Mostrando postagens com marcador Lorca. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Lorca. Mostrar todas as postagens

01 julho, 2012

domingo, julho 01, 2012

ANDALUZIA - A Granada que Carlos e Sandra conheceram....

O motivo maior que nos levou até Granada foi o monumento de Alhambra...arquitetura e história fascinantes num dos lugares mais mágicos do mundo, quero crer. Então escolhemos ficar DENTRO do monumento e isto foi possível por que tem um hotel pequeno e aconchegante chamado “Hotel América dentro das muralhas de Alhambra , romântico e muito bonito. Da janela de nosso quarto se avistava toda a cidade lá embaixo. Ficamos nos arredores e desfrutamos da floresta e dos caminhos que serpenteiam a montanha e as incríveis muralhas. Escolhemos desfrutar dessa atmosfera mágica, onde o barulho das águas dos milenares canais e fontes, engenhosamente trazidos de longe, nos seguiam por onde passávamos. Os antigos e nobres habitantes desta cidade fortificada transformaram o topo de uma montanha em um verdadeiro paraíso. Os palácios são de uma beleza indescritível e nos mostram como devem ter sido os tempos califares.  As idas e vindas à cidade são um convite ao deleite. Nas manhãs e tardes, quando ao término da descida, adentra-se nas ruas encantadoras de Granada. Muito Jamón , vinho batatas enormes e recheadas fizeram nosso tour gastronômico. À noite vale muito um passeio à pé, descendo as bem iluminadas ladeiras de Alhambra e indo direção ao Albaicín (Bairro antigo e tradicional refugio dos povos ciganos) podemos contemplar em todos os lugares a majestosa visão de Alhambra que com sua iluminação impressionante mais parece um palácio de ouro a reluzir por toda a cidade. No Albaicin pode-se tomar uma taça de vinho e assistir a um show de flamenco numa cueva como a de “Los tarantos” . Imperdível também o Bairro de Sacromonte , mas o mais lindo de tudo e que tornou nossa ida a Granada inesquecível,  foram as muralhas, as construções da Alhambra e o doce barulho de água corrente e das fontes que ficarão para sempre em nossos corações.  A importância desta viagem se deve ao caráter histórico da cidade com sua memória tão rica e tão bem preservada. Para melhor compreender o que encontramos, relembramos de um fragmento da história local dando conta da conquista do reino de Granada pelos reis católicos, Isabel e Fernando. Eles expulsaram o rei Boabdil, o qual ficou muito triste por ter perdido o que chamava “paraíso terrestre”. 

Diz a lenda que o monarca teria chorado diante de sua mãe enquanto se afastava de Granada e que esta lhe teria dito: “...Chora como uma mulher, o que não soubestes defender como um homem.”


No caminho até a encosta granadina existe um ponto chamado “El suspiro Del Moro” (o suspiro do Mouro ) nome que se retirou da lenda, já que nesse ponto se pode observar toda a cidade e a Alhambra, onde se supõe que o monarca Boabdil parou para admirar o seu reino perdido, não podendo evitar o pranto...

Carlos Borges tem 53 anos, é arquiteto, artista plástico, musicista e amante da cultura espanhola especialmente da dança flamenca. Casado com a Sandra Marques, 54 anos, funcionária da Câmara dos Deputados , chef e gourmet, procura os sabores dos lugares por onde passa experimentando de tudo, além de amante das artes e da história...ambos descobriram a Espanha e também se apaixonaram pela história.







domingo, julho 01, 2012

ANDALUZIA - A Granada que Patricia Vieira conheceu....












“...Na última viagem, agora em 2012, teve um sabor especial. Me concentrei em quatro cidades: Sevilha, Granada, Córdoba e Jerez. Fomos meu esposo e eu, celebrar nossos dez anos de casamento. Foram dias lindos. Em Sevilha, destaco o Museu de Belas Artes, a torre da Giralda na magnífica Catedral e o deslumbrante Alcázar, que deve ser visto antes da Alhambra para não perder o encanto. Todo o aspecto de califado de Sevilha é intensificado em Granada, que é uma cidade apaixonante com seu bairro árabe, com seu bairro gitano, com “su gente buena”, com boa comida e com todas as reminiscências do Federico García Lorca. Quantos suspiros deixei ali pela casa de campo da família Lorca Quanta arte esse homem tão jovem produziu! A experiência da Alhambraé fundamental e ler sobre os califas é desejável para entender quão emblemática é aquela fortaleza que tem como pano de fundo a Sierra Nevada. Inesquecível também foi a noite no Chien Andalou”, bar, tablado flamenco. Não dá pra perder....”

Patrícia Vieira, linguista, 36 anos, casada há 10 anos com Sérgio Ricardo, cantor lírico, 37 anos, mora em Brasília e é mãe de gêmeas!   É autora do blog Janelas Andaluzas que inspirou muitas pessoas, particularmente a mim!
domingo, julho 01, 2012

ANDALUZIA – A Granada que Giovana Teles conheceu….

