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29 julho, 2012

domingo, julho 29, 2012

ANDALUZIA – Málaga, um caminho para a África!

Conhecer Málaga foi uma oportunidade integrada com o curso de Flamenco do Festival de Jerez 2012 e a proximidade física para o Marrocos, com um detalhe: eu queria cruzar o Gibraltar pelo mar. A minha agente de viagens, Dayse - New Age, descobriu um grupo saindo de Málaga para o Marrocos no período que eu queria e de ferry boat...além disso, o custo terrestre era muito atrativo. Programei 2 dias de permanência em Málaga, antes de seguir para Marrocos.
Esta seria a 4ª. cidade de Andaluzia que eu teria a chance de conhecer e me aprofundar na cultura e na história. E claro, uma referência para aficionados pelo flamenco como eu.
Como tinha somente 2 dias, programei alguns locais para mais próximos do centro histórico para conhecer e aproveitei para explorar a cidade caminhando à noite. Era inverno e carnaval, por isso a parte litorânea não estava atrativa para mim. Concentrei-me na cultura e na gastronomia e confesso que o que mais me encantou foi a noite de Málaga. A cidade de Pablo Picasso e Antonio Banderas é leve, fácil, alegre e bem cosmopolita. Adorei a proximidade de tudo...todas as culturas lado a lado. Uma cidade descontraída onde as noites (mesmo de inverno) são quentes e animadas, regadas pelo famoso vinho Moscatel.
Como todas as cidades Andaluzas, aqui passaram fenícios, romanos e árabes. Também foi um berço para o desenvolvimento do flamenco, onde surgiu o VERDIALES, que é um cante folclórico, anterior ao flamenco, de grande influência árabe e em meados do século XIX aparece um baile chamado “MALAGUEÑA", procedente do FANDANGO. Ambos se aflamencam e fazem parte de nosso repertório de cante e baile flamenco. 
Além de ser uma cidade artística, moderna, turística por suas praias e sol e uma referência de flamenco, existe um patrimônio histórico e cultural que merecem atenção especial.
Comecei explorando a Calle Marques de Lários, onde existe uma concentração de comércio e bares/cafés e restaurantes, além de dar acesso à parte mais histórica da cidade. Toda a rua estava adornada para o carnaval e muitos blocos desfilavam um carnaval jocoso com musicas que faziam referência a “chistes” locais. Fiquei hospedada no hotel Bahia Málaga, muito próximo à Marqués de Lários e Avenida Principal, com excelente localização e quartos bem agradáveis.
Seguindo a Calle Marqués de Lários, encontrei o Monumento a Larios, do século XIX, dedicado a Manuel Domingo Larios y Larios quem construiu a dita rua (que leva seu nome). A Marques de Lários é excelente para acesso a vários pontos turísticos. 
Seguindo-a, descobri a Catedral que tem sua origem nos séculos XVI/XVIII e se chama “Encarnación”. No passado, foi uma Mesquita. A obra ficou inacabada, por isso seu apelido “La  Manquita”. Caminhando para depois da catedral, encontramos o Alcazar que deve ter sido construído entre os séculos XI/XIV e já foi um Palácio muçulmano e o Teatro Romano – do Século I AC, está aos pés do Alcazar. Pela história, sabe-se que foi da época de Augusto e depois foi utilizado para armazenamento de materiais do período muçulmano. 
Pelos arredores, é fácil encontrar o Museo Picasso, que fica no Palácio de Buenavista. Um prédio renascentista do século XVI que abriga a coleção permanente de Picasso (mais de 200 obras entre pinturas, desenhos, esculturas, etc), bem como peças fenícias.
E, claro, não poderia deixar de falar sobre o Museo de Arte Flamenco, "PeñaJuan Breva" que tem mais de 5000 peças, entre discos, guitarras, aparatos, adereços de baile, vestidos, etc, do período do século XIX/XX. No térreo do museu tem um bar e espaço para apresentações de flamenco.
A gastronomia é uma diversão à parte....muitos pescados e vinhos. Deliciei-me no Moscatel, o vinho mais consumido na cidade. E pelo frio que estava, caiu muito bem. Por isso que as noites são quentes....imperdível...não deixe de conhecer :

