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31 março, 2013

domingo, março 31, 2013

Rio de Janeiro - RJ – para os amantes da história... Circuito da celebração da herança africana

Morro da Conceição e arredores – Praça Mauá, Saúde e Gamboa
Desafio enorme trazer para o blog um roteiro sobre o Rio de Janeiro, minha cidade Natal. Eu não o conheço com legitimidade para falar. Por isso, convidei minha prima irmã que vive o Rio de verdade e que tem uma paixão avassaladora por história e pela história do Brasil. Então, mantendo meus princípios de “realidade” e “possibilidades” com o blog, faço questão de mostrar o Rio de Janeiro mais que encantador, que ainda vou conhecer, mas que não tem a visibilidade merecida. Será que as pessoas sabem que o Império e seu legado estão na zona norte do Rio de Janeiro? E não estou falando de turismo de gringo em favela pacificada, estou falando da história da Família Real no Brasil, onde tudo começou. É lá, em São Cristóvão e arredores que está a “jóia” da coroa quando se fala da história do Brasil, porque era lá que a vida seguia com suas agruras, culturas mescladas e a formação da nossa sociedade. Esse roteiro é para quem gosta de “viajar”(em todos os sentidos!). Conhecer com quem é de lá, tem um gosto especial: beber na fonte com taça de cristal! Esse tour (de 1 dia) pode ser acoplado a qualquer tempo que você esteja no Rio. Além das maravilhas que já conhecemos e das praias badaladas, fazer esse tour pode ser um encontro com nossas raízes mais distantes...então...boa viagem com Márcia Almeida....
 
“Trabalhei, por muitos anos, no centro da cidade do Rio de Janeiro. Da janela da minha sala, tinha uma visão dos morros da Providência e da Conceição. Já havia visitado o Morro da Providênciae nem sabia o nome do morro que ficava bem na frente do prédio (era o Morro da Conceição). Da janela, sempre via uma espécie de sobrado no alto, cercado por mato e muita sujeira, além de um pedaço de um observatório, no cume. Descobri que na altura desse sobrado, com muros em pedra e uma escadaria enorme, eram feitas as vendas no mercado escravo. Aquelas casas em ruínas e abandonadas, haviam sido um centro comercial de vidas humanas. Soube também que o mar chegava bem perto dali. Era um cais onde ancoravam os navios negreiros e de cargas. Após alguns anos, descobri várias histórias sobre o Morro da Conceição e a que mais me alegrou foi saber que não se tratava de um morro comum, como as chamadas favelas. Sim, lá as ruas são de paralelepípedos e as moradias são pequenos sobrados da época colonial do Brasil. Esse morro é um dos quatro onde se iniciou a colonização da cidade do Rio de Janeiro. Por estarem localizados estrategicamente em pontos que auxiliavam a defesa contra invasores, os Morros do Castelo (onde realmente se iniciou a ocupação da cidade), de Santo Antônio, de São Bento e da Conceição, eram os lugares mais seguros para que a população se alojasse. Área nobre nos séculos XVII e XVIII, o Morro da Conceição teve sua ocupação ligada a ordens religiosas e militares. Sempre fui muito interessada pelas histórias passadas. Comecei nas Grandes Guerras Mundiais, com afã de saber o que se passava na cabeça dos moradores das redondezas dos campos de concentração. Depois meu interesse se voltou para a vida dos escravos negros no Brasil e no mundo. Precisava saber como eram capturados, como sobreviviam ao transporte subumano e como era sua “adaptação” ao trabalho escravo. Com a escolha do Rio para sediar a Olimpíada 2016, começaram as mudanças. Uma delas foi a revitalização da zona portuária, começando pela Praça Mauá e pelo Morro da Conceição. Foi aí que uma porta se abriu para mim.
 
A descoberta do roteiro

Pelo Facebook, indicado por uma amiga/sobrinha (Rosane Nunes), soube de um guia que estava realizando um passeio guiado pelo Morro da Conceição. Convidei minha irmã Regina e fomos ao encontro do César Matos 
(roteirodoporto.blogspot.com/
celular21-6841 3932),
morador do morro e guia registrado. Antes de começar o roteiro, ele se apresentou e nos ofertou uma medalhinha de Nossa Senhora da Conceição, um mimo, que apesar de não ser católica, manterei guardada para sempre.  O circuito começa nas escadas que dão acesso ao morro, na Travessa do Liceu. É aqui que fica o Atelier Gaia - Casa de técnicas e Artes que além dos trabalhos expostos, possui cursos de fotografia e restauro, assim como o  Imaculada - Bar e Galeria, onde se pode saborear delícias, curtir música ao vivo e exposições (onde terminamos a noite, ao som da Roda de Samba do Sant'Anna. Subindo a Ladeira João Homem, nos deparamos com os sobrados, mesmo com alguns bem alterados em sua arquitetura, mas de beleza, simplicidade e encanto... Ali me dei conta de uma das mais belas vistas, onde pude observar, o interessante e belíssimo contraste, entre o atual e o antigo na arquitetura da cidade.  Alguns desses sobrados são ateliês, como o Atelier Paulo Dallier, um dos mais belos e emocionantes trabalhos que vi. Além da atenção e espontaneidade desse artista plástico, nos permite o livre acesso ao atelier que também é sua residência. Destaque para belo visual da Baía de Guanabara e arredores da Praça Mauá em seu terraço. Chegando ao topo do morro, encontramos a Praça Major Valô (ou Praça da Conceição) que é na verdade, um largo. No centro a figura imponente da imagem de Nossa Senhora da Conceição, padroeira do lugar. É nesse largo que fica a abandonada e antiga residência, do rico mercador de escravos, João Homem.
 
