beagle é obrigatório. Não tem como ir a Ushuaia e não fazer esse passeio. Ele faz a fronteira entre o Chile e a Argentina e do porto saem os barcos que contornam as ilhas onde podemos ver e fotografar os lobos marinhos, pinguins, cormoranes e diversos pássaros. O nome faz referência ao navio britânico HMS Beagleque fez 2 missões até o extremo da América do Sul, sendo a 2ª dela com  Charles Darwin à bordo. Dura uma tarde larga e a paisagem é perturbadora. Sair para área externa da embarcação para fotografar é muito corajoso e deparei-me pensando com muita frequência como os índios conseguiam pescar, quase sem roupa naquelas canoas sem proteção? 

 Aventura em 4x4




Esse passeio é muito interessante porque contempla a ida ao centro de esqui, a vista panorâmica do lago Fagnano que divide Argentina e o Chile e o lago Escondido, encravado na cordilheira. Entre estradas de terra, rios e buracos, uma parada para um churrasco de acampamento sem nenhum luxo urbano, mas com muito sabor. E depois do almoço, para os mais animados: canoagem. Passar um tempo tomando vinho, comendo um churrasco típico argentino, descansando e ouvindo a história dos castores...ah ah!!!  É aqui que a história do castor vem à tona e passamos a persegui-lo inconscientemente por solidariedade aos habitantes de Ushuaia: Conta-se que foram trazidos 25 casais de castores para a região e futura produção de peles. 
O que aconteceu foi que o animal procria em média 4 vezes ao ano. Como nenhum predador foi convidado para fazer parte daquela incursão dos 25 casais, imaginem só a praga que se tornou na cidade: a quantidade de castores hoje é igual ou maior que a de habitantes de Ushuaia. Dá para acreditar? E não há nenhum programa de controle da espécie. Toda a flora e geografia da região foram alteradas em função da ação dos castores que provocaram derrubadas de árvores e mudança de curso de rio. Além dos Castores, as raposas (elegantes e lindas) sempre dão o ar da graça para os turistas. Tivemos o privilégio de ter uma delas próxima ao acampamento.

 A Corrida










Então, deixando um pouco de história e passeios, vamos ao motivo da viagem.... a corrida no Parque Nacional da Terra do Fogo!!!!
O local e a corrida deram um “up” na viagem, tenho que confessar. Por quê? Gente....esse é o parque mais austral do continente e a paisagem é de tirar o fôlego. Geralmente os turistas usam o Trem do Fim do Mundo para visitarem o parque, mas nosso grupo escolheu correr 10km, 21km e 42km.  Meu único arrependimento foi não ter corrido pelo menos 21km, pois deixei de ter a visão da paisagem mais dentro do parque e quem  mais se beneficiou foi o pessoal dos 42km que teve a chance de ver e sentir muito do parque.  Eu já tinha registrado aqui que a preparação foi a parte mais difícil. Agora estou com vergonha mesmo. O que são 10kms? Nada! Para uma experiência dessas eu tinha obrigação de investir mais tempo e me preparar para os 21kms. O Parque e suas belezas faria qualquer um correr muito mais e todos acharam que o percurso poderia ser maior. O corpo tinha vida própria, as pernas estavam leves e a cabeça era a parte mais tensa e intensa que queria ver e sentir tudo. Claro que não foi uma corridinha dessas e uma sensação térmica desumana que me levaria ao extremo e teste de sobrevivência, mas constatei como o corpo gera calor e produz energia em situações bem adversas. Fiquei impressionada com a resposta física. Que máquina possuo! Apaixonei! Sensações físicas à parte, cada viagem tem uma relevância e algo a ser incorporado para o resto da vida, além das experiências esperadas. Eu pensei que seria a corrida em si, mas o que foi se desenvolvendo, superou demais a corrida. Digamos que a corrida foi a GRANDE RESPONSÁVEL por colocar pessoas tão especiais num mesmo local.   Vou explicar....alguns colegas levaram seus acompanhantes (não praticantes de corrida) nessa aventura. Até aí, normal. O que aconteceu foi que esses acompanhantes deram um show de “solidariedade” com todo o grupo. Enquanto nos preparávamos para a corrida, eles se organizavam para nos fotografar e acompanhar durante o percurso. Alugaram bicicletas e se colocavam em pontos estratégicos para registrarem a corrida de todo o grupo (não só de seus acompanhantes). Gustavo, Eduardo e Eliana tornaram-se patrimônio do grupo todo!!! E o como foi bacana chegar ao final da corrida e ter alguém esperando o próximo. Foi assim até o ultimo dos 42kms, a despeito do frio  quase insuportável. Para mim, o papel desses acompanhantes na corrida foi preponderante para a forma agradável que o grupo passou a se relacionar durante todo o resto da viagem. E vamos combinar né? Como é difícil para acompanhantes se sentirem parte de um grupo tão específico (em qualquer atividade) porque nós ficamos chatos quando estamos em tribos fechadas.
E quando pensei que a experiência da corrida tinha acabado..eis que...
No meio do caminho, tinha com casamento...
É. No final dos 42km, havia um padre, um noivo e nós.
A cordilheira ao fundo, um frio desesperador e uma garrafa de Chandon. A noiva estava chegando.... Ela cruzou a linha de chegada depois de 42km. O que rolava de boca em boca? Eles se conhecem e estão juntos há 12 anos. Eles queriam casar. Eles correm juntos e ele preparou a surpresa para ela. Ela não sabia. Simples assim. Ela chegou e foi surpreendida com o padre e o noivo esperando-a. O que vi? Que parecia ser um sonho para ela se unir a ele. Mais do que um vestido, mais do que uma festa, mais do que tudo que uma noiva sonha para esse dia, era evidente que eles eram um só e que a união era para selar esse COMPANHEIRISMO imenso. Correm juntos, se conhecem a ponto dele programar uma surpresa dessas sem ter medo dela não gostar e saíram de lá juntos, suados, com frio e abraçados.   
Quanta cumplicidade num dia só! Plagiei Carlos Drummond de Andrade sem vergonha alguma...e no meio do caminho tinha um casamento...no meio do meu caminho tinha um casamento....e no Fim do Mundo..tinha um casamento...
No meio do caminho
No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.
  
