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07 janeiro, 2013

segunda-feira, janeiro 07, 2013

Viajar nos Livros, um bom começo !

Começando o ano e refletindo sobre os próximos passos, me deparei com um acervo pessoal de mais de 250 titulo lidos e devorados que, de uma forma ou de outra, estiveram comigo em viagens, ou me inspiraram a fazer viagens ou ainda foram as próprias viagens em tempos difíceis. Não tenho a pretensão de listar melhores livros e nem os mais inteligentes, mas separei aqui alguns que fazem parte da minha formação literária (mesmo os romances sem nenhum compromisso científico) e que me fizeram sonhar.....São histórias distintas por natureza que me emocionaram em momentos unicos. Acredito que nos livros damos um primeiro passo para conhecer o mundo...e é nos livros que acalentamos nossas angustias, acalmamos nossos medos, comemoramos nossas alegrias e compartilhamos com quem admiramos...um aprendizado contínuo e eterno.
O que desejo para 2013? Uma boa viagem! Para dentro de mim e para outras culturas pelo Brasil e pelo mundo.....
Paixão índia – Javier Moro
Ahhhh...a encantadora história de Anita Delgado, uma andaluza bailarina que se transformou em princesa na Índia. Comprei esse livro para continuar sonhando em conhecer a Índia (e ainda não foi possível!). Essa andaluza foi desposada por um marajá indiano que de tão apaixonado, construiu um palácio e a transformou em princesa. Mas Anita não era sua única mulher e isso trouxe ciúmes e conspirações que transformaram sua vida. Apesar do amor incontestável, o choque cultural entre oriente e ocidente e os costumes tornam esse livro dramático. Anita tinha muita solidão, mesmo tentando aprender a cultura e fazer parte de um mundo tão diferente. No decorrer da vida, o que começou com a paixão ardente e muito sensual, desgastou-se e a solidão foi implacável....uma história belíssima que vale continuar sonhando em ir á Índia.
Madalena – Herculano Pires
Meio estranho falar desse livro (que é espírita) sobre Madalena, tenho alguns livros sobre a vida dela, mas elegi esse! Não tenho pretensão de levantar questionamentos religiosos, apenas me reservo o prazer de conhecer as muitas histórias sobre essa linda mulher. Não importa o que é verdade ou não. Para mim, o que vale é consistência da leitura e seu encantamento. O mistério de Madalena sempre está presente na mente feminina e uma boa leitura como essa pode levar a um mundo desconhecido ou irreal. Esse livro me inspirou a conhecer seus caminhos que levam para vários lugares. Onde ela viveu? Como viveu? Em todas as leituras que fiz sobre ela, tem um caminho que é comum: A França!...quem sabe um próximo roteiro....
A Dançarina e o Rubi – Barry Unsworth
Comprei esse livro no aeroporto com destino à Turquia. Um romance para embalar o desconhecido. E foi uma grata surpresa, pois a história se passa durante o reinado dos reis normandos, na Sicília do século XII, romanos, gregos, árabes e judeus onde todos viviam em harmonia. A história é sobre um jovem que trabalha para um muçulmano e que acaba sendo envolvido numa conspiração contra o rei. Durante esses conflitos, ele reencontra uma antiga paixão e conhece a misteriosa e sensual dançarina Nesrin. Um homem atormentado pelo amor e pela paixão. Imagina ler esse livro na paisagem da Turquia!!!!