El Chinitas, fica no centro histórico, com acesso pela Calle Marques de Larios. Um local aconchegante, tradicional e de uma perfeição gastronômica, além do ambiente flamenco. Possui salas mais reservadas para grupos e uma decoração bem antiga. No térreo fica o bar o nos andares superiores o restaurante. Bastante romântico e recomendado para noites especiais. E ponto!
El Pimpi, é uma bodega mais que especial e me encantou. De noite, na parte interior, um ambiente típico andaluz, as garçonetes se vestem de flamencas, muita gente jovem e musica flamenca. Passei uma das noites mais relaxadas e alegres. De dia, de frente para o Teatro Romano e Alcazar, ao ar livre, um local de deleite visual e apreciação das tapas e, claro, famoso Moscatel...Esse local é para ir e ficar, sem pressa...e foi aí que me despedi de Málaga, mais uma janela Andaluza.
De Málaga, seguimos para Algeciras (onde fica o Porto de Tarifa – saída do ferry boat para Marrocos). Um pedaço de Andaluzia (Cadiz), Algeciras tem nome árabe, com sangue cigano. Cidade de Paco de Lucia ...quem compôs “Entre Dos Águas”....uma homenagem à cidade que fica entre as águas do Mediterrâneo e Atlântico...Algeciras nem está lá e nem cá..Algeciras...é a porta para um mundo diferente....é a porta para a África e uma nova aventura recomeça...brevemente Marrocos....


E a sequência Andaluzia chega ao fim...Falamos de Andaluzia com Flamenco e Turismo. Detalhamos Sevilha, Granada, Córdoba, Cadiz e Málaga....com tantas histórias e dicas, Andaluzia está muito bem retratada e divulgada por cada um que passou por aqui.
Para mim, a melhor definição de Andaluzia e a história de seus povos ciganos, árabes, judeus é que andar por suas cidades é ter a sensação de estar “retornando para minha casa”. Acredito que cada um que esteve aqui tenha a mesma sensação: uma experiência de vidas passadas. 
O povo flamenco é assim...ganha o mundo...vai para bem longe, mas sempre volta para sua casa, para os seus e para sua história. Somos muitos espalhados pelo mundo e sempre nos encontramos em algum ponto de Andaluzia para matar nossa saudade de outras vidas, como um povo que não se vê há muito tempo. E sempre seguimos para outras terras, levando nossa cultura e paixão.

12 julho, 2012

quinta-feira, julho 12, 2012

ANDALUZIA - Jerez...a minha Janela Andaluza que fechei...

Esse é um pedaço de Andaluzia muito peculiar. Os atrativos turísticos são mais visíveis para quem se identifica fortemente com a cultura flamenca, apesar de que, Jerez de La Frontera (que pertence à província de Cadiz), tem todas as influências muçulmanas e romanas das cidades de Andaluzia, cuja história se repete e se consolida com a sobrevivência dos excluídos e foragidos árabes, judeus e ciganos. É uma cidade rica culturalmente que deve ser descoberta e explorada turisticamente. Além da história, a cidade é conhecida pelo Circuito de Fórmula 1 e pelo vinho de produção local (Jerez). É muito boêmia. As noites de Jerez são um atrativo à parte, isso porque é uma cidade “esteticamente” cigana onde isso é percebido claramente na fisionomia, principalmente, dos homens e no comportamento “descompromissado” e “calmo” entre um trago e outro, o que também não seria impossível presenciar, de madrugada algum deles se exaltar e quebrar uma garrafa e começar uma briga...aquela coisa assim, bem passional. digna de gitanos....
Jerez é considerada a "Cuna del Arte Flamenco, pois foi aqui que surgiram muitos cantaores, bailaores e guitarristas, provenientes dos bairros de Santiago e São Miguel, onde faço uma referência especial à Lola Flores e Paquera de Jerez. Foi daqui que surgiu a Buleria, um tipo de baile festivo, da improvisação de grupos em festa, seja no canto, seja no baile. É uma brincadeira tradicional e muito comum, típico das famílias jerezanas.