E Ushuaia foi assim, muito de tudo: muitos encontros, muito prazer, dor de tudo quanto é lado,  amigos, corrida, beleza, história e muito vinho do Fim do Mundo. Valeu cada pedaço dessa terra e meu respeito e admiração eternos a uma história tão perdida. E dedico este post ao grupo de apaixonados pela corrida que esteve junto na maior parte do tempo e que mesmo sem se conhecer anteriormente, transformou uma experiência numa das memórias mais intensas que cataloguei para minha velhice. Ojalá um dia eu seja tão apaixonada como eles pela corrida e supere a preguiça dos 10 kms : Neslita, Danniely, Jackson e Eliana, Eduardo e Lia, Fernanda, Alessandra, Angélica, Campoi e Mildred, Filipe, Luciano e Gustavo, nosso novo amigo gaúcho, Edivan. E como disse a admirável Mildred: “entre amigos no Fim do Mundo”.
Créditos: algumas fotos publicadas no blog foram gentilmente cedidas/compartilhadas pelo grupo que estava na viagem.

18 fevereiro, 2014

terça-feira, fevereiro 18, 2014

USHUAIA – ARGENTINA - Lá vamos nós para a corrida do fim do Mundo!

Que responsabilidade!

Começar 2014 com uma grande e aventura. É isso mesmo. Começo o ano registrando, em tempo real, como é decidir em função de uma oportunidade e se programar com rapidez e foco. É amigos, lá vou eu para Ushuaia, no fim da Argentina fazer uma corrida de 10km – a tal da corrida do Fim do Mundoacompanhando meus amigos atletas que farão os percursos maiores. Como assim né? Tanta coisa normal para fazer...o que vou fazer no Fim do Mundo ?  
Vou explicar...

