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15 abril, 2013

segunda-feira, abril 15, 2013

PORTO ALEGRE – RS – Para onde os ventos flamencos levam...

Fossem ciganos a levantar poeira
A misturar nas patas
Terras de outras terras, ares de outras matas
Eu, bandoleiro, no meu cavalo alado
Na mão direita o fado
Jogando sementes nos campos da mente
E se falasses magia, sonho e fantasia
E se falasses encanto, quebranto e condão
Não te enganarias, não te enganarias
Não te enganarias, não!
Feitiço, transe, viagem, alucinação
Ney Matogrosso
Entrei no tablado, olhos profundos, sorriso largo, Juan parecia estar em casa. Os ciganos estão em casa quando são livres e podem ser o que realmente são. A primeira coisa que me veio a cabeça foi a musica do Ney Matogrosso...porque eu o vi assim... Fossem ciganos a levantar poeira, a misturar nas patas, terras de outras terras, ares de outras matas..... na mão direita o fado,  jogando sementes nos campos da mente..... e é assim que começa essa viagem.... feitiço, transe, viagem, alucinação....
O destino teve como pano de fundo, Porto Alegre – RS.... era uma vez...pessoas apaixonadas pela arte flamenca....no Brasil.....
A proposta era fazer um Workshop de Flamenco com o grande bailaor Juan Manuel Fernández Montoya – Farruquito. Programação intensa de 4 dias que foi decidida com 1 mês de antecedência. Seguimos para Porto Alegre.  A rotina era simples: 2 horas de aula com o maestro Farruquito e ver seu show Abolengo. Simplificamos tudo e ficamos num hotel no centro da cidade perto do local das aulas e do Centro Histórico. O hotel POA Residence é espartano e recomendo com muita segurança pela localização, atendimento e limpeza. Nas horas vagas tivemos a chance de conhecer locais que remetem a uma colonização muito diferente do centro e nordeste do país. Inclusive (creio eu) que pela proximidade com Argentina, a arte flamenca tem muitos adeptos, sendo Porto Alegre uma referência de escola e artistas flamencos. Isso sem deixar de citar a acolhida, educação e simpatia do povo Gaúcho.
 
 
 
 
 
 
  
 
 
Que encanto! Em 3 dias conhecemos o Centro histórico, a Praça da Matriz, passamos pela Catedral e fomos ao Teatro São Pedro, tudo isso numa tacada só. No dia seguinte fomos caminhar no Parque Farroupilha e nos deparamos com uma infinidade de atrações da natureza, com árvores centenárias e nativas. Um espaço aberto (esse parque não é cercado!) e um exemplo de conservação e beleza, desde 1935. No 3º. Dia, seguimos para o Mercado Público que fica num prédio de estilo neoclássico (1869). O Mercado oferece de tudo e a vontade é de sentar num dos restaurantes e ficar observando o vai e vem frenético das pessoas.
Seguimos para a Casa de Cultura Mario Quintana que fica no prédio do antigo Hotel Magestic que me pareceu ter sido super badalado na época (1910 a 1933). A parada merecida no 7º. andar para um almoço ou café é reconfortante. O Café Santo de Casa parece um abraço de Quintana. E para complementar, descobrimos Bauru e a Pizza de panela do Pedrini, desde 1960. Turismo rápido, de altíssima qualidade e engrandecedor!!!! Tempo suficiente para nos apaixonar pela cidade.
 
 
A desbravadora....Andressa Porto
 
Esse evento (Woskshop e Show) foi encampado pela Andressa Porto...gente ...essa garota vai longe. Ela “simplesmente”, saltou no escuro debutando com uma produção desse porte. Que organização e simplicidade. Ela agitava tudo em parceria com o Tablado Andaluz  e apoio dos simpatizantes de flamenco da região. Conseguiu não só mobilizar o povo local, mas pessoas de São Paulo e Brasília...imagina a força dessa garota. Ela fez com que tanto a equipe de produção do Farruquito quanto os participantes estivessem à vontade e com vontade! Me impressionou ela levar o show Abolengo para o melhor teatro de Porto Alegre - Bourbon Country e lotar a casa num domingo à noite. Andressa, incansavelmente, estava todos os dias nas entrevistas, nas aulas e nas noites do tablado. Lindíssima, mostrou que não existe impossível, ela me seduziu com sua coragem desbravadora, a despeito da experiência conquistada em tempo real. Andressa não só foi onde o flamenco leva, como trouxe a magia do flamenco para muitos que não conhecem.  Se ela tem origem cigana? Não sei, mas sua alma não nega....conquistou respeito e admiração de todos. Ela realizou um sonho. 
 