 
A história do Morro da Conceição e suas peculiaridades
Antes construída no Morro de São Bento, após a doação da área aos Monges Beneditinos, a ermida dedicada à N. Sra. da Conceição, padroeira de Portugal, é transferida para o morro em frente em 1634, que passa a se chamar Morro da Conceição. Poucos anos depois a ermida e respectiva chácara, de propriedade de um português, são doadas à Ordem do Carmo. Alguns anos depois passa a ser a moradia do bispo D. Francisco de São Jerônimo (cujo corpo foi sepultado no interior da Capela do Palácio), de onde surge o Palácio Episcopal da Conceição.  O edifício foi utilizado como residência até a transferência da sede para outro local No início do século XVIII, após nova invasão francesa, debelada pelas forças de Portugal é iniciada uma “muralha” destinada à defesa da cidade pelo lado de terra. É construída a Fortaleza de Nossa Senhora da Conceição, devido à necessidade de instalar canhões em um local alto o suficiente para varrer com a sua artilharia o trecho da orla marítima que se estendia do Valongo (hoje Av. Barão de Tefé) à Praça Mauá. Essa fortaleza, construída nos fundos do terreno da ermida, descaracteriza a construção anterior. Em 1718, por ordem real, calaram seus canhões para não perturbar os religiosos vizinhos. Ficando dessa forma, conhecida como a única fortaleza, que nunca disparou um tiro de canhão. O “Portão de Armas”, ainda localizado no mesmo local, desde 1718, encontra-se em perfeito estado de conservação. Há ainda necessidade de falar da alta muralha de pedra, com quatro ângulos fortificados e um baluarte em cada ponta. Enquanto caminhávamos dentro da fortaleza, conhecemos um pouco da época religiosa da construção e da sua utilização como área militar. Duas características tão diferentes e distantes, situadas em um mesmo lugar, com um planejamento que não chega a nos fazer sentir como se estivéssemos em dois mundos completamente diferentes. A paz que representa o antigo Palácio Episcopal, e a guerra representada nas fábricas de armas e nas masmorras onde estiveram aprisionados representantes da Inconfidência Mineira, são bem dispostas de forma a não causar nenhum tipo de sensação ruim à nós. A antiga Capela, ainda preservada, hoje é a Biblioteca do local. E existe um pequeno museu cartográfico, com detalhes do início desse serviço no Brasil. FOTO 17/18/19. Tanto eu como minha irmã Regina, nos sentimos bem emocionadas, principalmente quando entramos na masmorra onde esteve, comprovadamente, o último prisioneiro do tempo da Inconfidência Mineira, Thomaz Antonio Gonzaga , que dizem por amor, escreveu em suas paredes um trecho do poema Marília de Dirceu
“Por morto, Marília, aqui me reputo: Mil vezes escuto o som do arrastado, e duro grilhão. Mas, ah! Que não reme, não treme de susto o meu coração. A chave lá soa na porta segura; abre-se a escura, infame masmorra da minha prisão. Mas, ah! Que não treme, não treme de susto o meu coração. Já o Torres se assenta; carrega-me o rosto; do crime suposto com mil artifícios indaga a razão. Mas, ah! Que não treme, não treme de susto o meu coração. Eu vejo, Marília, a mil inocentes, nas cruzes pendentes por falsos delitos, que os homens lhes dão. Mas, ah! Que não treme, não treme de susto o meu coração. Se penso que posso perder o gozar-te, e a glória de dar-te abraços honestos, e beijos na mão. Marília, já treme, já treme de susto o meu coração. Repara, Marília, o quanto é mais forte ainda que a morte, num peito esforçado, de amor a paixão. Marília, já treme, já treme de susto o meu coração.” 
Voltamos à Praça Major Valo, aonde chegamos à famosa Rua do Jogo da Bola cujo nome tem várias explicações: relativos aos escravos que se divertiam acorrentados a uma bola, ou um jogo de “bocha”, praticado pelos moradores portugueses..., vai saber! Essa rua tem uma magnífica vista da região portuária, acompanhando a muralha de pedra da Fortaleza da Conceição. E nos deparamos com mais um conjunto de casas antigas, com suas semelhanças aos tradicionais bairros de Portugal. Apesar das transformações urbanas ao seu redor, o Morro da Conceição permanece como lugar de moradia, nos fazendo sentir no interior, em plena cidade grande. Algumas com as datas de construção ainda em destaque, outras com pequenas modificações, mas uma em particular chamou a atenção de minha irmã Regina. As telhas do beiral. Quando ela me chamou não acreditei no que estava vendo. Telhas pintadas em tons de azul, combinando com a cor da casa. Fiquei sabendo que essa era uma casa de senhores portugueses de posses, pois esse tipo de telha era encomendado pelos moradores. Outro mimo doce e agradável foi a paradinha na casa do nosso guia, para recarregar nossas energias. Um lanche da tarde, embaixo do pé de graviola e com a vista do porto, bastante agradável. 
Seguimos pela Rua do Jogo da Bola, e paramos na pequena capela em homenagem à Nossa Senhora da Conceição,construída no topo do morro, em 1590, pela devota Maria Dantas. Ao final uma pracinha, com uma bela vista, onde o clima interiorano nos faz desejar ainda mais morar por ali. Depois fomos ao Observatório do Valongo, inaugurado em 1924, sede do Departamento de Astronomia da UFRJ. Foi então que, na curva para a entrada do observatório, me deparei com a paisagem onde podia ver o prédio no qual trabalhara por tantos anos e a sala de onde observava aquele local, com tanta curiosidade. Foi meio que um choque. Tudo muito diferente.   
 