Em meados de novembro meu grande mestre de corrida Filipe, da Time Assessoria  começou a divulgar o Mountain Do - Fim do Mundo. Ele sabe que gosto muito de corrida cross e sabe que não sou uma atleta, porém, haverá um percurso básico de 10km para gente como eu!!! Daí não pensei muito né? Decisão rápida e simples.
Confesso que não estava nos meus planos fazer uma viagem dessas por agora. Nem tinha fechado meu orçamento de 2013 e tão pouco sabia das minhas possibilidades financeiras. Mas pensei nos seguintes ganhos: vou focar 3 meses num treino mais disciplinado que será bom para minha saúde, os valores que a agência Conquistare Turismo Esportivo e Lazer  cotou foram sedutores e bem facilitados (essa agência é 10 para programação de viagens para corridas!!!),  o grupo de pessoas que está indo é maravilhoso e, por fim,  ainda conhecerei o Fim do Mundo! O que tenho a perder? Bom, o dinheiro tá escasso, mas sempre é possível adiar despesas e buscar uma redução (drástica) nos gastos pessoais...depois coloco a vida em ordem. Isso também eu aprendi com meu mestre Paulo Valim: o planejamento tem que ser seu e a decisão de mexer nele é sua!. Pode mudar na hora que quiser. Para isso que ele serve: eu faço, eu posso mudar...vantagem em tê-lo? Dimensionar riscos, perdas e ganhos...bacana né? É essa perspectiva que o planejamento financeiro pessoal é útil e fácil de seguir: conhecendo os riscos, as decisões são mais confortáveis.
Seguindo na aventura, esse é um tipo de viagem que a decisão é rápida, porém a programação tem que ser bem antecipada. Não dá para fazer de ultima hora, no susto.
 Viagem fechada, inscrição da corrida feita, agora foco nos treinos. O Filipe (Time Assessoria está acompanhando cada um que está inscrito na corrida (acho que são umas 18 pessoas) e as planilhas são bem específicas. Para incrementar ainda temos os treinos de grupo. O primeiro aconteceu, ali, perto da Torre Digital. Quase morri...e só foram 8kms. O percurso de uma corrida cross é mais intenso que a de asfalto (acreditem!). Foi nesse treino coletivo que o  grupo de Ushuaia começou a se conhecer melhor e, para meu consolo e conforto, tem mais pessoas que  irão nos 10 kms.
Então pessoal, vou atualizando e compartilhando a programação de Ushuaia e os treinos....quem sabe não servirá de inspiração para outras pessoas começarem ? Eu não sou atleta, mas a corrida com um programa estruturado e disciplinado, proporciona um bem-estar e um estilo de vida muito agradável....e ainda dá para viajar!!!! Aproveito esse primeiro post para que o Filipe fale um pouco do trabalho dele e dessa iniciativa dos grupos de viagens e corrida.
“Bom, a TIME Assessoria Esportiva surgiu em 2010! Na época eu era coordenador de um Clube de Corrida de uma rede de academias, porém o modelo para este serviço vinculado diretamente a academia, estava tendo vários problemas gerenciais. Como sempre tive vontade de montar uma empresa e gosto muito da parte de treinamento físico dentro da Educação Física, resolvi empreender e apresentar a esta rede de academias uma proposta para terceirizar o serviço de Clube de Corrida para uma empresa de Assessoria Esportiva criada por mim mesmo, e com isso também atender outras pessoas que não fossem alunos da academia. E assim surgiu a TIME!
A principal proposta da TIME é promover qualidade de vida e saúde para as pessoas. Quando falemos em Assessoria Esportiva, muitas pessoas possuem uma visão errada de que a empresa atende somente profissionais e pessoas que treinam muito e só vivem para isso. Mas essa está longe de ser a realidade. Para ser sincero, não trabalhamos com nenhum atleta de elite ou profissional, somente com pessoas comuns que buscam na corrida uma forma de praticar uma atividade física saudável e motivante. 