O Tablado Andaluz e a espirituosidade flamenca de Andréa, Robinson e Pedro
 
Andréa Franco, Robinson Gambarra e Pedro Fernández não são desse mundo! Eles são a base e a crença de que um sonho é factível. Todos são flamencos de alma, coração e vida. Administram o Tablado Andaluz, não só como um negócio, mas como suas próprias vidas...leveza, alegria e paixão....Há mais de 20 anos eles trouxeram os ventos flamencos para nós...um pedaço de Andaluzia no Brasil. Quando entrei no Tablado pela primeira vez, senti que era uma outra dimensão e que é mais que possível criar mundos  reais a partir de sonhos e paixão. O local foi Inspirado nos antigos Tablados da Andaluzia, que foram fundamentais para a sobrevivência e surgimento da Arte Flamenca.  Passando por aquela portinha estreita, entramos num mundo que só quem foi a Andaluzia entende. 
Ambiente rustico e real, gastronomia surpreendente e shows de flamenco. Além das aulas serem lá, no finalzinho da tarde, várias pessoas se revezam na organização da “fiesta” da noite. E quando a noite chega, Andréa (que também estava nas aulas com o maestro), segue para o restaurante, à vista dos clientes que se deliciam com as sangrias, e prepara a Paella que tanto encanta. Clientes esses que muitas vezes vão ao local para experimentar uma gastronomia típica e saem de lá transformados como se tivessem viajado para Andaluzia E não acaba aí....Pedro e convidados fazem shows de flamenco para os clientes e tudo acaba com uma buleria  fantástica....impossível não amar essa experiência. E antes das aulas, Farruquitoe equipe estiveram despojadamente assistindo TV no meio do salão, com as cadeiras em cima das mesas ainda e em algum canto, Román (o grande guitarrista) dedilha sua guitarra....e a vida segue....cada conversa...uma vontade imensa de aprender mais e mais....e Andréa e Pedro abrem as portas arando esse solo que anseia por flamenco. O grande presente da noite de sábado, ao final da apresentação de Pedro e convidados que finalizavam com a buleria e inesperadamente Farruquito e equipe sobem ao tablado e nos encanta com sua participação elegante e jocosa (como tem que ser a buleria), original e de raiz. E, buleria, minha gente, é festa de família...daí a certeza de que ele realmente sentia-se em casa...e todos que assistiam se emocionaram e sentiram-se prestigiados pela “cumplicidade” de Farruquito.  
 

Eu e Giovana Teles...levadas pelos ventos flamencos
O que a gente estava fazendo lá? Não sei!


A participação em massa era de professores de flamenco que tem suas escolas próprias ou de alunos locais...mas sair de Brasília para Porto Alegre por mera Paixão por 4 dias? Bom...até agora não consegui explicar nem para mim mesma...só sei explicar que os ventos flamencos estão me levando cada dia para mais longe daqui e mais perto de mim....
A Giovana ainda conseguiu programar uma matéria para GloboNews com o maestro Farruquito.  Que garota de aire...a aprendiz entrevistando o maestro e ela sabia tanto quanto ele...e ele ficou encantado...e os bastidores dessa entrevista foi uma experiência de “novos amigos” : a equipe (supersimpática da RBS) estava tendo o 1º. contato com essa arte e todos se envolveram com a simplicidade e cumplicidade de Farruquito e Román Vincenti(o grande guitarrista) ...Giovana Teles, essa moça,  tem aire flamenco, glamour profissional e inteligência incomparáveis , sabendo claramente o que quer e como quer... e está determinada a disseminar essa arte ainda desconhecida no Brasil. Na entrevista,  Giovana aborda se ele acredita que  el duende” (estado de torpor e transe que alguns vivenciam quando cantam ou bailam flamenco) realmente existe...e a resposta dele foi simples e direta....“El duende” (se existe) te encontra e não é você que encontra ele. Quando se está preparado, ele aparece. Hay que bailar com el corazón y alma. E numa tarde nos apaixonamos por Juan e sua história!

E os ventos flamencos trouxe Juan Manuel Fernández Montoya – Farruquito
Juan (Farruquito), é filho do cantaor Juan Fernández Flores, El Moreno e da bailaora Rosario Montoya Manzano, la Farruca . Ele é neto de uma lenda da história flamenca: Farruco que deixou o legado da disciplina e da técnica e que levou a arte flamenca para o mundo com suas inovações e passos únicos. A família Farrucos tem 3 gerações que representam os ciganos e sua história. Farruquito e seus irmãos Farru  e Carpeta são uma herança legitima de flamenco gitano. Toda sua história é escrita pelas mãos da arte flamenca mais pura. Ele começou no mundo internacional aos 5 anos na Broadway no espetáculo Flamenco Puro, com sua família e com os mais nobres e legendários do Flamenco. No filme de Carlos Saura – Flamenco (1995), apresenta junto com seu avô – Farruco uma belíssima e emocionante Soleá. E em outro filme do mesmo Saura – Flamenco, Flamenco (2009)  – ele emociona com um sapateado maravilhoso que seguramente estava a bailar imaginariamente com seu avô (que já havia falecido nessa época), pois a emoção que as câmeras conseguem passar, mostram uma reverência e uma gratidão em ser cigano e neto de Farruco  Então foi assim, quando vi aqueles olhos, entendi seu baile. Tudo em Farruquito tem paixão, tem a passionalidade gitana, tem suor e tem leveza, tem rusticidade e elegância, tem sedução e tem um ar paterno de quem tem sempre algo a explicar sobre o baile e seu avô...Farruco. 
 