E a história viva, impregnada e com o choro do samba...
Então começou a parte que realmente mais me emocionaria. Não que nada já visto até aqui, tivesse passado em branco, até porque acho que detalhei em minhas impressões e emoções.  Mas descer as escadarias em direção ao ponto em que me referi no início do “post”, onde me embevecia só de imaginar aquele local em sua plenitude, estava sendo muito especial para mim. Eis que chegamos a parte alta do “Jardim Suspenso do Valongo”.  E eis uma foto, do que eu costumava ver, e do que estava vendo naquele momento. Claro que é um trabalho possível, mas da janela do prédio ao fundo, eu nunca imaginei que veria esse lugar tão lindo! Esse jardim fica, exatamente, em um ponto em que era feito o mercado de escravos, no século XIX, mas foi inaugurado em 1906, com o alargamento da Rua do Valongo. Ao lado dele ainda existe um casarão em ruínas, que foi pintado por Debret, e a praça onde antigamente era realizado o comércio, sendo extinto oficialmente, em 1831.  No jardim, passeava a nata da sociedade brasileira, e faziam parte desse jardim, a Casa da Guarda e o Mictório Público. 
 
Descemos mais uma escadaria, seguindo ao local que já foi o “Cais do Valongo”, e também posteriormente chamado, o “Cais da Imperatriz”. O “Cais do Valongo”, construído em 1811 para substituir o desembarque e comércio de africanos na atual Praça XV, região central da cidade. Em 1843, foi remodelado com requinte para receber a Princesa Teresa Cristina, noiva do futuro Imperador D. Pedro II, e passou a se chamar “Cais da Imperatriz”. Com as reformas da cidade no início do século XX, o cais foi aterrado em 1911. Um século depois, em 2011, as obras de reurbanização do Porto Maravilha permitiram o resgate do sítio arqueológico, agora monumento preservado e aberto, para nossa alegria. Do cais seguimos em direção ao “Largo de São Francisco da Prainha”. É um local de especial importância para a cultura negra carioca e para os amantes do samba e do choro. Pode ser considerada como o núcleo simbólico da região chamada de Pequena África, que era repleta de casas coletivas ocupadas por negros escravos e forros. Nesse local foi inaugurado em 2009 o Restaurante Angu do Gomes o famoso "carioca/aportuguesado angu" do Rio de Janeiro, desde a década de 50, quando várias barraquinhas se espalhavam pelas praças da cidade e viraram um ícone da noite e da boemia.
 
 
Ali se localiza a famosa “Pedra do Sal”, onde se reuniam, no séc. XX grandes sambistas do passado, como Donga e Pixinguinha. A "Pedra do Sal" possui esse nome, porque era
descarregado na rocha por africanos escravizados no século XVII. Os degraus foram esculpidos para facilitar o trabalho de subir na pedra lisa. A partir da segunda metade do século XIX, estivadores se reuniam no local para cantar e dançar. Dali, os moradores saudavam os navios que chegavam da Bahia com familiares e amigos. A Pedra do Sal era, para migrantes, o que é hoje o cristo Redentor para os recém-chegados ao Rio: o primeiro abraço e o primeiro sentimento da cidade. Os moradores e seus migrantes eram predominantemente negros baianos retornados da Guerra do Paraguai  ou em busca de melhores condições de vida. Lá, se encontraram as célebres tia, pretas forras e suas "pensões", onde o batuque e o jongo se transformaram em partido alto. Os negros e suas tias participaram dos principais eventos da cidade como a Abolição, a Revolta da Armada, as greves, a Revolta da Chibata e outros. A Pedra do Salé um monumento religioso do povo carioca. Na virada do século era cheia de templos afro-brasileiros, e se faziam despachos e oferendas. Na Pedra do Sal, surgiram os primeiros ranchos carnavalescos, afoxés e rodas de samba. E em quem eu e minha irmã pensamos logo? Nosso pai, Waldemar, funcionário do porto e que provavelmente passou muitos plantões curtindo um samba naquele local. Hoje podemos curtir várias rodas de samba no local, tanto na Pedra do Sal, como no Largo da Prainha. Durante o período de carnaval desfila o “Bloco Escravos da Mauá”, criado em 1993.
De lá seguimos para a Igreja São Francisco da Prainha. O mar chegava quase até a orla do Morro da Conceição, com uma extensa, mas estreita, faixa de areia, onde os pescadores amarravam as suas embarcações, daí o nome de Prainha. A igreja começou a ser construída em 1696, mas apenas em 1738, acapela achava-se inteiramente pronta. Do lado de fora tem estilo barroco, os cantos são de pedra e seu interior é de estilo gótico. Estava chegando ao fim nosso passeio guiado, ainda nos restando uma passada na portaria do primeiro arranha-céu da América Latina, inaugurado em 1930, o “Edifício A Noite”, que abrigou o jornal "A Noite" e hoje é reconhecido por ser sede da Rádio Nacional, aquela da "Era do Rádio" . Dentro deste circuito ainda existem dois lugares que devem ser visitados, como o “Centro Cultural José Bonifácio” que foi o primeiro colégio público da América Latina, cujo palacete fica na Rua Pedro Ernesto nº 80, na Gamboa, é um centro de referência da cultura afro-brasileira. E na Rua Pedro Ernesto nº 32, o “Instituto Pretos Novos (IPN)”, o maior cemitério de escravos das Américas.
Deixo aqui um convite, não apenas para os turistas de fora da cidade do Rio de Janeiro e de outros países, mas aos moradores, que não conhecem essas maravilhas, que visitem esse pequeno paraíso com cara de interior e seus arredores com toda a história da cultura africana no Brasil. Aproveite os passeios guiados, como esse que fiz com minha irmã. E curta um pouco dessa parte da cidade do Rio de Janeiro,  que costumava ficar de fora dos roteiros turísticos. Quem sabe, como eu, ir brincar em um “Bloco de Sujo”, em pleno Morro da Conceição, no carnaval...
Inspirar é isso. Descobrir no seu mundo e no seu espaço a riqueza de uma paixão e a nostalgia de raízes...belíssimo exemplo de cultura e ânsia pelas pequenas coisas da vida...obrigado prima irmã...meus poucos anos no Rio (nasci no Rio, mas saí de lá em 1978) me deixou essa vontade louca de desbravar minha história....
 