Como fui parar em Jerez... 
A 1ª. vez (2011) foi uma decisão de “susto” e de “impulso”.  Normalmente, escolho circuitos comerciais e turísticos para férias, porém, Jerez apareceu sem férias, num dia normal de aula de flamenco onde a professora comentou que tinha saído a programação do Festival de Flamenco de Jerez e o quanto era enriquecedor “beber na fonte” o que buscamos.
Foi um delírio sonhar com a possibilidade. E não é que deu certo? Um pequeno grupo sonhou e foi ver o que era o Flamenco no seu berço. Decisão rápida, grupo formado e claro, dinheiro contado. Tive que praticar direitinho o “planejamento”, pois sequer eram férias e não tinha reserva financeira. Eu tinha 5 meses a contar da inscrição nas aulas do Festival para organizar-me financeiramente para a viagem.
A matrícula no curso é a 1ª. coisa a ser feita e aguardar confirmação. As turmas se completam rapidamente e não deve ser postergada. A minha decisão se baseou em fazer aulas e imersão total nos shows de Flamenco. Investimento necessário. Matrícula feita!!!!
O próximo passo foi comprar passagem (dividida em várias prestações) e fazer reserva de hotel. Recomendo os hotéis : Tryp e Tierras de Jerez muito bem localizados, confortáveis e preços justos. Afinal, seria um período intenso de atividades, além de ser inverno rigoroso. Escolhi esses hotéis (em 2 momentos diferentes, claro) porque me proporcionavam um conforto maior...e melhor descanso nos intervalos das atividades.
Apesar de ser um grupo, cada um optou em montar seu roteiro, mesmo assim, estaríamos juntos na semana do Festival e nas noites de Jerez. Muito providencial essa formação de grupo: todos vão para um mesmo local, porém, cada um com sua programação.  
Já em 2012, aproveitei a “desculpa” do Festival de Jerez e marquei férias para o período. E eu tenho um compromisso comigo : sempre conhecer outro local, antes de ir para Jerez ou retornar a qualquer cidade na Espanha. Assim, eu posso expandir meus conhecimentos sem deixar de fazer o que mais gosto. Falarei sobre o Marrocos mais tarde.

A dinâmica de Jerez é um pouco diferente das demais cidades.  Na época do Festival, cujo período é de um inverno rigoroso para os padrões brasileiros, a cidade fica “lotada” de aficionados pelo flamenco, de toda parte do mundo. A programação é intensa durante o dia e à noite.









Por toda a cidade escolas oferecem cursos, oficinas, intensivos e shows. Durante o dia, suamos enlouquecidamente nas aulas com nossos maestros e depois das aulas, uma parada para uma tapa e um trago...num frio de doer... À noite presença certa nos shows do Festival e na programação paralela, e depois vagamos de bar em bar entre uma tapa e um trago....e no dia seguinte...a mesma coisa...
Uma rotina insana para quem não entende nossa dedicação ao flamenco.  Mas tem também turismo de grande valor cultural que proporciona grandes surpresas para quem vai a 1ª. vez:
Comece pela Calle Larga, fácil de localizar e o ponto central de tudo em Jerez. Aqui ficam as principais lojas da Espanha e da Cidade, além de ser uma boa referência de bares e restaurantes. Excelente local para compras.  
Em Jerez, a ordem é caminhar! Descubra a Catedral de estilo barroco que também já foi uma Mesquita. Siga até o Alcazar que fica na parte antiga da cidade e tem referência do século XII, tendo sido residência de califas. A Mesquita agora é uma capela (desde a conquista dos Católicos, Afonso X).
Programe um Hammam (Banho Árabe) onde tem 03 piscinas com água quente, morna e fria, num ambiente a meia luz e massagem. Grande experiência e recomendado para qualquer pessoa que queira desfrutar de uma vivência especial dos costumes árabes.

Recomendo uma manhã para a visita na Bodega Tio Pepe onde o tour incluir degustação e por ser um vinho mais forte, não vá de estômago vazio. No final do dia, experimente Churros com chocolate quente, que no inverno é uma excelente opção.



A noite, veja a programação no Tio Zappa e na Peña de La Buleria. Se quiser algo mais requintado, visite o Teatro Villamarta  que no período do festival de flamenco tem shows todas as noites
Explore as praças das redondezas – A praça Plateros é belíssima e tem a Torre de Atalaya, com seu relógio do século XV. Em tempos antigos foi uma torre de vigia.
Calmamente, descubra as igrejas : Iglesia de San Dionisio, de Santiago, de San Miguel, de San Marcos, San Juan de los Caballeros o la Basílica de Nuestra Señora de la Merced.
É importante entender que Jerez se divide em 02 grandes bairros “ciganos” onde se situam os monumentos, igrejas e flamenco  : Bairro de San Miguel e de Santiago.
São os bairros mais antigos da Andaluzia, com suas ruas estreitas, sinuosas e deliciosamente confusas. É muito fácil e desejável perder-se nesses bairros e descobrir praças, igrejas, e construções antigas e típicas. Esses 02 bairros nasceram fora da cidade e foram povoados pelos ciganos e outros considerados indesejáveis. À noite, as cidades amuralhadas eram fechadas para aquelas minorias que não eram bem-vindas e consideradas perigosas, então essas pessoas passaram a viver “fora dos muros”, constituindo uma nova comunidade. Assim foi com São Miguel e Santiago. Por isso que não tem como separar o flamenco de Jerez... foram nesses  locais que o flamenco floresceu e passou a ser a cultura mais eloquente de Jerez. Lá pelos idos do século XV, quando a Igreja Católica se afirmava definitivamente, as comunidades que viviam “fora” dos muros da cidade (São Miguel e Santiago) cresceram muito e foram incorporados como bairros das cidades.