A escola funciona no mesmo local do restaurante (Tablado Flamenco) e é uma referência nacional de escola da arte flamenca. O talento e a simpatia de Pedro e suas aulas formam e educam para quem quer vivenciar essa arte. E ele dança e canta! E foi nesse local que tive as aulas com Farruquito. Vi de perto e senti a emoção de seus olhos e seus movimentos. Indescritível observar cada centímetro de seu corpo bailando flamenco e ele faz como se estivesse num tablado, não somente os movimentos corporais, mas o que chama muita a atenção, como ele baila com os olhos. Ele tem um gesto próprio de “levar a mão direita ao coração” em movimentos curtos, simulando o bater do coração...ele dança com a alma....e quando termina uma sequencia de passos eletrizantes...é como se estivesse agradecendo a explosão. Finaliza com uma elegância sutil e própria, estendendo os braços ao alto como se quisesse abraçar o mundo...uma devoção e adoração pelo avô que é reverenciado a cada momento, seja com uma história engraçada, seja com o baile de seus netos, que que nos mostra a moral e ética do patriarca e seu legado de luta e originalidade flamenco cigano.
E como não se lembrar da participação de Román Vincenti nas aulas, que embalava as sequencias com os rasgueios de sua guitarra e suas risadas e graça com Farruquito?  Uma sintonia e intimidades com uma graça, típicas dos ciganos. E Jesus Lumbreras, o grande protetor que se colocava de longe a observar, mas se fazia presente e sempre “listo” com sua simpatia e grande conhecimento da musica brasileira. Juan não só nos deixou apaixonado pelo seu baile e sua história, como nos encantou com sua equipe. Ele é a prova de que pessoas boas atraem pessoas melhores ainda. Gracias Jesus, gracias Román... E finalmente...estávamos nós felizes, emocionadas e com os pés destruídos (ou vejo asas brotando?)...e com a certeza que se houvesse a chance...seguiríamos essa caravana para qualquer canto do mundo.
 
A despedida...
Abolengo...significado  de abuelo, ascendência de abuelos o antepassados, ascendência ilustre...
E Abolengo, um show que homenageia seus antepassados, surpreende com a participação da grande Karime Amaya, neta de Carmen Amaya. A cada instante do show, um suspiro de saudade... ela com seu bailado pessoal, como se estivesse num transe e dançando para seus antepassados, e ele numa felicidade ímpar, explodindo para a plateia suas crenças e sua paixão. Diferentes e sobreviventes. E naquela noite Farruco e Carmen Amaya estavam lá e reuniram um povo para lembrar sua história. Tive um sopro de percepção de que Abolengo foi concebido para isso, proporcionar instantes de lembranças.... e se existe esse povo foi separado, ele encontrou em Porto Alegre.....naquele instante...e no final de tudo isso.....senti um significado para a  musica de Ney Matogrosso que desde criança me fascina... Fossem ciganos a levantar poeira, a misturar nas patas, terras de outras terras, ares de outras matas. ......jogando sementes nos campos da mente... e foi assim que fiz mais essa viagem....e dessa vez, não estava sozinha....estava entre os meus....entre los abuelos!
 

 

31 março, 2013

domingo, março 31, 2013

Rio de Janeiro - RJ – para os amantes da história... Circuito da celebração da herança africana

Morro da Conceição e arredores – Praça Mauá, Saúde e Gamboa
Desafio enorme trazer para o blog um roteiro sobre o Rio de Janeiro, minha cidade Natal. Eu não o conheço com legitimidade para falar. Por isso, convidei minha prima irmã que vive o Rio de verdade e que tem uma paixão avassaladora por história e pela história do Brasil. Então, mantendo meus princípios de “realidade” e “possibilidades” com o blog, faço questão de mostrar o Rio de Janeiro mais que encantador, que ainda vou conhecer, mas que não tem a visibilidade merecida. Será que as pessoas sabem que o Império e seu legado estão na zona norte do Rio de Janeiro? E não estou falando de turismo de gringo em favela pacificada, estou falando da história da Família Real no Brasil, onde tudo começou. É lá, em São Cristóvão e arredores que está a “jóia” da coroa quando se fala da história do Brasil, porque era lá que a vida seguia com suas agruras, culturas mescladas e a formação da nossa sociedade. Esse roteiro é para quem gosta de “viajar”(em todos os sentidos!). Conhecer com quem é de lá, tem um gosto especial: beber na fonte com taça de cristal! Esse tour (de 1 dia) pode ser acoplado a qualquer tempo que você esteja no Rio. Além das maravilhas que já conhecemos e das praias badaladas, fazer esse tour pode ser um encontro com nossas raízes mais distantes...então...boa viagem com Márcia Almeida....
 