07 janeiro, 2013

segunda-feira, janeiro 07, 2013

Viajar nos Livros, um bom começo !

Começando o ano e refletindo sobre os próximos passos, me deparei com um acervo pessoal de mais de 250 titulo lidos e devorados que, de uma forma ou de outra, estiveram comigo em viagens, ou me inspiraram a fazer viagens ou ainda foram as próprias viagens em tempos difíceis. Não tenho a pretensão de listar melhores livros e nem os mais inteligentes, mas separei aqui alguns que fazem parte da minha formação literária (mesmo os romances sem nenhum compromisso científico) e que me fizeram sonhar.....São histórias distintas por natureza que me emocionaram em momentos unicos. Acredito que nos livros damos um primeiro passo para conhecer o mundo...e é nos livros que acalentamos nossas angustias, acalmamos nossos medos, comemoramos nossas alegrias e compartilhamos com quem admiramos...um aprendizado contínuo e eterno.
O que desejo para 2013? Uma boa viagem! Para dentro de mim e para outras culturas pelo Brasil e pelo mundo.....
Paixão índia – Javier Moro
Ahhhh...a encantadora história de Anita Delgado, uma andaluza bailarina que se transformou em princesa na Índia. Comprei esse livro para continuar sonhando em conhecer a Índia (e ainda não foi possível!). Essa andaluza foi desposada por um marajá indiano que de tão apaixonado, construiu um palácio e a transformou em princesa. Mas Anita não era sua única mulher e isso trouxe ciúmes e conspirações que transformaram sua vida. Apesar do amor incontestável, o choque cultural entre oriente e ocidente e os costumes tornam esse livro dramático. Anita tinha muita solidão, mesmo tentando aprender a cultura e fazer parte de um mundo tão diferente. No decorrer da vida, o que começou com a paixão ardente e muito sensual, desgastou-se e a solidão foi implacável....uma história belíssima que vale continuar sonhando em ir á Índia.
Madalena – Herculano Pires
Meio estranho falar desse livro (que é espírita) sobre Madalena, tenho alguns livros sobre a vida dela, mas elegi esse! Não tenho pretensão de levantar questionamentos religiosos, apenas me reservo o prazer de conhecer as muitas histórias sobre essa linda mulher. Não importa o que é verdade ou não. Para mim, o que vale é consistência da leitura e seu encantamento. O mistério de Madalena sempre está presente na mente feminina e uma boa leitura como essa pode levar a um mundo desconhecido ou irreal. Esse livro me inspirou a conhecer seus caminhos que levam para vários lugares. Onde ela viveu? Como viveu? Em todas as leituras que fiz sobre ela, tem um caminho que é comum: A França!...quem sabe um próximo roteiro....
A Dançarina e o Rubi – Barry Unsworth
Comprei esse livro no aeroporto com destino à Turquia. Um romance para embalar o desconhecido. E foi uma grata surpresa, pois a história se passa durante o reinado dos reis normandos, na Sicília do século XII, romanos, gregos, árabes e judeus onde todos viviam em harmonia. A história é sobre um jovem que trabalha para um muçulmano e que acaba sendo envolvido numa conspiração contra o rei. Durante esses conflitos, ele reencontra uma antiga paixão e conhece a misteriosa e sensual dançarina Nesrin. Um homem atormentado pelo amor e pela paixão. Imagina ler esse livro na paisagem da Turquia!!!!