Ao juntar pessoas em grupos, acabam-se criando amizades. E ao melhorar nos treinos de corrida, acaba-se buscando participar de competições e melhorar sua performance pessoal. Porque não juntar ambos e conhecer lugares novos e interessantes?!?! E assim, surgiu e vem crescendo a cada dia o número de pessoas/grupos que se unem para participar de provas em outros estados e fora do Brasil. Com a TIME esta situação começou acontecendo com a Meia Maratona Internacional do Rio de Janeiro e aos poucos foram surgindo outras mais diferente. Já fomos com o grupo para a Disney, Nova York, Tiradentes (Minas Gerais), Deserto do Atacama (Chile), entre outros. Com relação a esta viagem para USHUAIA (fim do Mundo – Argentina), é necessário fazer uma preparação específica como dito pela Andréa. Ao longo dos meses, faremos treinos direcionados nos arredores de Brasília, por trilhas e terrenos que simulem as condições da prova no Ushuaia. Sempre fazemos esses treinos para provas especiais!
Este é o espírito da TIME, correr para melhorar a saúde, qualidade de vida e, se der, melhorar a performance. Fazer amizades e viver experiências agradáveis e diferentes a cada viagem! Quem ainda não nos conhece, está convidado. Acesse nosso site www.timeassessoria.com.br, e entre em contato conosco. Estamos te esperando para um treino experimental gratuito!”
Então...abrimos 2014 com mais esse desafio!
Filipe Aragão, 29 anos, Graduado em Educação Física na Universidade de Brasília (UnB), Pós-graduado em Fisiologia do Exercício Avançada pela Universidade Veiga de Almeida (UVA), e proprietário da TIME Assessoria Esportiva! Apesar da pouca idade, um profissional do mais alto gabarito e altamente respeitado na área em que atua. A idade é pouca, mas a capacidade que ele tem de realizar é de gente muiiiitttooo grande e um verdadeiro mestre.

25 outubro, 2012

quinta-feira, outubro 25, 2012

CHILE – Lagos Andinos e Santiago

Essa viagem foi um grande achado! Eu estava sem muitos recursos financeiros e me deparei com esse roteiro muito "em conta": BRASIL/BUENOS AIRES/BARILOCHE/LAGOS ANDINOS/SANTIAGO. Um roteiro pouco comercial, em que fui surpreendida durante 15 dias. Nunca imaginei encontrar tanta aventura, beleza e história aqui pertinho. Fui em pacote para os Lagos Andinos porque estava sozinha e fiz por conta própria a parte de Santiago. Mas tudo programado e reservado daqui do Brasil.
E como é diferente viajar sozinha pela Europa e pela América Latina! Na Europa é comum pessoas sozinhas em qualquer ambiente e em qualquer idade. Aqui tive algumas “olhadas questionadoras” das pessoas por onde ia (restaurante, vinícolas, etc), bem como no próprio grupo de latinos e brasileiros que conheci no pacote dos Lagos Andinos. Certamente que fiz boas e inesquecíveis amizades, mas eu era o único “ser” fazendo esse roteiro sozinho. E sempre tinha que responder a mesma pergunta: “Porque você está viajando sozinha?”.Isso não comprometeu em nada a viagem, pois além de desfrutar de um cenário encantador, que deve ser feito em qualquer situação (sozinho, casal, amigos, família), é uma escolha única para quem está de bem com a vida. E lá fui eu....
A chegada é por Buenos Aires para um curto espaço de tempo (se preferir pode esticar os dias em Buenos Aires). Para quem vai pela 1ª. vez, sugiro um city tour básico para conhecer a Casa Rosada, Catedral, Plaza de Mayo, Obelisco, Avenida Corrientes e 9 de Julho, bairros da Recoleta, La Boca e Caminito. Um pequeno espaço de tempo para a Rua Florida e as Galerias Pacífico. Um belo jantar com noite de tango e um maravilhoso café da tarde, no Café Tortoni (claro!). Injustiça resumir Buenos Aires assim, mas dedicarei outro post à altura da cidade. Prometo!!! 
Nem tudo é perfeito né? Pois então, ao chegar em Bariloche, descobri que o local era para casais em lua de mel e família em férias escolares (imaginem a minha situação!!!). O que me salvou mesmo foi saber que esse era o ponto de partida para os Lagos Andinos e aproveitar a neve pela 1ª. vez . Convenci-me que estava tudo normal, com ares de “Diva”. Aproveitei para comer de tudo e caminhar na cidade...afinal era a 1ª. vez que eu via neve! A sensação em conhecer a neve foi incendiária...à primeira vista senti o branco e o frio me queimando as vistas e o corpo. Aquela visão de que parece fofinho como algodão???? M-E-N-T-I-R-A . Totalmente branca e dura. Confortável de ver e desconfortável de sentir. Mas, na emoção, chorei, pois nunca pensei na vida em ver neve (clichê né?).
 