 Chegar a Granada no fim da tarde é um grande presente. O melhor é ir direto para a Carrera del Darro e observar a Alhambra: grandiosa, encantadora que vai se “transformando” com o cair do sol e ganha outros ares e cores à noite. É deslumbrante acompanhar esse rito de passagem das calçadas dos vários bares dessa área da cidade, que dá acesso ao Sacromonte e ao Albaicín. Há passeios guiados à noite por esses dois “bairros” que se complementam. Uma parada obrigatória é o Mirador de San Nicolás, de onde se vê a Sierra Nevada, e todo o Generalifee a Alhambra. O encantamento continua subindo o Albaicin, em alguma das cuevas com espetáculos de flamenco. Sim, são shows montados para os turistas, em várias salas, vários horários. Mas mesmo assim vale a pena, pelo lugar, pela atmosfera mágica da noite de Granada. Fui à zambra gitana da cueva Los Tarantos.
Dia seguinte separado para a visita à Alhambra, uma joia da arquitetura árabe, erguida pelos sultões Nazaritas já no último período da dominação muçulmana. A cada palácio, fonte, jardim – cada um com suas histórias e mistérios - aumenta a certeza de que se vai voltar à cidade um dia. Para aliviar o cansaço e renovar as energias, um banho árabe, em seguida. A rede Hammans de Al Andalus, tem um banho árabe junto da Carrera del Darro. São piscinas quente, morna e fria e você pode optar por massagens também. Perfeito!

Depois, na Plaza Nueva, montaditos de jamón Pata Negra com um vinho de Rioja. Vem a noite outra vez e mais flamenco. Mas dessa vez, em casas que os próprios granadinos frequentam: como o Le Chien Andalou. É preciso comprar os ingressos cedo porque o lugar é pequeno e enche muito rápido. Pelo Chien passam muitos artistas da cidade e os que estão a passeio ou dando cursos. Encontramos nesse bar flamenco, por acaso, ninguém menos que o bailaor Joaquin Grilo.


De dia, outra visita inesquecível é ao Museu da mulher Cigana e às cuevas que reproduzem como os ciganos moravam nessas casas escavadas na rocha. Essas casas, morada dos mais pobres, ficam aquecidas no frio e amenizam o calor no verão. O museu mostra também as principais atividades dos ciganos – a fabricação de cestarias, de utensílios de cobre e de ferro. Pertinho disso, também no Sacromonte, outro museu: a casa cueva de Curro del Albaicin, um cantaor, poeta, muito ligado à arte flamenca em Granada. O salão está cheio de fotografias de artistas das mais nobre dinastias dessa arte.

Como eu e minha amiga Magda Patrícia de Castro identificamos vários deles, acho que passamos no teste, e Curro ainda improvisou uma zambra exclusiva pra gente – flamenco puro en la sangre!  Também é assim nas apresentações em outra cueva em que professores das escolas de flamenco da cidade costumam se apresentar - a Venta El Gallo, que tem na parede principal a foto do escritor, poeta, músico que, para mim, se confunde com a cidade: Federico García Lorca.

Para ficar mais perto da obra e da história de Lorca é preciso seguir para o outro lado da cidade. No parque Federico Garcia Lorca está a Huerta de San Vicente, a casa de campo onde a família passava o verão e que serviu de abrigo a Lorca antes de ser assassinado pela ditadura de Franco.

Na casa museu, só se entra com guia e em horários determinados. Ali estão textos manuscritos, desenhos, objetos pessoais, o quarto ... e o piano em que Lorca tocou e gravou várias canções populares com La Argentinita. Entrar nesse universo, conhecer a letra, as cores escolhidas pelo próprio Lorca para suas obras é um privilégio sem tamanho. É como se pudéssemos voltar às décadas de 20 e 30 ... a casa simples, rodeada de verde,  onde um dos maiores poetas de todos os tempos buscava inspiração ... entre os manuscritos, cartas aos amigos geniais como ele: Salvador Dali, Luís Buñuel, Manuel de Falla. A vontade é de ficar horas observando e absorvendo cada detalhe. A guia nos dá a chance de voltar a um cômodo antes de sairmos. Voltei para a sala de piano, lembrei da Nana de Sevilla gravada pelos dois. Saí e chorei por saber que, de alguma forma, tinha vivido ali momentos de muitas histórias que pareciam distantes e naquele instante eram tão reais.  Sentimentos iguaizinhos aos da Canción del dia que se va ...
“Que trabajo me cuesta
Dejarte marchar, dia!
Te vas lleno de mi,
Vuelves sin conocerme
Que trabajo me cuesta
Dejar sobre tu pecho
Posibles realidades
De imposibles minutos.”
(Federico Garcia Lorca)

Giovana teles é jornalista, completamente apaixonada pelo flamenco e tem certeza que Andaluzia é a sua casa espiritual

Andrea Pires

Tags