O Retorno – Victoria Hislop
Um presente e que me inspira a pensar num futuro. Esse livro fala de Sonia Cameron que começa suas férias na Espanha, em Granada, deixando uma vida programada em Londres com um marido previsível. Uma vida árida, sem emoção.Ela conhece um senhor, dono de um café em Granada, que torna-se um grande amigo e passa a contar a ela uma história tensa e dura sobre a Guerra Civil Espanhola e alguns personagens locais encantadores e marcantes de uma mesma família que se dividem nas ideologias políticas, à medida que a Guerra destrói lares e cidades. Um desses personagens se refugia na paixão pelo flamenco e o destino se encarrega de transformar a vida dessa personagem, que reflete na vida de Sonia. Uma preciosidade que remete a um resgate histórico lindíssimo da Guerra Civil Espanhola com o desenrolar de uma vida sem emoção, e, claro...na cidade de Granada...e não tem uma vez que quando estou lá não me lembre desse livro!
Vivir para Contarla – Gabriel Garcia Marquez
Eu comprei esse livro na minha viagem para o Chile, em Santiago, mais pela curiosidade do que gosto. Que grata surpresa, pois fala da história de Garcia Marquez entre 1927 e 1950, uma narrativa sobre sua infância e vida. Conhecendo a vida de um escritor, a gente entende seus livros, seus medos e anseios. A vida real está refletida nas suas obras e esse livro faz uma ponte muito clara sobre isso. Uma leitura engraçada e forte.

La Isla Bajo el Mar – Isabel Allende
Isabel Allende me conquistou definitivamente. E esse livro me abriu a mente para conhecer Cuba e arredores, assim como New Orleans (estão na wish list). Apesar de ser um romance, a autora tem compromisso com as questões históricas. Narra a vida de uma escrava em Santo Domingo, que se chama Zarité que serve com seu corpo e sua vida a um fazendeiro sórdido e avarento. O caminho para a liberdade é árduo e sem esperanças, mas ao ser levada para New Orleans, uma nova etapa e novas descobertas, emolduradas pela formação de uma nova sociedade. Emocionante e contagiante, sem falar que é uma visão da escravidão bem parecida com o que vivemos no Brasil.
La Suma de Los Días – Isabel Allende
Uma preciosidade esse livro porque, diferente de seus romances, é a história de vida de Isabel Allende, depois da morte de sua filha, já vivendo na Califórnia. Narrativa franca, engraçada e cheia de passagens que poderiam ser na nossa família. É surpreendente ver o seu amadurecimento após a perda e sua predisposição em viver um grande amor. Uma história de família, brigas, encontros, decisões e partidas, sempre com o tom irônico da autora.
1813 – 1829 – Paulo Setúbal
A história do Brasil tem nuances maravilhosas que fogem dos livros escolares. É importante aprender o básico, mas depois de um tempo, temos obrigação de entender nossas raízes que definiram nossa cultura. Que D.Pedro I era um “Dom Juan” declarado, todos sabemos. Que a Marquesa de Santos ficou conhecida como a amante eleita, também é fato. Que a Leopoldina passou o pão que o diabo amassou nas mãos de D.Pedro I, também é de conhecimento geral. Mas a influência que a amante teve nas decisões políticas nesse período, é mais que surpreendente. D.Pedro I demonstra a omissão e, ao mesmo tempo, a impulsividade nas questões amorosas e políticas. Ele não conseguia separar as coisas. Uma história forte e amargurada, mas que (de alguma forma) explica alguns estereótipos que existem no Brasil.
A Carne e o Sangue – Mary Del Priore
Para continuar a entender melhor a vida da Marquesa (Domitila), eu conheci esse livro que retrata a convivência de D.Pedro I com a esposa que era responsável pela linhagem real e lealdade ao império e a amante que proporcionava prazer. Aqui tive a chance de ter a visão da mulher esposa que enfrentou tanta dificuldade para manter-se casada. A descrição de uma vida complicada e cheia de remorsos. Esse triangulo amoroso escandalizou e faz parte de nossa história. Nesse livro entendi melhor a cultura do Rio de Janeiro e a formação da sociedade de São Paulo.
Os Segredos da Capela Sistina – Benjamin Blech e Roy Doliner
Lamentavelmente li esse livro depois da viagem que fiz à Itália. Nessa viagem, encantei-me com o Renascimento e me surpreendi com o Vaticano. Em 'Os segredos da Capela Sistina', a história é uma defesa de que Michelangelo teria inscrito nos afrescos da Capela Sistina mensagens que permaneceram ocultas por mais de cinco séculos. Ressalta o conflito do artista com o poder da Igreja e suas convicções religiosas. O livro mostra detalhes sobre a Capela Sistina com mensagens antagônicas à doutrina cristã. O pintor não utilizou nenhuma figura cristã na Capela, retratando personagens da Bíblia Hebraica. Uma verdadeira aula sobre as motivações do artista, os anos de formação intelectual e o fascínio pela cultura judaica.
Não é só de história que vivo! Gosto de conhecer coisas simples e esse livro me chamou a atenção porque pretendo voltar em Paris e quero entender melhor essa cultura cosmopolita descompromissada pela qual as mulheres de lá são famosas. É divertido, mas não acho que seja um manual. As mulheres francesas são famosas pela beleza, elegância e simplicidade emocional, diferentes de nós, brasileiras, que somos por natureza, passionais! O que mais me chamou a atenção no livro é a autoconfiança. Morro de inveja!!! Um livro para descomplicar e divertir!
Um lugar na Janela – Martha Medeiros
Esse foi o ultimo que li, entre o Natal e o Ano-Novo (2012/2013). Martha Medeiros narra de uma forma muito simples suas viagens, cujo enfoque é a experiência pessoal. Parece um diário e para minha grata surpresa, a vivência dela no Marrocos e Istambul foi muito parecida com a minha. É um livro para inspirar, até porque, todos os relatos foram experiências vividas. Para quem quer viajar...é uma boa inspiração.