Em Santiago, descubra as Igrejas e Praças e não deixe de visitar o Centro Andaluz de Flamenco, com uma estrutura moderna e acervo para os diversos interesses da área. Em São Miguel, a igreja é imperdível e a Praça Afinal merece uma parada para um café, e claro, para os aficionados, o monumento em homenagem à La Paquera.
E, para entender o que tem em Jerez de tão especial, caminhe pelas noites, descubra as laranjeiras, as ruas estreitas, os bares cheios de ciganos. Jerez tem cheiro de Jerez, sabor de tio Pepe e tem perfume de história  e não ache estranho se você sentir voltando para casa num lugar tão distante do Brasil.

10 julho, 2012

terça-feira, julho 10, 2012

ANDALUZIA - Córdoba, uma janela Andaluza por Patricia Vieira

De Córdoba remeto 02 coisas que me fascinam: a Mesquita Catedral que retrata a história muçulmana e cristã e que está perto do Bairro Judeu e as obras de Julio Romero de Torres, um artista que tão bem e forte soube retratar a mulher “gitana, andaluza, flamenca”.  E quem trouxe uma grande vivência de Córdoba, foi a Patricia Vieira, que esteve em Andaluzia recentemente, embevecida pela história, pela cultura e pelo flamenco. Inspirada por Andaluzia e suas janelas, Patricia Vieira registrou no blog Janelas Andaluzas todas as janelas que ela viu (abertas e fechadas) de Andaluzia e com elas, o registro de suas descobertas mais íntimas...


 “...De Granada, partimos para Córdoba, que é uma cidade acolhedora e “árabe”. Ficamos hospedados de frente para a Mesquita, caminhamos pelas ruelas da cidade, fomos a um concerto de música árabe, comemos muito bem a preços muito bons, provamos a melhor sangria, desfrutamos de toda atmosfera andaluz da cidade. Antes de ir a Córdoba, li uma obra altamente recomendável: “O Ornamento do Mundo” de Maria Rosa Menorca. Se você é um curioso sobre o mundo andaluz, leia esse livro.
Em Córdoba, recomendo um espetáculo de flamenco e a degustação de um delicioso salmorejo cordobés e um “tinto de verano”. De tudo, ficou uma certeza: a Andaluzia tem um pouco da minha alma e os andaluzes e os brasileiros têm muito em comum. Para um pequeno registro do meu olhar sobre “a minha Andaluzia”, fiz o Janelas Andaluzas, que pode ser visitado. Talvez as imagens falem mais do que todas essas palavras...”

Patrícia Vieira, linguista, 36 anos, casada há 10 anos com Sérgio Ricardo, cantor lírico, 37 anos, mora em Brasília e é mãe de gêmeas!  

01 julho, 2012

domingo, julho 01, 2012

ANDALUZIA - A Granada que Carlos e Sandra conheceram....

O motivo maior que nos levou até Granada foi o monumento de Alhambra...arquitetura e história fascinantes num dos lugares mais mágicos do mundo, quero crer. Então escolhemos ficar DENTRO do monumento e isto foi possível por que tem um hotel pequeno e aconchegante chamado “Hotel América dentro das muralhas de Alhambra , romântico e muito bonito. Da janela de nosso quarto se avistava toda a cidade lá embaixo. Ficamos nos arredores e desfrutamos da floresta e dos caminhos que serpenteiam a montanha e as incríveis muralhas. Escolhemos desfrutar dessa atmosfera mágica, onde o barulho das águas dos milenares canais e fontes, engenhosamente trazidos de longe, nos seguiam por onde passávamos. Os antigos e nobres habitantes desta cidade fortificada transformaram o topo de uma montanha em um verdadeiro paraíso. Os palácios são de uma beleza indescritível e nos mostram como devem ter sido os tempos califares.  As idas e vindas à cidade são um convite ao deleite. Nas manhãs e tardes, quando ao término da descida, adentra-se nas ruas encantadoras de Granada. Muito Jamón , vinho batatas enormes e recheadas fizeram nosso tour gastronômico. À noite vale muito um passeio à pé, descendo as bem iluminadas ladeiras de Alhambra e indo direção ao Albaicín (Bairro antigo e tradicional refugio dos povos ciganos) podemos contemplar em todos os lugares a majestosa visão de Alhambra que com sua iluminação impressionante mais parece um palácio de ouro a reluzir por toda a cidade. No Albaicin pode-se tomar uma taça de vinho e assistir a um show de flamenco numa cueva como a de “Los tarantos” . Imperdível também o Bairro de Sacromonte , mas o mais lindo de tudo e que tornou nossa ida a Granada inesquecível,  foram as muralhas, as construções da Alhambra e o doce barulho de água corrente e das fontes que ficarão para sempre em nossos corações.  A importância desta viagem se deve ao caráter histórico da cidade com sua memória tão rica e tão bem preservada. Para melhor compreender o que encontramos, relembramos de um fragmento da história local dando conta da conquista do reino de Granada pelos reis católicos, Isabel e Fernando. Eles expulsaram o rei Boabdil, o qual ficou muito triste por ter perdido o que chamava “paraíso terrestre”. 