“Trabalhei, por muitos anos, no centro da cidade do Rio de Janeiro. Da janela da minha sala, tinha uma visão dos morros da Providência e da Conceição. Já havia visitado o Morro da Providênciae nem sabia o nome do morro que ficava bem na frente do prédio (era o Morro da Conceição). Da janela, sempre via uma espécie de sobrado no alto, cercado por mato e muita sujeira, além de um pedaço de um observatório, no cume. Descobri que na altura desse sobrado, com muros em pedra e uma escadaria enorme, eram feitas as vendas no mercado escravo. Aquelas casas em ruínas e abandonadas, haviam sido um centro comercial de vidas humanas. Soube também que o mar chegava bem perto dali. Era um cais onde ancoravam os navios negreiros e de cargas. Após alguns anos, descobri várias histórias sobre o Morro da Conceição e a que mais me alegrou foi saber que não se tratava de um morro comum, como as chamadas favelas. Sim, lá as ruas são de paralelepípedos e as moradias são pequenos sobrados da época colonial do Brasil. Esse morro é um dos quatro onde se iniciou a colonização da cidade do Rio de Janeiro. Por estarem localizados estrategicamente em pontos que auxiliavam a defesa contra invasores, os Morros do Castelo (onde realmente se iniciou a ocupação da cidade), de Santo Antônio, de São Bento e da Conceição, eram os lugares mais seguros para que a população se alojasse. Área nobre nos séculos XVII e XVIII, o Morro da Conceição teve sua ocupação ligada a ordens religiosas e militares. Sempre fui muito interessada pelas histórias passadas. Comecei nas Grandes Guerras Mundiais, com afã de saber o que se passava na cabeça dos moradores das redondezas dos campos de concentração. Depois meu interesse se voltou para a vida dos escravos negros no Brasil e no mundo. Precisava saber como eram capturados, como sobreviviam ao transporte subumano e como era sua “adaptação” ao trabalho escravo. Com a escolha do Rio para sediar a Olimpíada 2016, começaram as mudanças. Uma delas foi a revitalização da zona portuária, começando pela Praça Mauá e pelo Morro da Conceição. Foi aí que uma porta se abriu para mim.
 
A descoberta do roteiro

Pelo Facebook, indicado por uma amiga/sobrinha (Rosane Nunes), soube de um guia que estava realizando um passeio guiado pelo Morro da Conceição. Convidei minha irmã Regina e fomos ao encontro do César Matos 
(roteirodoporto.blogspot.com/
celular21-6841 3932),
morador do morro e guia registrado. Antes de começar o roteiro, ele se apresentou e nos ofertou uma medalhinha de Nossa Senhora da Conceição, um mimo, que apesar de não ser católica, manterei guardada para sempre.  O circuito começa nas escadas que dão acesso ao morro, na Travessa do Liceu. É aqui que fica o Atelier Gaia - Casa de técnicas e Artes que além dos trabalhos expostos, possui cursos de fotografia e restauro, assim como o  Imaculada - Bar e Galeria, onde se pode saborear delícias, curtir música ao vivo e exposições (onde terminamos a noite, ao som da Roda de Samba do Sant'Anna. Subindo a Ladeira João Homem, nos deparamos com os sobrados, mesmo com alguns bem alterados em sua arquitetura, mas de beleza, simplicidade e encanto... Ali me dei conta de uma das mais belas vistas, onde pude observar, o interessante e belíssimo contraste, entre o atual e o antigo na arquitetura da cidade.  Alguns desses sobrados são ateliês, como o Atelier Paulo Dallier, um dos mais belos e emocionantes trabalhos que vi. Além da atenção e espontaneidade desse artista plástico, nos permite o livre acesso ao atelier que também é sua residência. Destaque para belo visual da Baía de Guanabara e arredores da Praça Mauá em seu terraço. Chegando ao topo do morro, encontramos a Praça Major Valô (ou Praça da Conceição) que é na verdade, um largo. No centro a figura imponente da imagem de Nossa Senhora da Conceição, padroeira do lugar. É nesse largo que fica a abandonada e antiga residência, do rico mercador de escravos, João Homem.
 