05 setembro, 2012

quarta-feira, setembro 05, 2012

ARAXÁ.... para pequenos deleites!

Sem nenhuma ambição de planejamento para o roteiro, me permiti essa pequena “fuga” do dia-a-dia e fui surpreendida pela riqueza cultural e prazer.  Uma imersão num pedaço da história do Brasil, desfrutando de regalias e deleites a preços justos.
Em Araxá-MG, o Tauá Grande Hotel oferece um serviço ímpar em simpatia, qualidade, criatividade, gastronomia e localização. Uma atração peculiar com muito bom gosto que incita do mais puro ócio aos melhores cuidados com a beleza e saúde. A TAM  tem voos para Araxá, mas eu fiz esse percurso de carro, saindo de Brasília. Araxá fica a uns 400 km de Belo Horizonte. Sugiro aproveitar feriados prolongados ou ter mais do que um fim de semana e como ótima escolha, recomendo  3 dias de permanência. O Tauá Grande Hotel é um resort muito famoso pelas Termas de Araxá e, por isso, tem preços de resort. Percebi que por não ser praia, o preço reflete exatamente a estrutura e a qualidade de serviços que oferecem. Uma observação especial sobre as acomodações, dignas da família real, com mobiliários e arquiteturas antigos, porém de uma conservação e luxo impressionantes. Senti-me hospedada num castelo.

Um pouco da história....D. Beija, a maior cortesã que o Brasil conheceu....
D.Beija é uma lenda contada por muitos e de muitas formas. Viveu no século XVIII. Foi interpretada e imortalizada pela magnífica Maitê Proença numa telenovela, projetando para o Brasil sua história.
Considerada a alegria dos homens e o pavor das mulheres...foi a maior cortesã que o Brasil conheceu. Beija foi raptada pelo ouvidor do rei, desgraçando sua vida e seu grande amor que ficou em Araxá. Por dois anos viveu como amante do Ouvidor, quando se transforma numa cortesã em sinal de vingança. O “tal” a abandona quando se transfere para a Corte em Portugal e Beija, já como cortesã conhecida, decide voltar para seu amor em Araxá. Como o tempo é cruel, seu amor estava casado. Ela então promete não amar a nenhum outro homem e funda a Chácara do Jatobá, um bordel que além de ter se transformado em mito, escandalizou as famílias mais conservadoras de Araxá. Sua fama varreu o Brasil, e muitos homens vinham de longe para se deitar com Beija e descobrirem seus encantos e beleza. Sem conseguir esquecer o amado, manda matá-lo, mas foi absolvida de seu julgamento, graças aos amigos. Desiludida, deixa Araxá, se mudando para Bagagem (hoje Estrela do Sul) onde chegou a tocar garimpo e ganhou muito dinheiro com os diamantes.
 


A viagem tornou-se especial já no início, imaginando a vida dessa mulher marcante que é um pedaço da nossa história no Brasil. Observando a estrada, as paisagens são diferentes para quem vive na cidade e as paradas engraçadas retratando bem o interior do país e a simplicidade do homem do campo. Aproveitei para experimentar e relembrar as comidinhas de estrada, ouvir as conversas no balcão das lanchonetes e observar os costumes...e assim a viagem foi ficando colorida....fui transformando uma pequena viagem, numa grande experiência....
Chegando no Hotel, a vista não alcança a grandiosidade dessa arquitetura inspirada nas antigas construções coloniais dos países espanhóis...a recepção lindamente ornamentada, mostra a imponência da história. É de uma delicadeza e aconchego, tal qual o atendimento das pessoas que recebem cada visitante num tom “familiar”.
Os salões, lustres de cristais, vitrais maravilhosos e as janelas com vistas para os jardins são um espetáculo à parte. As terraças merecem ser visitadas à noite por oferecerem uma visão “hollywoodiana” da paisagem noturna iluminada. Muita coisa perdida nessa região e muitos “causos” deveriam ser histórias e não lendas.
O Grande Hotel foi inaugurado em 1944 por Getulio Vargas, tem os jardins de Burle Marx, os mais lindos que já vi. Todos os presidentes estiveram lá por algum motivo e muitas destas salas presenciaram importantes decisões políticas.  Oferece uma gama de restaurantes com uma culinária local (de minassssss) bem peculiar, “vintage” e até meio “démodé”, mas que dão um ar elegante ao local. Me encantei pelo piano bar que funciona à noite com uma decoração meio anos 50 e um teatro com atrações especiais. E para desfrutar da noite e entrar no clima que o ambiente oferece, um drink “D.Beija” pode ser servido na varanda fora dos restaurantes. Além de café da manhã, almoço e jantar...o hotel oferece o chá das 5, delicadeza que tem seu valor.  A paisagem é de uma beleza indescritível, construída por Burle Marx. Podemos desfrutá-la com uma corrida ou caminhada, bem como em passeios pelo jardim para  fotos ...e fiz isso com minha mãe...uma flor, no meio de tantas...e que pela moldura da paisagem, não dava para ficar sem fazer uma pose. 