Diz a lenda que o monarca teria chorado diante de sua mãe enquanto se afastava de Granada e que esta lhe teria dito: “...Chora como uma mulher, o que não soubestes defender como um homem.”


No caminho até a encosta granadina existe um ponto chamado “El suspiro Del Moro” (o suspiro do Mouro ) nome que se retirou da lenda, já que nesse ponto se pode observar toda a cidade e a Alhambra, onde se supõe que o monarca Boabdil parou para admirar o seu reino perdido, não podendo evitar o pranto...

Carlos Borges tem 53 anos, é arquiteto, artista plástico, musicista e amante da cultura espanhola especialmente da dança flamenca. Casado com a Sandra Marques, 54 anos, funcionária da Câmara dos Deputados , chef e gourmet, procura os sabores dos lugares por onde passa experimentando de tudo, além de amante das artes e da história...ambos descobriram a Espanha e também se apaixonaram pela história.







domingo, julho 01, 2012

ANDALUZIA - A Granada que Patricia Vieira conheceu....












“...Na última viagem, agora em 2012, teve um sabor especial. Me concentrei em quatro cidades: Sevilha, Granada, Córdoba e Jerez. Fomos meu esposo e eu, celebrar nossos dez anos de casamento. Foram dias lindos. Em Sevilha, destaco o Museu de Belas Artes, a torre da Giralda na magnífica Catedral e o deslumbrante Alcázar, que deve ser visto antes da Alhambra para não perder o encanto. Todo o aspecto de califado de Sevilha é intensificado em Granada, que é uma cidade apaixonante com seu bairro árabe, com seu bairro gitano, com “su gente buena”, com boa comida e com todas as reminiscências do Federico García Lorca. Quantos suspiros deixei ali pela casa de campo da família Lorca Quanta arte esse homem tão jovem produziu! A experiência da Alhambraé fundamental e ler sobre os califas é desejável para entender quão emblemática é aquela fortaleza que tem como pano de fundo a Sierra Nevada. Inesquecível também foi a noite no Chien Andalou”, bar, tablado flamenco. Não dá pra perder....”

Patrícia Vieira, linguista, 36 anos, casada há 10 anos com Sérgio Ricardo, cantor lírico, 37 anos, mora em Brasília e é mãe de gêmeas!   É autora do blog Janelas Andaluzas que inspirou muitas pessoas, particularmente a mim!
domingo, julho 01, 2012

ANDALUZIA – A Granada que Giovana Teles conheceu….

 Chegar a Granada no fim da tarde é um grande presente. O melhor é ir direto para a Carrera del Darro e observar a Alhambra: grandiosa, encantadora que vai se “transformando” com o cair do sol e ganha outros ares e cores à noite. É deslumbrante acompanhar esse rito de passagem das calçadas dos vários bares dessa área da cidade, que dá acesso ao Sacromonte e ao Albaicín. Há passeios guiados à noite por esses dois “bairros” que se complementam. Uma parada obrigatória é o Mirador de San Nicolás, de onde se vê a Sierra Nevada, e todo o Generalifee a Alhambra. O encantamento continua subindo o Albaicin, em alguma das cuevas com espetáculos de flamenco. Sim, são shows montados para os turistas, em várias salas, vários horários. Mas mesmo assim vale a pena, pelo lugar, pela atmosfera mágica da noite de Granada. Fui à zambra gitana da cueva Los Tarantos.
Dia seguinte separado para a visita à Alhambra, uma joia da arquitetura árabe, erguida pelos sultões Nazaritas já no último período da dominação muçulmana. A cada palácio, fonte, jardim – cada um com suas histórias e mistérios - aumenta a certeza de que se vai voltar à cidade um dia. Para aliviar o cansaço e renovar as energias, um banho árabe, em seguida. A rede Hammans de Al Andalus, tem um banho árabe junto da Carrera del Darro. São piscinas quente, morna e fria e você pode optar por massagens também. Perfeito!