 
A história do Morro da Conceição e suas peculiaridades
Antes construída no Morro de São Bento, após a doação da área aos Monges Beneditinos, a ermida dedicada à N. Sra. da Conceição, padroeira de Portugal, é transferida para o morro em frente em 1634, que passa a se chamar Morro da Conceição. Poucos anos depois a ermida e respectiva chácara, de propriedade de um português, são doadas à Ordem do Carmo. Alguns anos depois passa a ser a moradia do bispo D. Francisco de São Jerônimo (cujo corpo foi sepultado no interior da Capela do Palácio), de onde surge o Palácio Episcopal da Conceição.  O edifício foi utilizado como residência até a transferência da sede para outro local No início do século XVIII, após nova invasão francesa, debelada pelas forças de Portugal é iniciada uma “muralha” destinada à defesa da cidade pelo lado de terra. É construída a Fortaleza de Nossa Senhora da Conceição, devido à necessidade de instalar canhões em um local alto o suficiente para varrer com a sua artilharia o trecho da orla marítima que se estendia do Valongo (hoje Av. Barão de Tefé) à Praça Mauá. Essa fortaleza, construída nos fundos do terreno da ermida, descaracteriza a construção anterior. Em 1718, por ordem real, calaram seus canhões para não perturbar os religiosos vizinhos. Ficando dessa forma, conhecida como a única fortaleza, que nunca disparou um tiro de canhão. O “Portão de Armas”, ainda localizado no mesmo local, desde 1718, encontra-se em perfeito estado de conservação. Há ainda necessidade de falar da alta muralha de pedra, com quatro ângulos fortificados e um baluarte em cada ponta. Enquanto caminhávamos dentro da fortaleza, conhecemos um pouco da época religiosa da construção e da sua utilização como área militar. Duas características tão diferentes e distantes, situadas em um mesmo lugar, com um planejamento que não chega a nos fazer sentir como se estivéssemos em dois mundos completamente diferentes. A paz que representa o antigo Palácio Episcopal, e a guerra representada nas fábricas de armas e nas masmorras onde estiveram aprisionados representantes da Inconfidência Mineira, são bem dispostas de forma a não causar nenhum tipo de sensação ruim à nós. A antiga Capela, ainda preservada, hoje é a Biblioteca do local. E existe um pequeno museu cartográfico, com detalhes do início desse serviço no Brasil. FOTO 17/18/19. Tanto eu como minha irmã Regina, nos sentimos bem emocionadas, principalmente quando entramos na masmorra onde esteve, comprovadamente, o último prisioneiro do tempo da Inconfidência Mineira, Thomaz Antonio Gonzaga , que dizem por amor, escreveu em suas paredes um trecho do poema Marília de Dirceu
“Por morto, Marília, aqui me reputo: Mil vezes escuto o som do arrastado, e duro grilhão. Mas, ah! Que não reme, não treme de susto o meu coração. A chave lá soa na porta segura; abre-se a escura, infame masmorra da minha prisão. Mas, ah! Que não treme, não treme de susto o meu coração. Já o Torres se assenta; carrega-me o rosto; do crime suposto com mil artifícios indaga a razão. Mas, ah! Que não treme, não treme de susto o meu coração. Eu vejo, Marília, a mil inocentes, nas cruzes pendentes por falsos delitos, que os homens lhes dão. Mas, ah! Que não treme, não treme de susto o meu coração. Se penso que posso perder o gozar-te, e a glória de dar-te abraços honestos, e beijos na mão. Marília, já treme, já treme de susto o meu coração. Repara, Marília, o quanto é mais forte ainda que a morte, num peito esforçado, de amor a paixão. Marília, já treme, já treme de susto o meu coração.” 
Voltamos à Praça Major Valo, aonde chegamos à famosa Rua do Jogo da Bola cujo nome tem várias explicações: relativos aos escravos que se divertiam acorrentados a uma bola, ou um jogo de “bocha”, praticado pelos moradores portugueses..., vai saber! Essa rua tem uma magnífica vista da região portuária, acompanhando a muralha de pedra da Fortaleza da Conceição. E nos deparamos com mais um conjunto de casas antigas, com suas semelhanças aos tradicionais bairros de Portugal. Apesar das transformações urbanas ao seu redor, o Morro da Conceição permanece como lugar de moradia, nos fazendo sentir no interior, em plena cidade grande. Algumas com as datas de construção ainda em destaque, outras com pequenas modificações, mas uma em particular chamou a atenção de minha irmã Regina. As telhas do beiral. Quando ela me chamou não acreditei no que estava vendo. Telhas pintadas em tons de azul, combinando com a cor da casa. Fiquei sabendo que essa era uma casa de senhores portugueses de posses, pois esse tipo de telha era encomendado pelos moradores. Outro mimo doce e agradável foi a paradinha na casa do nosso guia, para recarregar nossas energias. Um lanche da tarde, embaixo do pé de graviola e com a vista do porto, bastante agradável. 
Seguimos pela Rua do Jogo da Bola, e paramos na pequena capela em homenagem à Nossa Senhora da Conceição,construída no topo do morro, em 1590, pela devota Maria Dantas. Ao final uma pracinha, com uma bela vista, onde o clima interiorano nos faz desejar ainda mais morar por ali. Depois fomos ao Observatório do Valongo, inaugurado em 1924, sede do Departamento de Astronomia da UFRJ. Foi então que, na curva para a entrada do observatório, me deparei com a paisagem onde podia ver o prédio no qual trabalhara por tantos anos e a sala de onde observava aquele local, com tanta curiosidade. Foi meio que um choque. Tudo muito diferente.   
 
E a história viva, impregnada e com o choro do samba...
Então começou a parte que realmente mais me emocionaria. Não que nada já visto até aqui, tivesse passado em branco, até porque acho que detalhei em minhas impressões e emoções.  Mas descer as escadarias em direção ao ponto em que me referi no início do “post”, onde me embevecia só de imaginar aquele local em sua plenitude, estava sendo muito especial para mim. Eis que chegamos a parte alta do “Jardim Suspenso do Valongo”.  E eis uma foto, do que eu costumava ver, e do que estava vendo naquele momento. Claro que é um trabalho possível, mas da janela do prédio ao fundo, eu nunca imaginei que veria esse lugar tão lindo! Esse jardim fica, exatamente, em um ponto em que era feito o mercado de escravos, no século XIX, mas foi inaugurado em 1906, com o alargamento da Rua do Valongo. Ao lado dele ainda existe um casarão em ruínas, que foi pintado por Debret, e a praça onde antigamente era realizado o comércio, sendo extinto oficialmente, em 1831.  No jardim, passeava a nata da sociedade brasileira, e faziam parte desse jardim, a Casa da Guarda e o Mictório Público. 
 