O Retorno – Victoria Hislop
Um presente e que me inspira a pensar num futuro. Esse livro fala de Sonia Cameron que começa suas férias na Espanha, em Granada, deixando uma vida programada em Londres com um marido previsível. Uma vida árida, sem emoção.Ela conhece um senhor, dono de um café em Granada, que torna-se um grande amigo e passa a contar a ela uma história tensa e dura sobre a Guerra Civil Espanhola e alguns personagens locais encantadores e marcantes de uma mesma família que se dividem nas ideologias políticas, à medida que a Guerra destrói lares e cidades. Um desses personagens se refugia na paixão pelo flamenco e o destino se encarrega de transformar a vida dessa personagem, que reflete na vida de Sonia. Uma preciosidade que remete a um resgate histórico lindíssimo da Guerra Civil Espanhola com o desenrolar de uma vida sem emoção, e, claro...na cidade de Granada...e não tem uma vez que quando estou lá não me lembre desse livro!
Vivir para Contarla – Gabriel Garcia Marquez
Eu comprei esse livro na minha viagem para o Chile, em Santiago, mais pela curiosidade do que gosto. Que grata surpresa, pois fala da história de Garcia Marquez entre 1927 e 1950, uma narrativa sobre sua infância e vida. Conhecendo a vida de um escritor, a gente entende seus livros, seus medos e anseios. A vida real está refletida nas suas obras e esse livro faz uma ponte muito clara sobre isso. Uma leitura engraçada e forte.

La Isla Bajo el Mar – Isabel Allende
Isabel Allende me conquistou definitivamente. E esse livro me abriu a mente para conhecer Cuba e arredores, assim como New Orleans (estão na wish list). Apesar de ser um romance, a autora tem compromisso com as questões históricas. Narra a vida de uma escrava em Santo Domingo, que se chama Zarité que serve com seu corpo e sua vida a um fazendeiro sórdido e avarento. O caminho para a liberdade é árduo e sem esperanças, mas ao ser levada para New Orleans, uma nova etapa e novas descobertas, emolduradas pela formação de uma nova sociedade. Emocionante e contagiante, sem falar que é uma visão da escravidão bem parecida com o que vivemos no Brasil.
La Suma de Los Días – Isabel Allende
Uma preciosidade esse livro porque, diferente de seus romances, é a história de vida de Isabel Allende, depois da morte de sua filha, já vivendo na Califórnia. Narrativa franca, engraçada e cheia de passagens que poderiam ser na nossa família. É surpreendente ver o seu amadurecimento após a perda e sua predisposição em viver um grande amor. Uma história de família, brigas, encontros, decisões e partidas, sempre com o tom irônico da autora.
1813 – 1829 – Paulo Setúbal
A história do Brasil tem nuances maravilhosas que fogem dos livros escolares. É importante aprender o básico, mas depois de um tempo, temos obrigação de entender nossas raízes que definiram nossa cultura. Que D.Pedro I era um “Dom Juan” declarado, todos sabemos. Que a Marquesa de Santos ficou conhecida como a amante eleita, também é fato. Que a Leopoldina passou o pão que o diabo amassou nas mãos de D.Pedro I, também é de conhecimento geral. Mas a influência que a amante teve nas decisões políticas nesse período, é mais que surpreendente. D.Pedro I demonstra a omissão e, ao mesmo tempo, a impulsividade nas questões amorosas e políticas. Ele não conseguia separar as coisas. Uma história forte e amargurada, mas que (de alguma forma) explica alguns estereótipos que existem no Brasil.
A Carne e o Sangue – Mary Del Priore
Para continuar a entender melhor a vida da Marquesa (Domitila), eu conheci esse livro que retrata a convivência de D.Pedro I com a esposa que era responsável pela linhagem real e lealdade ao império e a amante que proporcionava prazer. Aqui tive a chance de ter a visão da mulher esposa que enfrentou tanta dificuldade para manter-se casada. A descrição de uma vida complicada e cheia de remorsos. Esse triangulo amoroso escandalizou e faz parte de nossa história. Nesse livro entendi melhor a cultura do Rio de Janeiro e a formação da sociedade de São Paulo.
Os Segredos da Capela Sistina – Benjamin Blech e Roy Doliner
Lamentavelmente li esse livro depois da viagem que fiz à Itália. Nessa viagem, encantei-me com o Renascimento e me surpreendi com o Vaticano. Em 'Os segredos da Capela Sistina', a história é uma defesa de que Michelangelo teria inscrito nos afrescos da Capela Sistina mensagens que permaneceram ocultas por mais de cinco séculos. Ressalta o conflito do artista com o poder da Igreja e suas convicções religiosas. O livro mostra detalhes sobre a Capela Sistina com mensagens antagônicas à doutrina cristã. O pintor não utilizou nenhuma figura cristã na Capela, retratando personagens da Bíblia Hebraica. Uma verdadeira aula sobre as motivações do artista, os anos de formação intelectual e o fascínio pela cultura judaica.
Não é só de história que vivo! Gosto de conhecer coisas simples e esse livro me chamou a atenção porque pretendo voltar em Paris e quero entender melhor essa cultura cosmopolita descompromissada pela qual as mulheres de lá são famosas. É divertido, mas não acho que seja um manual. As mulheres francesas são famosas pela beleza, elegância e simplicidade emocional, diferentes de nós, brasileiras, que somos por natureza, passionais! O que mais me chamou a atenção no livro é a autoconfiança. Morro de inveja!!! Um livro para descomplicar e divertir!
Um lugar na Janela – Martha Medeiros
Esse foi o ultimo que li, entre o Natal e o Ano-Novo (2012/2013). Martha Medeiros narra de uma forma muito simples suas viagens, cujo enfoque é a experiência pessoal. Parece um diário e para minha grata surpresa, a vivência dela no Marrocos e Istambul foi muito parecida com a minha. É um livro para inspirar, até porque, todos os relatos foram experiências vividas. Para quem quer viajar...é uma boa inspiração.

