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23 agosto, 2012

quinta-feira, agosto 23, 2012

MARROCOS – PARTE II - MARRAKECH - O lugar mais exótico e diferente que já vi.....


Chegamos...os olhos brilhavam...o coração pulava....a cidade fervia e numa primeira volta decidi que faria outras viagens até Marrakech para o resto da vida. Me identifiquei e me apaixonei. O Hotel que fiquei foi o Marrakech Atlas Asni, uma atração especial que, além de belíssimo, possui um Hamman ousado e imperdível. Como nos tempos antigos, uma pessoa literalmente “te banha”, com direito a uma esfoliação total e os cabelos lavados delicadamente...e depois...uma massagem para finalizar o Hamman....quando terminei, não conseguia achar o elevador para o quarto, tamanho era meu transe! Marrakech tem encantos e vida próprios e se sobrepõem às demais cidades. Começamospela Torre Koutoubia, irmã gêmea da Giralda de Sevilha que foi construída pelo sultão Yacoub el Mansour. O nome vem do árabe al-Koutoubiyyin, que significa bibliotecário ou livreiro, pois aqui ficavam os vendedores de manuscritos/livros antes da Mesquita.
Passagem obrigatória pelas Tumbas Saadianas do final séc. XVI. Tudo isso no centro da cidade.  Uma grande surpresa foi conhecer o Palácio Bahia, construído no fim sec.XIX em estilo árabe-andaluz/marroquino. O seu nome significa "brilho". Ahmed ben Moussafoi um  escravo que ascendeu socialmente e viveu nesse palácio com 4 esposas e 24 concubinas. Está localizado na parte antiga da cidade, perto do bairro judeu.  Quando Ahmed ben Moussa morreu em 1900, o palácio foi saqueado pelos próprios  escravos e suas mulheres, restando apenas o edifício que hoje é propriedade do Estado.
Chegamos à famosíssima Praça Jemaa El Fna, onde tudo acontece no coração da cidade. Considerada Patrimônio Imaterial da Humanidade, a praça fica na entrada da Medina e ali acontecem espetáculos, comércio, encontros, encantadores de serpentes, vendedores, dançarinos, cantores, acrobatas, além das barracas com as comidas típicas que ficam tumultuadas no início da noite. A praça é imperdível e resume bem o que é Marrakech. Seu nome “Praça Jemaa El Fna (ou Djemaa el-Fna)” vem da tradução de “Assembleia dos Mortos”, pois já foi local onde criminosos eram executados e suas cabeças expostas como exemplo.  Foi aqui que conheci a farmácia de produtos naturais, o Argan sendo produzido de forma artesanal, as barracas de frutos secos, as tatuagens de hennas, as roupas bordadas, as pashiminas, as bijôs árabes cheias de brilho. Foi aqui que mergulhei nas compras e na gastronomia....Não consegui ficar à vontade com a prática dos encantadores de serpentes (questões pessoais). Pode-se fotografar tudo, mas com um preço. A Praça merece um dia inteiro para ser visitada, incluindo dia e noite, pois são momentos bem distintos. 










E para finalizar em grande estilo, uma tradicional noite berbere (Os Berberes são os povos primitivos que foram dominados pelos muçulmanos e ainda hoje representam 50% da população) com direito a jantar e apresentações típicas. Recomendo para quem visita o Marrocos pela 1ª. vez e ter a chance de conhecer o “folclore” marroquino berbere. Somente nesse jantar consegui tomar algo com “álcool”....










MARROCOS – MEKNES...um pequeno descanso no caminho...

Realmente uma passagem adorável... Sofreu com o terremoto de Lisboa 1755. A cidade tem 9 portas (chamadas em árabe de babs) que dão acesso à velha cidade. A maior e mais bela do Norte da África é a Bab El Mansour, construída em 1732 pelo Sultão Moulay Ismail fundador da dinastia alauíta, descendente de Maomé. Seguimos para o Mausoleu de Moulay Ismail que mais parece um palácio colorido e com uma riqueza dignas de sua dinastia. A morte, em todos os mausoléus que visitei, é retratada com luxo e poder, como se esses reis/sultões fossem enviados e mensageiros diretos de Deus.

MARROCOS – FEZ...um grande final...
 
Finalmente, Fez, onde nos hospedamos no Hotel Fez Menzeh Zalagh Hotel , localizado na parte nova da cidade. Apesar de ser uma área moderna, tive que ter muito cuidado com o meu comportamento e gestual...até poderia caminhar sozinha nessa região, mas observei que os homens percebiam rapidamente que eu era diferente. Em Fez começou a 1ª. dinastia muçulmana com Moulay Idriss I (refugiado político e alauíta), em 790 DC e a cidade acolheu muitos vindos da Espanha expulsos pela Igreja Católica. Também é considerada um centro religioso e de estudo aberto ao mundo. Foi a cidade que Gloria Perez  escolheu para a trama da novela – O Clone. Foi assim que conhecemos as diferenças culturais e sociais que impediam o amor impossível da Jade (uma marroquina) com o um brasileiro. A novela impulsionou o turismo local e a população do Marrocos demonstra uma gratidão especial ao Brasil. 