Descemos mais uma escadaria, seguindo ao local que já foi o “Cais do Valongo”, e também posteriormente chamado, o “Cais da Imperatriz”. O “Cais do Valongo”, construído em 1811 para substituir o desembarque e comércio de africanos na atual Praça XV, região central da cidade. Em 1843, foi remodelado com requinte para receber a Princesa Teresa Cristina, noiva do futuro Imperador D. Pedro II, e passou a se chamar “Cais da Imperatriz”. Com as reformas da cidade no início do século XX, o cais foi aterrado em 1911. Um século depois, em 2011, as obras de reurbanização do Porto Maravilha permitiram o resgate do sítio arqueológico, agora monumento preservado e aberto, para nossa alegria. Do cais seguimos em direção ao “Largo de São Francisco da Prainha”. É um local de especial importância para a cultura negra carioca e para os amantes do samba e do choro. Pode ser considerada como o núcleo simbólico da região chamada de Pequena África, que era repleta de casas coletivas ocupadas por negros escravos e forros. Nesse local foi inaugurado em 2009 o Restaurante Angu do Gomes o famoso "carioca/aportuguesado angu" do Rio de Janeiro, desde a década de 50, quando várias barraquinhas se espalhavam pelas praças da cidade e viraram um ícone da noite e da boemia.
 
 
Ali se localiza a famosa “Pedra do Sal”, onde se reuniam, no séc. XX grandes sambistas do passado, como Donga e Pixinguinha. A "Pedra do Sal" possui esse nome, porque era
descarregado na rocha por africanos escravizados no século XVII. Os degraus foram esculpidos para facilitar o trabalho de subir na pedra lisa. A partir da segunda metade do século XIX, estivadores se reuniam no local para cantar e dançar. Dali, os moradores saudavam os navios que chegavam da Bahia com familiares e amigos. A Pedra do Sal era, para migrantes, o que é hoje o cristo Redentor para os recém-chegados ao Rio: o primeiro abraço e o primeiro sentimento da cidade. Os moradores e seus migrantes eram predominantemente negros baianos retornados da Guerra do Paraguai  ou em busca de melhores condições de vida. Lá, se encontraram as célebres tia, pretas forras e suas "pensões", onde o batuque e o jongo se transformaram em partido alto. Os negros e suas tias participaram dos principais eventos da cidade como a Abolição, a Revolta da Armada, as greves, a Revolta da Chibata e outros. A Pedra do Salé um monumento religioso do povo carioca. Na virada do século era cheia de templos afro-brasileiros, e se faziam despachos e oferendas. Na Pedra do Sal, surgiram os primeiros ranchos carnavalescos, afoxés e rodas de samba. E em quem eu e minha irmã pensamos logo? Nosso pai, Waldemar, funcionário do porto e que provavelmente passou muitos plantões curtindo um samba naquele local. Hoje podemos curtir várias rodas de samba no local, tanto na Pedra do Sal, como no Largo da Prainha. Durante o período de carnaval desfila o “Bloco Escravos da Mauá”, criado em 1993.
De lá seguimos para a Igreja São Francisco da Prainha. O mar chegava quase até a orla do Morro da Conceição, com uma extensa, mas estreita, faixa de areia, onde os pescadores amarravam as suas embarcações, daí o nome de Prainha. A igreja começou a ser construída em 1696, mas apenas em 1738, acapela achava-se inteiramente pronta. Do lado de fora tem estilo barroco, os cantos são de pedra e seu interior é de estilo gótico. Estava chegando ao fim nosso passeio guiado, ainda nos restando uma passada na portaria do primeiro arranha-céu da América Latina, inaugurado em 1930, o “Edifício A Noite”, que abrigou o jornal "A Noite" e hoje é reconhecido por ser sede da Rádio Nacional, aquela da "Era do Rádio" . Dentro deste circuito ainda existem dois lugares que devem ser visitados, como o “Centro Cultural José Bonifácio” que foi o primeiro colégio público da América Latina, cujo palacete fica na Rua Pedro Ernesto nº 80, na Gamboa, é um centro de referência da cultura afro-brasileira. E na Rua Pedro Ernesto nº 32, o “Instituto Pretos Novos (IPN)”, o maior cemitério de escravos das Américas.
Deixo aqui um convite, não apenas para os turistas de fora da cidade do Rio de Janeiro e de outros países, mas aos moradores, que não conhecem essas maravilhas, que visitem esse pequeno paraíso com cara de interior e seus arredores com toda a história da cultura africana no Brasil. Aproveite os passeios guiados, como esse que fiz com minha irmã. E curta um pouco dessa parte da cidade do Rio de Janeiro,  que costumava ficar de fora dos roteiros turísticos. Quem sabe, como eu, ir brincar em um “Bloco de Sujo”, em pleno Morro da Conceição, no carnaval...
Inspirar é isso. Descobrir no seu mundo e no seu espaço a riqueza de uma paixão e a nostalgia de raízes...belíssimo exemplo de cultura e ânsia pelas pequenas coisas da vida...obrigado prima irmã...meus poucos anos no Rio (nasci no Rio, mas saí de lá em 1978) me deixou essa vontade louca de desbravar minha história....
 

19 fevereiro, 2013

terça-feira, fevereiro 19, 2013

OLINDA – PE – Onde o Frevo acontece!