Além disso, o Hotel oferece trilhas, caiaque, arco e flecha, quadra, tênis, cavalos, charretes...passeios históricos na redondeza, cuja atração é a fonte D.Beija, chamada antigamente de Fonte da Jumenta. E na frente do hotel, uma Igreja perfeita para um momento de reflexão. Vale muito programar visita ao Museu de D.Beija e conhecer um pouco os costumes do Brasil Colonial e sua história. O museu fica num sobrado onde viveu a cortesã, na Praça Matriz. Foi criado por Assis Chateaubriand, quando se encantou com sua história. Como são poucos documentos que comprovam sua existência, esse museu mostra fotos de seus filhos, alguns objetos pessoais e documentos de propriedades. Beija nunca deixou retratar-se e a beleza ainda hoje penetra no imaginário masculino....
 

Termas e Massagens .....todas merecemos um dia de Beija.....
As termas são o ponto alto. Famosas pelos banhos terapêuticos e embelezadores.
Conta a lenda sobre a “Fonte da Jumenta”, cuja água concedia juventude, saúde e beleza era o local que D.Beija banhava-se todos os dias. Aproveitando a mágica do local, fiz um programa completo com banhos e massagens.  O Hotel é ligado por um túnel direto às termas, cuja história é muito bem contada pelo guia, em tour para grupos de turistas. Esse local foi utilizado como “hospital” para tratamentos medicinais. Hoje, é um SPA indicado para aliviar o stress do dia-a-dia com banhos terapêuticos e massagens. Dizem que os banhos de lama curam artrite, problemas de pele e inflamações.
No hall de entrada das termas, um local para descanso. No alto, um painel retratando todos os banhos da história do mundo contornando-o e no teto, o vitral perfeito. Descansado nas “chaises” pessoas esquecem o tempo ali, entre uma massagem e outra. Os banhos de lama negra (terapêuticos) são feitos em locais onde foram leitos de tratamento, em banheiras antigas, cujo cenário seria amedrontador se não fosse a delicadeza das atendentes e a decoração do local, com uma musica bem suave.
A massagem foi um capítulo à parte. Optei em fazer com um deficiente visual como uma nova experiência. O toque desse massagista foi diferente de outros, pois ele precisava conhecer, pelo tato, a estrutura do meu corpo. Qual foi minha surpresa quando ele, rapidamente e sutilmente, identificou os pontos de dores e tensões.  Eu, já entregue ao relaxamento, eis que ele me pergunta de sobressalto se meus olhos eram verdes...no susto de ser surpreendida...retruquei... “ué! por que?” E ele me diz com muita certeza que nem tive coragem de contestar, “pelo contorno de seu rosto e a forma dos cabelos, seus olhos devem ser esverdeados...” e me lembrei da tão conhecida frase atribuída a Antoine de Saint-Exupéry ...Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos....e aquele deficiente (?) me pareceu enxergar com o coração sem saber o que era belo ou não, sem receio de expor sua sensibilidade e convicção! Quantas pessoas dotadas de olhos sadios não conseguem ver uma pequena beleza ou qualidade no “outro”? e a partir daquele dia, meus olhos ficaram verdes, para mim e para ele.

23 agosto, 2012

quinta-feira, agosto 23, 2012

MARROCOS – PARTE II - MARRAKECH - O lugar mais exótico e diferente que já vi.....


Chegamos...os olhos brilhavam...o coração pulava....a cidade fervia e numa primeira volta decidi que faria outras viagens até Marrakech para o resto da vida. Me identifiquei e me apaixonei. O Hotel que fiquei foi o Marrakech Atlas Asni, uma atração especial que, além de belíssimo, possui um Hamman ousado e imperdível. Como nos tempos antigos, uma pessoa literalmente “te banha”, com direito a uma esfoliação total e os cabelos lavados delicadamente...e depois...uma massagem para finalizar o Hamman....quando terminei, não conseguia achar o elevador para o quarto, tamanho era meu transe! Marrakech tem encantos e vida próprios e se sobrepõem às demais cidades. Começamospela Torre Koutoubia, irmã gêmea da Giralda de Sevilha que foi construída pelo sultão Yacoub el Mansour. O nome vem do árabe al-Koutoubiyyin, que significa bibliotecário ou livreiro, pois aqui ficavam os vendedores de manuscritos/livros antes da Mesquita.
Passagem obrigatória pelas Tumbas Saadianas do final séc. XVI. Tudo isso no centro da cidade.  Uma grande surpresa foi conhecer o Palácio Bahia, construído no fim sec.XIX em estilo árabe-andaluz/marroquino. O seu nome significa "brilho". Ahmed ben Moussafoi um  escravo que ascendeu socialmente e viveu nesse palácio com 4 esposas e 24 concubinas. Está localizado na parte antiga da cidade, perto do bairro judeu.  Quando Ahmed ben Moussa morreu em 1900, o palácio foi saqueado pelos próprios  escravos e suas mulheres, restando apenas o edifício que hoje é propriedade do Estado.
Chegamos à famosíssima Praça Jemaa El Fna, onde tudo acontece no coração da cidade. Considerada Patrimônio Imaterial da Humanidade, a praça fica na entrada da Medina e ali acontecem espetáculos, comércio, encontros, encantadores de serpentes, vendedores, dançarinos, cantores, acrobatas, além das barracas com as comidas típicas que ficam tumultuadas no início da noite. A praça é imperdível e resume bem o que é Marrakech. Seu nome “Praça Jemaa El Fna (ou Djemaa el-Fna)” vem da tradução de “Assembleia dos Mortos”, pois já foi local onde criminosos eram executados e suas cabeças expostas como exemplo.  Foi aqui que conheci a farmácia de produtos naturais, o Argan sendo produzido de forma artesanal, as barracas de frutos secos, as tatuagens de hennas, as roupas bordadas, as pashiminas, as bijôs árabes cheias de brilho. Foi aqui que mergulhei nas compras e na gastronomia....Não consegui ficar à vontade com a prática dos encantadores de serpentes (questões pessoais). Pode-se fotografar tudo, mas com um preço. A Praça merece um dia inteiro para ser visitada, incluindo dia e noite, pois são momentos bem distintos. 