Depois, na Plaza Nueva, montaditos de jamón Pata Negra com um vinho de Rioja. Vem a noite outra vez e mais flamenco. Mas dessa vez, em casas que os próprios granadinos frequentam: como o Le Chien Andalou. É preciso comprar os ingressos cedo porque o lugar é pequeno e enche muito rápido. Pelo Chien passam muitos artistas da cidade e os que estão a passeio ou dando cursos. Encontramos nesse bar flamenco, por acaso, ninguém menos que o bailaor Joaquin Grilo.


De dia, outra visita inesquecível é ao Museu da mulher Cigana e às cuevas que reproduzem como os ciganos moravam nessas casas escavadas na rocha. Essas casas, morada dos mais pobres, ficam aquecidas no frio e amenizam o calor no verão. O museu mostra também as principais atividades dos ciganos – a fabricação de cestarias, de utensílios de cobre e de ferro. Pertinho disso, também no Sacromonte, outro museu: a casa cueva de Curro del Albaicin, um cantaor, poeta, muito ligado à arte flamenca em Granada. O salão está cheio de fotografias de artistas das mais nobre dinastias dessa arte.

Como eu e minha amiga Magda Patrícia de Castro identificamos vários deles, acho que passamos no teste, e Curro ainda improvisou uma zambra exclusiva pra gente – flamenco puro en la sangre!  Também é assim nas apresentações em outra cueva em que professores das escolas de flamenco da cidade costumam se apresentar - a Venta El Gallo, que tem na parede principal a foto do escritor, poeta, músico que, para mim, se confunde com a cidade: Federico García Lorca.

Para ficar mais perto da obra e da história de Lorca é preciso seguir para o outro lado da cidade. No parque Federico Garcia Lorca está a Huerta de San Vicente, a casa de campo onde a família passava o verão e que serviu de abrigo a Lorca antes de ser assassinado pela ditadura de Franco.

Na casa museu, só se entra com guia e em horários determinados. Ali estão textos manuscritos, desenhos, objetos pessoais, o quarto ... e o piano em que Lorca tocou e gravou várias canções populares com La Argentinita. Entrar nesse universo, conhecer a letra, as cores escolhidas pelo próprio Lorca para suas obras é um privilégio sem tamanho. É como se pudéssemos voltar às décadas de 20 e 30 ... a casa simples, rodeada de verde,  onde um dos maiores poetas de todos os tempos buscava inspiração ... entre os manuscritos, cartas aos amigos geniais como ele: Salvador Dali, Luís Buñuel, Manuel de Falla. A vontade é de ficar horas observando e absorvendo cada detalhe. A guia nos dá a chance de voltar a um cômodo antes de sairmos. Voltei para a sala de piano, lembrei da Nana de Sevilla gravada pelos dois. Saí e chorei por saber que, de alguma forma, tinha vivido ali momentos de muitas histórias que pareciam distantes e naquele instante eram tão reais.  Sentimentos iguaizinhos aos da Canción del dia que se va ...
“Que trabajo me cuesta
Dejarte marchar, dia!
Te vas lleno de mi,
Vuelves sin conocerme
Que trabajo me cuesta
Dejar sobre tu pecho
Posibles realidades
De imposibles minutos.”
(Federico Garcia Lorca)

Giovana teles é jornalista, completamente apaixonada pelo flamenco e tem certeza que Andaluzia é a sua casa espiritual
domingo, julho 01, 2012

ANDALUZIA – A Granada que conheci....

(Agustin Lara)
Granada, tierra soñada por mi, mi cantar se vuelve gitano cuando es para ti...
mi cantar hecho de fantasia, mi cantar flor de melancolia, que you te vengo a dar... Granada, tierra ensangrentada
en tardes de toros, Mujer que conserva el embrujo de los ojos moros de sueño rebelde y gitana cubierta de flores y beso tu boca de grana jugosa manzana que  me habla de amores
Granada Manola cantada en coplas preciosas no tengo otra cosa que darte
que un ramo de rosas de rosas de suave fragancia que le dieran marco a la Virgen Morena...Granada, tu tierra está llena de lindas mujeres de sangre y de sol

