Chegar ao Fim do Mundo é especial. Decidir ir ao Fim do Mundo é ousado. Eu, particularmente, precisei de um motivo forte para encarar essa aventura e tenho que confessar: foi uma das experiências mais intensas que tive. Quanta diferença entre o calor da África e o frio da Patagônia...ir aos extremos em alguns momentos da vida é também uma necessidade (em qualquer aspecto). Então, fui à Patagônia! E que lugar exuberante situado no final de tudo, no extremo da América do Sul, parte do Chile e da Argentina. Sabe aquela língua quase lambendo a Antártica? É lá mesmo! Aqui o ser humano tem certeza da sua insignificância diante de uma imensidão quase inóspita (pelo menos aparentemente). A posição ideal é ajoelhar, pois é como se estivéssemos entrando na casa de Deus, pela porta da frente! Para entender essa região é importante ter uma noção sobre a história de povos indígenas que a habitavam e porque atraía tanta gente numa época tão improvável. As questões vinculadas à Patagônia e sua exploração/colonização refletiram no sul do nosso país, cuja história é tão pouco conhecida. Quase não lembramos que somos parte da América Latina, pois nossa história é bem diferente dos nossos vizinhos que tiveram uma colonização exterminadora. E então conhecemos o Edivan, um gaúcho corredor, amante de história e que, para nossa agradável surpresa, deu-nos uma contextualização impressionante sobre as incursões Argentinas e Europeias, cujas conversas giravam em torno das nossas diferenças e sempre regada a um bom vinho que nos levava a uma viagem no tempo e na geografia...e ele escreveu para nós....
Os conflitos indígenas por Edivan Ferreira
“Ano de 1874 quando Nicolás Avellaneda assume a presidência da
Argentina e começa uma gestão na busca do desenvolvimento econômico a partir de incursões para a tomada de terras. Essa época ficou marcada pelas “Campanhas do
Argentina e começa uma gestão na busca do desenvolvimento econômico a partir de incursões para a tomada de terras. Essa época ficou marcada pelas “Campanhas do
Onde ficar e o que fazer ?
O Hotel Costa Ushuaia é bem adequado para quem quer contato direto com a natureza. Fica a 10 minutos do centro da cidade (de carro) e de frente para a baía. É muito agradável percorrer as proximidades e se perder na imensidão do céu azul e do frio cortante. O Museu do Fim do Mundo é uma parada providencial, dedicado aos povos indígenas, a natureza, a história local e aos naufrágios ocorridos nas proximidades da cidade. A cidade também oferece lugares muito agradáveis e de uma rica gastronomia. A tarde se perde e faz-se necessário perambular pela San Martin, experimentar a torta de maçã do Andino ou experimentar uma das receitas de café e chocolate exóticas do Isla de Chocolat. Para passar o tempo admirando e conhecendo mais a história, El Almacén de Ramos Generales quase de frente para o Porto.
Comer é uma diversão garantida e a pedida certa é a centolla (um caranguejo típico da região) que tivemos o prazer de experimentar no El Gustino e no Vilaggio e para prestigiar a cozinha chilena, tem que ir no Chiko ...tudo isso regado ao vinho do Fim do Mundo que já era parte desses pequenos prazeres.
Comer é uma diversão garantida e a pedida certa é a centolla (um caranguejo típico da região) que tivemos o prazer de experimentar no El Gustino e no Vilaggio e para prestigiar a cozinha chilena, tem que ir no Chiko ...tudo isso regado ao vinho do Fim do Mundo que já era parte desses pequenos prazeres.
Canal de Beagle
Aventura em 4x4
Então, deixando um pouco de história e passeios, vamos ao motivo da viagem.... a corrida no Parque Nacional da Terra do Fogo!!!!
E quando pensei que a experiência da corrida tinha acabado..eis que...
No meio do caminho, tinha com casamento...
A cordilheira ao fundo, um frio desesperador e uma garrafa de Chandon. A noiva estava chegando.... Ela cruzou a linha de chegada depois de 42km. O que rolava de boca em boca? Eles se conhecem e estão juntos há 12 anos. Eles queriam casar. Eles correm juntos e ele preparou a surpresa para ela. Ela não sabia. Simples assim. Ela chegou e foi surpreendida com o padre e o noivo esperando-a. O que vi? Que parecia ser um sonho para ela se unir a ele. Mais do que um vestido, mais do que uma festa, mais do que tudo que uma noiva sonha para esse dia, era evidente que eles eram um só e que a união era para selar esse COMPANHEIRISMO imenso. Correm juntos, se conhecem a ponto dele programar uma surpresa dessas sem ter medo dela não gostar e saíram de lá juntos, suados, com frio e abraçados.
Quanta cumplicidade num dia só! Plagiei Carlos Drummond de Andrade sem vergonha alguma...e no meio do caminho tinha um casamento...no meio do meu caminho tinha um casamento....e no Fim do Mundo..tinha um casamento...
No meio do caminho
No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.
E Ushuaia foi assim, muito de tudo: muitos encontros, muito prazer, dor de tudo quanto é lado, amigos, corrida, beleza, história e muito vinho do Fim do Mundo. Valeu cada pedaço dessa terra e meu respeito e admiração eternos a uma história tão perdida. E dedico este post ao grupo de apaixonados pela corrida que esteve junto na maior parte do tempo e que mesmo sem se conhecer anteriormente, transformou uma experiência numa das memórias mais intensas que cataloguei para minha velhice. Ojalá um dia eu seja tão apaixonada como eles pela corrida e supere a preguiça dos 10 kms : Neslita, Danniely, Jackson e Eliana, Eduardo e Lia, Fernanda, Alessandra, Angélica, Campoi e Mildred, Filipe, Luciano e Gustavo, nosso novo amigo gaúcho, Edivan. E como disse a admirável Mildred: “entre amigos no Fim do Mundo”.
Créditos: algumas fotos publicadas no blog foram gentilmente cedidas/compartilhadas pelo grupo que estava na viagem.