LAGOS ANDINOS....onde a viagem começou de verdade!
Então seguimos para os Lagos Andinos...cujo ponto de embarque era Bariloche, em Catamarã, pelo Lago Nahuel Huapi. Destino: Peulla, cruzando a Cordilheira dos Andes. A visão muda já na fronteira Argentina e Chile. Na Zona sul da Cordilheira do Andes conheci o “El Tronador”, um vulcão ainda ativo, que teve a ultima erupção há mais de 10.000 anos. Dizem que é baixíssima a probabilidade de entrar em atividade. 

A visão é assustadora e belíssima. Um misto de medo e prazer. Seguindo o percurso de Catamarã, vi uma natureza muito diferente e forte. Senti nos olhos o verde esmeralda das águas, o branco da neve e o azul quase celeste do céu, mistura exuberante de cores e sentimentos nunca dantes presenciados, mas de uma harmonia impressionante. Paramos em Peulla para um pernoite no Hotel Peulla, com estilo “ecoturismo”, e estrutura e serviços “impecáveis”. No dia seguinte, seguimos a rota cuja vedete desse trecho é Vulcão Osorno, considerado ativo e muito conhecido pela semelhança ao Monte Fuji (Japão). A cada instante, mais e mais impressionada com a rusticidade de Deus e a perfeição de sua obra. O Osorno tem uma neve constante em seu topo e a qualquer momento pode entrar em erupção, sendo a ultima registrada em 1869. Chegamos a Puerto Varas, uma cidade charmosa com arquitetura alemã, bastante turística e com restaurantes maravilhosos que “encerraram” maravilhosamente essa parte exótica e inusitada.









E fiquei pensando como traduzir e materializar essa beleza...tão sofisticada e simples de ser vista e difícil de ser sentida .... o verde esmeralda na água corrente reflete com uma intensidade que os olhos não acompanham. Não dá para sentir quente ou frio...é indefinido...o azul celeste do céu, bem poderia ser o azul do mar...no horizonte..quase impossível diferenciar....e o branco da neve, parece um abraço de Deus em tudo isso, um verdadeiro paraíso. Ah! Claro... El Tronador e Osorno...protegem e mantém o equilíbrio porque muitos acreditam que é onde o demônio descansa....deixo-os assim..por mais 10.000 anos...intocáveis....