Sim...Plácido Domingo embala essa viagem com muita certeza do que canta....com intensidade e fervor, porque Granada é assim...
Granada tem 02 coisas muito fortes na minha memória: as “figueiras” seculares que contornam Alhambra e as “romãzeiras”, que simbolizam a cidade (Granada traduzido para português é Romã). Tanto o “Figo” quanto a “Romã” são do oriente e, segundo lendas e histórias populares, a romã está associada à paixões e fecundidade, dedicada à deusa Afrodite. Os judeus a veem como símbolo religioso muito utilizado no ritual de passagem de ano e os árabes veneram seus poderes medicinais. O Figo, é sagrado para os judeus e para os budistas e muito consumido no mediterrâneo como fruto seco. Granada tem cheiro de romã e a cor de figo...vermelho e verde misturados à cor branca das casas que predomina nas paisagem. Granada é única aos olhos. Poética, romântica, jovem,  antiga, silenciosa e colorida. Como uma visão de um Oásis no meio do deserto...é assim que a chamo...meu Oásis de Andaluzia...
A cidade tem essa mescla viva de árabes, ciganos e judeus, encravada na sua geografia e história através das cuevas de Sacromonte, do mercado árabe, das teterias (casas de chás), da vida boêmia de seus bares, dos poemas de Lorca e da forma “Andaluza” de viver...a velocidade de Granada nos impõe seu freio...não tenha pressa! Suba cada ladeira bem devagar, descubra-a e se descubra, pois o silêncio de suas ladeiras nos proporciona uma intimidade individual preciosa.

A História nos diz que....
A cidade foi um reduto de árabes, judeus e ciganos que conviveram pacificamente até conquista dos reis católicos, 1492. (ultima cidade conquistada).  O ultimo rei muçulmano “Boadbil” ficou famoso pela forma que se rendeu, assegurando que seus súditos fossem tratados sem violência. Conta a lenda que em sua partida para o exílio, em prantos, sua mãe lhe disse “Llora como mujer lo que no supiste defender como hombre”. Triste e derrotado, seguiu para Fez (Marrocos) onde morreu em batalha contra os povos do deserto em 1528. 
Conta-se que durante a perseguição Católica, os ciganos queriam se converter porém, a Igreja os rejeitavam veementemente. Inclusive, a rejeição ao povo era tamanha que a Igreja/Estado buscou formas de inibir a sua reprodução e disseminação, separando homens, mulheres e crianças ciganas, encaminhando essas ultimas para famílias católicas europeias da região. O propósito era acabar com a “raça” cigana definitivamente. Por outro lado, os muçulmanos que não queriam se converter, eram expulsos ou mortos. Pela similaridade física, muitos se misturaram aos ciganos (rejeitados pela igreja e foragidos) e assim podiam viver excluídos e disfarçados nas regiões montanhosas. Já os muçulmanos convertidos (ou aqueles que se diziam convertidos), eram chamados de mouros, tendo que assimilar a religião Católica e seus costumes, abandonando sua cultura.
Granada sobreviveu assim : igrejas construídas nos bairros judeus e árabes se misturando a arquitetura moura, vários andaluzes, árabes e judeus convertidos e muitos excluídos na região montanhosa. Cenário mais que favorável para o aparecimento do flamenco na cidade. Por ter sido um reduto de ciganos e árabes, o flamenco aqui nasceu nas “fiestas das cuevas” quando se reuniam sorrateiramente à noite para lembrarem, cantarem, dançarem e lamentarem sua condição de foragidos e excluídos. 
Para sentir Granada, não deixe de ....
§ Subir a “calle” que cotorna Alhambra e o Rio Darro e descobrir o Bairro de Albaicín, até o mirante San Nicholas
§Dedicar um dia inteiro para Alhambra e toda sua extensão.
§Descobrir, sem pressa, Sacromonte, tanto de dia quanto à noite

Seguindo a “Carrera Del Darro”, contornando Alhambra e descobrindo o Bairro ALBAICÍN