17 maio, 2012

quinta-feira, maio 17, 2012

TURQUIA - Parte 1 - Éfeso

Eu não escolhi conhecer a Turquia, ela me escolheu. E é muito bom perceber que os brasileiros estão descobrindo esse pedaço do mundo tão rico!

Um dia, pensando sobre um lugar diferente para conhecer , comecei a ver azul e branco em tudo que olhava....comecei a ver coisas, matérias, blogs de viajantes e matéria na revista Viagem, tudo da Turquia ...ela invadiu minha vida....

Seria audacioso sair de Brasília para um lugar tão desconhecido, tinha receio da religião, dos costumes e de estar sozinha num lugar que nem conseguiria ler ‘INFORMAÇÕES TURISTICAS”.

Sou seduzida pela história das religiões. Comecei a estudar tudo que se passou naquela região e a euforia foi aumentando. Depois de entender um pouco da história, do cristianismo e do islã...decidi ir.....

A Dayse (minha agente especial de viagens que trabalha com a New Age) tinha acabado de voltar de lá e me deu o empurrão final . Programamos uma excursão onde eu encontraria um grupo latino que era formado na Turquia. Pausa para uma observação: tenho receio (para não falar pavor!) de excursão só para brasileiros, mas entrar numa excursão de nacionalidades e pessoas desconhecidas, ah.... isso não tem preço e poderia ser uma grande aventura.

Passamos então para a etapa prática da coisa:
  1. Roteiro personalizado, mesmo sendo excursão
  2. Tinha que caber no meu orçamento
  3. A excursão tinha que conciliar com a data das minhas férias

Depois de 3 meses negociando e pesquisando, lá fui eu...com o coração em chamas!

Roteiro:
11 dias, nas seguintes cidades:
ISTAMBUL/ESMIRNA/KUSADASI/PAMUKKALE/KONYA/CAPACÓCIA/ANKARA/INSTAMBUL


O embarque foi São Paulo/Istambul pela Turkish Airline (os preços de voos internos eram ótimos e foi a melhor tarifa do Brasil). Prefiro voos da mesma companhia aérea, para ida e volta, principalmente quando tem conexões.

Minha 1ª. noite em Istambul foi um susto: nunca tinha ouvido a chamada para a oração dos muçulmanos . Foi a 1ª. vez que vi de perto as mulheres cobertas, mas vi também jovens com costumes ocidentais, judeus e cristãos caminhando no mesmo espaço...ops....alguma coisa iria mudar muito minha forma de pensar..... e de ver o mundo!

Segui para Esmirna, onde encontrei o grupo para fazer o tour completo. Tive a primeira experiência gastronômica turca e uma noite agradabilíssima com o grupo de 20 pessoas, das mais diversas nacionalidades, inclusive Brasil que iria desbravar esse mundo tão novo.