Ao som dos clarins de Momo
O povo aclama com todo ardor
O Elefante exaltando a suas tradições
E também seu esplendor
Olinda esse meu canto
Foi inspirado em teu louvor
Entre confetes e serpentinas
Venho te oferecer
Com alegria o meu amor
Olinda! Quero cantar a ti esta canção
Teus coqueirais, o teu sol, o teu mar
Faz vibrar meu coração, de amor a sonhar
Em Olinda sem igual
Salve o teu Carnaval! 
 
O Carnaval tá no sangue do Brasil!
Mesmo não sendo uma invenção brasileira, somos um país com muitas influências europeias e adotamos essa cultura indiscutivelmente! Até os mais calmos não conseguem ficar parados ao som de uma bateria de escola de samba, do frevo e do axé baiano. O meu carnaval é frevo e, como diz a musica, “.....quero sentir a embriaguez do frevo, que entra na cabeça, depois toma o corpo e acaba no pé!” Uma relação de mais de 25 anos que ainda rende muitas alegrias. Olinda está para o frevo, como o samba para o Rio. O carnaval de lá tem algumas peculiaridades e não existe nenhuma comparação com outros. Todos têm seu valor e graça. Recomendo esse roteiro no carnaval para quem quer e pode:
1.    Brincar na rua
2.    Usar fantasias engraçadas e personalizadas
3.    Aguentar o frevo e saber que irá ouvir as mesmas musicas milhares de vezes
4.    Tomar muita caipirosca de siriguela e comer arrumadinho e tapioca
5.    E o melhor de tudo: Gastar pouco! Pois não precisa de muito dinheiro para brincar o carnaval de Olinda...ele é para todos!
 
E os Holandeses e Portugueses chegaram em Olinda!
A cidade de Olinda tem a história encravada nas ruas e nas suas casas. Os nativos dizem que o nome "Olinda" apareceu numa frase de Duarte Coelho que foi o primeiro donatário da Capitania de Pernambuco – "Oh, linda situação para se construir uma vila!". Foi fundada em 1535 e já foi dos holandeses e portugueses. A arquitetura barroca do período colonial até hoje encanta o povo com suas ladeiras, igrejas, e claro, o carnaval. O Frevo,declarado Patrimônio Imaterial da Humanidade, tem sua origem na capoeira.  A palavra frevo vem de ferver, agitação, confusão, rebuliço...Quando se ouve Vassourinhas a multidão vai à loucura. O Maracatu vem do folclore afro-brasileiro e é formado por uma percussão que acompanha um cortejo real. Tudo isso numa mistura das culturas indígena, africana e européia. Diante desse pequeno cenário histórico, vou descrever a notável experiência desse carnaval tão reverenciado por Alceu Valença, que quando começa a cantar “Voltei Recife...foi a saudade que me trouxe pelo braço....”...vixi...o sangue ferve..o sangue freva!
 
Pousada dos 4 Cantos e o Centro Histórico
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Esse roteiro foi definido em outubro e a primeira etapa foi a hospedagem. Nada melhor do que ficar “dentro” do centro histórico, onde o carnaval acontece 24 horas. A Pousada dos Quatro Cantos foi uma excelente escolha.É um casarão de estilo neoclássico do século XIX tombado pelo Patrimônio Histórico. Foi residência de comerciantes, do grande pianista Pedro Braga e do arqueólogo inglês Mr. Goolang. É muito especial e desde que o Sr. Marcos e a Dona Graça decidiram transformar o casarão em Pousada e Restaurante (1983), a história manteve-se viva. Destaca-se pela sua localização, arquitetura, gastronomia e, acima de tudo, pelas pessoas que fazem com que a estadia seja inesquecível. O aconchego e a beleza da pousada refletem no semblante das pessoas que lá trabalham e no carisma do Sr. Marcos e Dona Graça. O estilo rústico é preservado, aproximando o acervo e a arte do hóspede. Os apartamentos são muito confortáveis. O serviço é impecável. Todo ambiente rodeado por um jardim, piscina e a melhor vista do Centro Histórico. Além disso, a maioria dos blocos passa em frente à Pousada. A gastronomia é um capítulo à parte de tão saborosa. Além de tudo isso, a Galeria de Arte surpreende com toda sua graça e rusticidade. Para o período do carnaval, a proposta é bem interessante: visão privilegiada, quartos próximos para um descanso, café da manhã dos deuses, banda local animando enquanto blocos não passam, bebidas livre, buffet de comidinhas para manter a energia, massagem relaxante e um maquiador de carnaval....30 anos proporcionando essa alegria. Com toda a agitação do carnaval, perde-se um pouco de desfrutar o ambiente do século XIX, suas histórias e muita arte. Recomendo conhecer a Pousada também num período mais calmo aí sim....deixar o Sr. Marcos e Dona Graça mostrar o melhor desse recanto : sua memória.
Além das pousadas, as casas são uma atração à parte: servem de hospedagem para famílias e grupos e se transformam em blocos também. É comum cada casa ter um nome de bloco! 
O Carnaval
A programação para os dias de carnaval é intensa. É importante ficar atento às mudanças de transito que podem limitar o vai e vem de Olinda, pois já na 6ª. Feira que antecede o carnaval, não entram mais carros nas ladeiras. Não ache estranho se às 8 da manhã você encontrar famílias inteiras ou grupos de amigos fantasiados com muito esmero e criatividade. Ou então, você tomar um ônibus e senhoras subirem todas animadas com suas sombrinhas de frevo à mão e flores no cabelo.  