Albaicín é a parte bem antiga de Granada, onde se vive em casas com pátios e jardins e de forte influencia árabe. Para conhecê-lo, sugiro caminhar a pé, apesar de ter que subir ladeiras...essa é a melhor forma de observar os costumes e a arquitetura. A pintura branca das casas com seus vasos de flores de gerânios que enfeitam as varandas e paredes externas, dão um tom visual bem típico de uma Espanha antiga. Suba ate o mirante de San Nicholas e a Igreja. Descanse. Sem pressa, fotografe tudo...ouça algum granadino tocar uma guitarra flamenca e admire a imponência de Alhambra.
Em Albaicin tem a escola Carmen Cuevas, onde pela 1ª. vez fiz aula de Flamenco e História. Uma comunidade de pessoas de várias nacionalidades e idades que compartilham dias intensos nas aulas de Espanhol, de Flamenco e História do Flamenco. Nesse caso, sugiro hospedagem no alojamento da escola (que oferece excelentes opções de apartamentos e casas) e assim poder desfrutar o bairro integralmente, pois, não há hotel e pousada por aqui.
Continuando a caminhada pelo bairro, no silêncio das ladeiras e ruelas, abrem-se praças rodeadas de cafés e restaurantes que no verão estão sempre lotados de turistas com aquele burburinho típico. E sempre aparece alguém com um violão flamenco para alegrar ainda mais...e antes de acabar o dia....ao anoitecer...volte ao Mirante San Nicholas...e descubra o céu de Granada.
À Noite, não deixe de conhecer, na Carrera Del Darro o “Le Chien Andalou, local típico de shows flamencos e reduto de artistas famosos da região de Andaluzia.

Viajando nas histórias de ALHAMBRA...
A melhor forma de conhecer Alhambra é passar o dia inteiro sem nenhum outro compromisso. Se possível, tenha em mãos “Cuentos de Alhambra” de Washington Irving e entre uma caminhada e uma descansada, leia e viaje nas suas histórias e lendas que ele escreveu quando morou no Palácio.
 Granada foi governada por muito tempo pela Dinastia Nasrida que fez de Alhambra sua fortaleza/cidade (Medina) com suas muralhas únicas e imponentes que a separavam da cidade. Ali vivia sua população dedicada à Medina e todos tinham acesso ao palácio real, mesquitas, escolas, etc...Já no Império Romano, foi a corte do reino de Granada, e que também servia de refugio para artistas e intelectuais na época. A arquitetura é a expressão da arte islâmica com inscrições árabes e arabescos.
Programe essa visita com antecedência e recomendo comprar os ingressos com antecedência para não enfrentar fila no dia da visita. Geralmente o passeio dura uma média de 4 horas. Sapatos e roupas muito confortáveis são essenciais. Aproveite muito os jardins de Alhambra para um picnic, um descanso e para admirar com a calma necessária toda a extensão da Medina.
Ao sair de Alhambra, contorne a Carrera Del Darro sentido Bairro de Albaicín e presentei-se com um Hammam, banho árabe típico e renovador. Uma experiência inesquecível.
À noite, descubra a praça de restaurantes e bares que tem a vista para encosta de “Alhambra” sua muralha iluminada e se permita esquecer a hora..deixe a madrugada chegar....

SACROMONTE e suas Cuevas…um museu a céu aberto....
Sacromonte está de frente com Alhambra....e suas “cuevas” são típicas moradias de ciganos que viveram por muito tempo com seus costumes preservados. Também foi aqui que os muçulmanos e judeus se refugiaram e receberam abrigo pelo povo cigano e se falava o dialeto “El Calé”, típico da Índia (de onde vieram ciganos). Um lugar preservado que retrata o modelo de vida dos ciganos e povos que viveram ali.
Subir Sacromonte requer muita paciência. O caminho é íngreme e cansativo, mas de uma beleza única. Observe a quantidade de alecrim que cresce aleatoriamente. O alecrim (chamado de Romero em Espanhol) é conhecido desde a antiguidade como uma planta para banho, unção e defumação. Para os ciganos, uma planta de limpeza e proteção. Todo o caminho para Sacromonte é contornado por Alecrim e seu cheiro  exala um perfume restaurador.
Logo no início da subida, tem muitas “cuevas” que são restaurantes e oferecem  shows de flamenco à noite. Vale uma parada para buscar informações de horários e o telefone para reserva.  Experiência única é ver um show de flamenco, estilo “Zambra” festa de origem moura e muito comum entre os ciganos. Recomendo “Venta el Gallo”,  que apresenta  um  show com artistas locais e tipicamente granadinos, um flamenco mais forte, mais rústico, mais doloroso e mais “cigano”.
Seguindo e subindo de dia, passando pelas cuevas, a paisagem começa a se distanciar e quase que se transforma numa pintura. Aos poucos o museu começa a aparecer. Tudo muito preservado. Logo na entrada, você recebe uma orientação sobre a organização do local. Desfrute cada cueva e suas histórias.
Depois de conhecer Sacromonte, certamente, você entenderá porque Granada é um Oásis, uma visão para puro deleite e prazer e porque foi cantada com tanto fervor.

Andrea Pires

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