E para finalizar em grande estilo, uma tradicional noite berbere (Os Berberes são os povos primitivos que foram dominados pelos muçulmanos e ainda hoje representam 50% da população) com direito a jantar e apresentações típicas. Recomendo para quem visita o Marrocos pela 1ª. vez e ter a chance de conhecer o “folclore” marroquino berbere. Somente nesse jantar consegui tomar algo com “álcool”....










MARROCOS – MEKNES...um pequeno descanso no caminho...

Realmente uma passagem adorável... Sofreu com o terremoto de Lisboa 1755. A cidade tem 9 portas (chamadas em árabe de babs) que dão acesso à velha cidade. A maior e mais bela do Norte da África é a Bab El Mansour, construída em 1732 pelo Sultão Moulay Ismail fundador da dinastia alauíta, descendente de Maomé. Seguimos para o Mausoleu de Moulay Ismail que mais parece um palácio colorido e com uma riqueza dignas de sua dinastia. A morte, em todos os mausoléus que visitei, é retratada com luxo e poder, como se esses reis/sultões fossem enviados e mensageiros diretos de Deus.

MARROCOS – FEZ...um grande final...
 
Finalmente, Fez, onde nos hospedamos no Hotel Fez Menzeh Zalagh Hotel , localizado na parte nova da cidade. Apesar de ser uma área moderna, tive que ter muito cuidado com o meu comportamento e gestual...até poderia caminhar sozinha nessa região, mas observei que os homens percebiam rapidamente que eu era diferente. Em Fez começou a 1ª. dinastia muçulmana com Moulay Idriss I (refugiado político e alauíta), em 790 DC e a cidade acolheu muitos vindos da Espanha expulsos pela Igreja Católica. Também é considerada um centro religioso e de estudo aberto ao mundo. Foi a cidade que Gloria Perez  escolheu para a trama da novela – O Clone. Foi assim que conhecemos as diferenças culturais e sociais que impediam o amor impossível da Jade (uma marroquina) com o um brasileiro. A novela impulsionou o turismo local e a população do Marrocos demonstra uma gratidão especial ao Brasil. 









Fez está dividida - Fes el-Bali -  a parte mais antiga e a mais visitada por turistas e Fes el-Jdid – a parte "nova" do século XIII, onde fiquei hospedada. Fes el Bali, essa grande Medina, muito provavelmente do século VIII, tem seus bairros com a estrutura original : uma Mesquita, um Hamman, Medersas, padaria publica e fonte de água potável. Conhecemos uma Medersa (escola de corão), que tem à sua frente o relógio d’água que apontava horas com precisão e ninguém sabia como. Caminhamos um dia inteiro para conhecer o cotidiano dessa Medina. Visitamos Medersa, Mesquita, o bairro judeu, paramos para comprar pão numa padaria publica (um pão equivale a 1 centavo!), tivemos um guia local adorável que nos proporcionou um conhecimento geral sobre a vida numa Medina.e não ecnomizou no bom humor. No caminho das estreitas ruas, dividimos com animais de transporte, crianças indo para escola, idosos olhando o tempo.....além de gastarmos os últimos DIRHANS....pois seria nossa ultima parada para compras. Imperdível a visita numa fábrica de tecidos cuja matéria prima vem da planta que conhecemos como AGAVE. Visitamos um curtume, onde trabalhadores tratam as peles de animais em grandes reservatórios de tintas coloridas. Do terraço pode-se observar a produção e ainda adquirir produtos na própria loja. Achei importante ter um guia local, pois é labiríntica e poderíamos nos perder facilmente.

E já com saudade de tudo isso, fechamos a noite com um agradável e emocionante jantar árabe entre amigos e nos despedimos do Marrocos.
Por mais incompreensível (para nós ocidentais) que seja o islamismo, seus princípios são simples e fáceis de serem assimilados e entendidos. Não refletem a visão distorcida que vemos diariamente nas ações de radicais disseminadas pelos canais de comunicação. São princípios universais adotados por uma religião...que tem um líder e que é legitimada.....os princípios islâmicos são parecidos em sua essência com os princípios cristãos (resguardando as diferenças sobre Deus), não esquecendo que Jesus Cristo é considerado um profeta pelos muçulmanos:
o   Shahaada : só existe um único Deus e Maomé é um mensageiro.
o   Salaat : 05 preces diárias
o   Soum : Jejum durante o Ramadã
o   Zakaat : das esmolas ao pobre
o   Haj : peregrinação à Meca

E assim, deixo aqui mais uma preciosidade que considero uma dádiva recebida de Deus, qualquer que seja Ele: Muçulmano, Judeu ou Cristão. O Marrocos abriu minha mente para respeitar e aceitar as diferenças culturais e a África me fez entender melhor a nossa cultura e nossa ancestralidade. Salaam Aleikum.....que a paz esteja sobre vós.....

Andrea Pires

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