A Turquia é diferente. Entendi a tolerância religiosa : uma parte dela está na Ásia e outra parte na Europa. Apesar da religião predominante ser o Islã, as minorias de cristãos e judeus são respeitados. Descobri que Jesus Cristo é considerado um profeta pelos muçulmanos. O Alcorão tem valores muito parecidos com o Novo Testamento e que eles não toleram o radicalismo e o fanatismo religioso. Tive uma aula de humildade, fé e solidariedade. E descobri que o ocidente não percebe o muçulmano assim.

Uma coisa importante ao visitar a Turquia: língua oficial é o turco (não é árabe!). Geralmente achamos que tudo é uma coisa só...e não é...

Eféso
tem as ruínas mais bem conservadas da região. Está localizada à beira do mar Egeu e foi construída por gregos 1.000 anos antes de Cristo. Também foi cenário de pregação de apóstolos, além de ter sido capital do Império Romano na Ásia Menor . Quando cheguei, me lembrei de leituras da bíblia que são citadas nas missas, onde muitas passagens cristãs acontecem em Éfeso e no Mar Egeu. Lembrei muito de Paulo de Tarso e sua história. Viajei 2000 anos atrás e senti o cristianismo presente e vivo. A energia do local é solidária, é de amor. O ar é calmo. Parece que Deus tá olhando o tempo todo para baixo.

Biblioteca de Celsius:
concluída em 135 DC. Fachada em mármore com as estátuas (cópias) que representam a sabedoria por Sofia, o conhecimento por Episteme, a inteligência por Ennoia e a virtude por Arete. A dimensão é inexplicável...só pessoalmente para comprovar....

Anfiteatro:
já foi considerado o maior teatro do mundo, com capacidade para 25 mil espectadores.

Rua do Porto:
restos da principal passagem e entrada da cidade. Segundo a história, Éfeso recebeu visita do imperador romano Marco Antonio e Cleópatra que entraram na cidade, pela então Rua do Porto. É de arrepiar....

Templo de Ártemis (ou templo de Diana):
construído no século VI AC. Era uma das 7 maravilhas do mundo na antiguidade, hoje restam ruínas. Construído para a deusa grega Ártemis, da caça e dos animais selvagens. Conta a lenda ou história que no templo, chegaram a trabalhar centenas de sacerdotisas virgens, as quais praticavam a abstinência sexual e artes mágicas, acreditando na superioridade feminina.

Casa da Virgem Maria, suposta ultima morada da Mãe de Jesus:
Segundo a bíblia, durante a sua vida na terra Jesus e Maria viveram onde atualmente é a região entre Israel/Palestina. Após a morte de Jesus, Maria sua mãe foi viver com João, como é referido nesta passagem da bíblia: “Quando Jesus viu a sua mãe e perto dela o discípulo que ele amava (João), disse a ela: – Este é o seu filho. Em seguida disse a ele: – Esta é a sua mãe. E esse discípulo levou a mãe de Jesus para morar dali em diante na casa dele.” João 19:26-27. Sabe-se que depois da morte de Jesus, os discípulos se espalharam pelo mundo, tendo João ido para Éfeso.

O local onde Maria teria vivido permaneceu anônimo até 1881, quando um padre francês que estudava pistas sobre a existência do local, descobriu as ruínas da casa. Esse local recebeu visita de alguns papas que “certificam” a santidade do local. Eu também fiquei diferente lá...chorei tanto..rezava para todo mundo (até quem eu tinha esquecido e que me fez alguma maldade). Uma falta de controle emocional total. De uma hora para outra me senti a pessoa mais “boa” do mundo, cheia de vontade de só pensar em fazer o bem.

Então, depois de toda essa experiência, perguntei ao guia (que era muçulmano) o que ele achava da mãe de Jesus e se ele acreditava que Maria viveu lá. Sabe o que ele me respondeu?
Maria para nós é venerada como a mãe do profeta. Jesus é um profeta. Acreditamos nele, mas não acreditamos que ele tenha sido o “único escolhido”. Outro mensageiro veio (Maomé) e outros virão. Se Maria viveu aqui ou não, que diferença faz? O que mantém a alma em paz e a santidade desse lugar é a fé dos homens, independente de sua crença”.



Éfeso já valeu a viagem toda!



Andrea Pires

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