 
 
 
 


 
No sábado tem o Galo da Madrugada. Esse bloco reúne mais de 2 milhões de pessoas. Este ano fui de camarote. Nos anos anteriores fui seguindo a pé algum trio de frevo. É assim que começa..com o Galo...e seus mais de 50 trios de frevo...o problema é conseguir sair do Galo!!! Superado e sobrevivido ao sábado, é hora de programar os dias posteriores e seguir os blocos. Eles saem dos mais diversos locais e a pousada disponibiliza uma programação com os horários de saída e nomes dos blocos. Seguramente passarão pelos 4 cantos, pela Sé, pelo Varadouro ou pelo Carmo. As ruas do Amparo, Prudente de Moraes, São Bento e Bomfim são as mais frequentes passagens de blocos. O desfile dos Bonecos Gigantestem a concentração no Alto da Sé, assim como o bloco Enquanto Isso na Sala da Justiça, o mais irreverente e um dos que mais arrasta multidões. É encantador a mistura de idades e classes sociais, todos representando algum tipo de super herói.  Aqui não tem cordão de isolamento, não tem briga, não tem perigo....mas tem muita gente...E os blocos têm os nomes mais irreverentes possíveis : Hoje a mangueira entra, Se concentra mas não sai, Ceroula de Olinda, Eu acho é pouco, Homem da meia noite, Já que tá dentro deixa, Patusco, Enquanto isso na sala da justiça, Vai quem quer, Esse cara sou eu, Antes aqui que na UTI, etc...... Não deixe de subir (pelo menos uma única vez) a ladeira da Misericórdia(o nome é altamente pertinente). A vista mais linda e mais sofrida de alcançar. Essa ladeira faz parte da maratona carnavalesca.
























Para as crianças, na 2ª.feira, tem os blocos que saem de manhã e com a mesma intensidade. A galerinha se entrega ao frevo. O homem aranha já é uma atração turística. Ele fica de casa em casa, subindo e descendo, e ninguém sabe quem é ele! É surreal ver as igrejas ao fundo das ruelas e ladeiras que somente nessa época deixam de ser a visão principal e passam a ser a moldura da arte maior : pessoas seguindo sonhos com suas fantasias. E, quando menos espera... lá vem os bonecos ao som de vassourinhas....esse ano, o boneco do Ministro Joaquim Barbosa foi aplaudido e ovacionado. Ter uma personalidade representada num boneco de Olinda é uma homenagem sem precedentes. A piada central desse carnaval foi a ausência do boneco do atual prefeito, Renildo Calheiros (irmão do Renan Calheiros), sabe por quê? Ele vive tão ausente de Olinda que nem o boneco apareceu! E olha gente....eu vi...pessoalmente...a cidade histórica está largada...Olinda está judiada pela má administração. Infelizmente um acervo fantástico que é a porta de entrada para o Turismo. Um parêntese pessoal: conheço o carnaval de Olinda desde 1986. Sempre presenciei as piadas e fantasias sobre Brasília e a politica. Nosso povo sempre fez graça com a corrupção e o desleixo. Esse ano não se viu nenhuma piada sobre a situação crítica do país com relação aos escândalos políticos. Quero crer que o povo está se conscientizando de que esse assunto é muito sério e que não dá mais para brincar!!! Aqui vai meu respeito ao povo Olindense.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 


A minha recomendação para curtir bem o carnaval de Olinda é aproveitar os blocos pela manhã e utilizar a estrutura da Pousada para fugir da multidão, pois depois de meio-dia, as ladeiras ficam intransitáveis. Se tiver energia, à noite siga para Recife antigo onde o carnaval continua. Haja fôlego e pernas! Na quarta-feira de cinzas o carnaval não acabou. É hora do Bacalhau do Batata que desce a ladeira da Sé com toda energia e ressaca. Esse bloco foi concebido pelos garçons que trabalhavam no período do carnaval e não podiam brincar....bom...agora a história é outra...virou um super bloco.
Esse roteiro é simples e apaixonante que deve ser programado com antecedência para que o conforto da hospedagem e os custos fiquem compatíveis. A partir de setembro/outubro a Pousada dos 4 Cantos disponibiliza a programação, facilitando o pagamento para quem decide com antecedência. E o que levar na mala? Fantasias, protetor solar, tênis, shorts, camisetas, e claro, muita energia! É isso....dias de folia, dias de alegria e falo com muito conhecimento pois comecei em 1986 e hoje, 2013...ainda continuo fiel ao frevo. É lindo, no final da 3ª. Feira de carnaval, os blocos passarem cantando...é de fazer chorar, quando o frevo começa a acabar....ó 4ª. Feira ingrata, chega tão depressa, só para contrariar.. E uma ultima observação: curtir o carnaval com alguém da terrinha é mais que um presente? Esse ano minha mãe (Julia Andrade Lima) reviveu sua história e seus amigos na sua cidade e eu reencontrei uma amiga-irmã (Elizabeth Cunha) de mais de 25 anos de amizade. Impossível não ser feliz em Olinda e com pessoas tão amadas!




Andrea Pires

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