O Chile e sua diversidade étnica...
Não sabia absolutamente nada do Chile, exceto sobra a fama dos vinhos. Quando cheguei à Santiago observei um povo “misturado”, com predominância do tipo “indígena”. Vi uma educação fantástica nas pessoas. Conheci um pouco de suas dores quando falam sobre o Golpe. Enfim... comecei a entender o Chile e sua história...forte e sangrenta....linda e cheia de riquezas....
Quando os espanhóis chegaram (sec. XV), encontraram um local povoado pelos Incase Mapuches. Mesmo confrontados pela maioria indígena, os espanhóis tiveram apoio de algumas facções das tribos, o que levou à Conquista Espanhola e escravização indígena para o trabalho de exploração de ouro e serviços domésticos. O ouro era o motivo maior de exploração do local, até se esgotar, quando então a economia ficou concentrada na mão de obra doméstica dos índios. Foi um processo natural o surgimento de uma camada mestiça que ascendeu às classes dominantes, formadas por filhos de homens espanhóis com mulheres indígenas. Com o tempo, esses mestiços queriam “branquizar” essas classes dominantes (que eles agora pertenciam) e no século XIX, o Chile passou a incentivar a vinda de imigrantes europeus com o objetivo de mesclar a população mais rica e branquizá-la. Então, formou-se uma elite “branca” de imigrantes, não necessariamente espanhola. E o povo com predominância indígena.
Em 1818 o Chile alcançou a independência. O que mais me marcou foi ver nas pessoas a memória dos 17 anos de ditadura militar (1973-1990), considerada uma das mais sangrentas do século XX na América Latina (o presidente eleito em 1970, Allende sofreu um golpe de estado pelo general Augusto Pinochet ). A história está impregnada nesse povo e a memória está viva. E aqui faço uma referência especial ao povo que vi no Chile : do motorista de taxi ao garçom do restaurante, todos sabiam falar sobre economia, política e história com uma coerência e patriotismo impressionantes. Povo culto, inteligente e sofrido que me ensinou como recomeçar e reconstruir, sem esquecer de seu passado. E estou falando de pessoas jovens! Estou me referindo à composição étnica da base da pirâmide, formada de índios. Quero afirmar que a educação no Chile fez e faz a diferença.
Alguns dias em Santiago.... 
Estive por conta própria, fazendo minha programação. Observei que os principais pontos turísticos estão bem próximos do Centro. Por isso fiquei hospedada no centro, no Hotel Majestic, porque assim eu poderia me locomover com mais facilidade (estando sozinha). Esse hotel é muito especial, pois, dentro dele tem um excelente restaurante de cozinha indiana. Fiquei cliente...jantei umas 3 noites lá.
Facilmente chega-se ao Palácio de La Moneda (sede do governo do Chile e do poder executivo) e pude ver o pátio. Bem perto dali fica a Plaza de Armas e tive a sorte de ver troca da Guarda. Caminhando encontrei o Mercado Central e fiquei cliente (fui almoçar lá uns 3 dias da estadia em Santiago). Uma infinidade de restaurantes com comida típica e muitos pescados. Aproveitei um dia bem “largo” para visitar calmamente o Museu Chileno de Arte Pré-Colombiana, que me pareceu ser bem completo sobre a cultura pré-colombiana. Tenho fascinação por essa cultura. Tirei um dia para visitar a vinícola Concha y Toro, muito conhecida no Brasil. Fundada em 1883, que eu além de vinhos extremamente sofisticados, tem um dos vinhos mais conhecidos aqui no Brasil, que é o Casillero del Diablo. Reservei outro dia para a vinícola Cousino Macul, que ainda hoje é administrada pela família fundadora (desde 1856). Por estar bem próxima da cidade, corre o risco de ser descontinuada por causa da poluição da cidade.
Subi o Cerro San Cristobal, um parque urbano de onde se tem a vista completa e cinzenta de Santiago. As compras de “regalos” foram um capítulo à parte. Em frente ao Cerro de Santa Lucía tem uma Feira de Artesanato maravilhosa e completa. Preços ótimos. O que mais se procura são os objetos e joias de lápis lázuli  (pedra azul encontrada no Chile e Afeganistão). Também visitei do Pueblito Los Dominicos que tem um artesanato bem variado e nesse local os artesãos se organizam como um ambiente de “povo do campo”, bem típico.
 
A antiga residência de Pablo Neruda, que hoje é um museu, fica em Isla Negra e é onde ele está enterrado. Conhecido e admirado mundialmente pelas obras, ainda tem sua memória muita viva nessa casa. Não sou uma conhecedora do poeta e escritor com a sensibilidade dos intelectuais, mas as horas que passei em sua casa, percebi que era um homem intenso, apaixonado, inconstante, incompreendido, insaciável, cheio de vida e de uma tristeza profunda (tudo ao mesmo tempo). Fui pesquisar mais sobre ele e li que Isabel Allende, em seu livro Paula, fala que Neruda teria morrido de "tristeza" ao ver dissolvido o governo de Allende. Já a versão do ditador Pinochet é a de que ele teria morrido devido a um câncer de próstata. Bom....isso não faz mais diferença...nem Nerudae nem Pinochet vivem....ambos passaram e suas histórias ficaram. Então....além de toda essa história belíssima, fui seduzida pelas livrarias de Santiago. Foram as melhores compras que fiz. Apesar do peso na mala, pude ter acesso a títulos em espanhol, mais que especiais, como por exemplo, o livro deGabriel Garcia Marquez   Memóriasde Mis Putas Tristes. Além disso, tem (a polêmica) Isabel Allende que me encanta profundamente e com ela aprendi a ler muito bem em espanhol. De uma sensibilidade e simplicidade. Uma novelista de primeira. Assim fiz esse tour...umas das muitas viagens que fiz sozinha. Descobri um inverno rigoroso, vi a neve pela 1ª. vez, vulcões adormecidos e águas de cor esmeralda. Apreciei vinhos e gastronomia. Perdi-me em Santiago e me encontrei nas grandes livrarias. Tive muitos dias que fiquei sozinha,  mas nenhum dia de solidão... Encantei-me com a história e a garra desse povo....voltei transbordando de vontade de explorar “outros mundos”....esse roteiro me trouxe coragem e me deu poesia para todos os outros dias do resto de minha vida.
 

Andrea Pires

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