Fez está dividida - Fes el-Bali -  a parte mais antiga e a mais visitada por turistas e Fes el-Jdid – a parte "nova" do século XIII, onde fiquei hospedada. Fes el Bali, essa grande Medina, muito provavelmente do século VIII, tem seus bairros com a estrutura original : uma Mesquita, um Hamman, Medersas, padaria publica e fonte de água potável. Conhecemos uma Medersa (escola de corão), que tem à sua frente o relógio d’água que apontava horas com precisão e ninguém sabia como. Caminhamos um dia inteiro para conhecer o cotidiano dessa Medina. Visitamos Medersa, Mesquita, o bairro judeu, paramos para comprar pão numa padaria publica (um pão equivale a 1 centavo!), tivemos um guia local adorável que nos proporcionou um conhecimento geral sobre a vida numa Medina.e não ecnomizou no bom humor. No caminho das estreitas ruas, dividimos com animais de transporte, crianças indo para escola, idosos olhando o tempo.....além de gastarmos os últimos DIRHANS....pois seria nossa ultima parada para compras. Imperdível a visita numa fábrica de tecidos cuja matéria prima vem da planta que conhecemos como AGAVE. Visitamos um curtume, onde trabalhadores tratam as peles de animais em grandes reservatórios de tintas coloridas. Do terraço pode-se observar a produção e ainda adquirir produtos na própria loja. Achei importante ter um guia local, pois é labiríntica e poderíamos nos perder facilmente.

E já com saudade de tudo isso, fechamos a noite com um agradável e emocionante jantar árabe entre amigos e nos despedimos do Marrocos.
Por mais incompreensível (para nós ocidentais) que seja o islamismo, seus princípios são simples e fáceis de serem assimilados e entendidos. Não refletem a visão distorcida que vemos diariamente nas ações de radicais disseminadas pelos canais de comunicação. São princípios universais adotados por uma religião...que tem um líder e que é legitimada.....os princípios islâmicos são parecidos em sua essência com os princípios cristãos (resguardando as diferenças sobre Deus), não esquecendo que Jesus Cristo é considerado um profeta pelos muçulmanos:
o   Shahaada : só existe um único Deus e Maomé é um mensageiro.
o   Salaat : 05 preces diárias
o   Soum : Jejum durante o Ramadã
o   Zakaat : das esmolas ao pobre
o   Haj : peregrinação à Meca

E assim, deixo aqui mais uma preciosidade que considero uma dádiva recebida de Deus, qualquer que seja Ele: Muçulmano, Judeu ou Cristão. O Marrocos abriu minha mente para respeitar e aceitar as diferenças culturais e a África me fez entender melhor a nossa cultura e nossa ancestralidade. Salaam Aleikum.....que a paz esteja sobre vós.....
quinta-feira, agosto 23, 2012

MARROCOS PARTE I – Sozinha e muito bem acompanhada....

O roteiro, programado pela Dayse - minha agente de viagem (New Age), foi uma descoberta sob medida...um tour para o Marrocos saindo de Málaga, cruzando o Gibraltar de Ferry Boat, como descrevi no post de Málaga.
O percurso era nas principais cidades para um período de 8 dias:TANGER/RABAT/ CASABLANCA/MARRAKECH/MEKNES/FEZ.
Eu estava sozinha e a Dayse me recomendou um grupo fechado. O local, além de ser uma monarquia com regras bem rígidas, é um país islâmico e muito diferente para nós ocidentais. Além disso, com grupo fechado eu desfrutei dos passeios com guia em espanhol, uma riqueza de detalhes impressionante e gratificante, além de ter feito mais 13 amigos espalhados pelo mundo. Fui sozinha, mas não tive um dia de solidão.
 
A ansiedade....o medo....e a expectativa
“Eram 06 da manhã, e o dia nem tinha nascido...dentro do micro-ônibus que nos levaria ao porto, o sol chegava e eu pensava como seria passar para o lado de lá...o lado que sempre falamos e nunca vimos...o lado que sempre aparece na História do mundo....o lado sofrido...o lado explorado...o lado que acolheu culturas e o lado que preservou a fé na época das perseguições religiosas...o lado que escolheu, o lado que foi excluído, o lado que choca e que dá medo...”
E não parava de pensar...como seria estar do lado de lá? Foi assim que segui para o Marrocos...   
 
Chegamos em Algeciras, Porto de Tarifa, para embarque no Ferry Boat e travessia do Gilbraltar.  Essa travessia é tensa e confusa. O guia nos acompanha até a porta do embarque com os tíquetes. Depois só teremos outro guia “após” o desembarque. Ou seja, todo o tramite de descer com a bagagem, guardá-la, liberação do passaporte para entrada no país, enfim....tudo é feito dentro do barco e com um atendimento lamentável. A bagagem é acondicionada no térreo da embarcação, sem nenhuma identificação, junto com as cargas e os carros. Apesar disso, tudo me pareceu bem seguro. A abordagem dos carregadores de bagagem para facilitar o acesso e a saída do porto é um incomodo necessário. E os "pedintes de dinheiro" é uma constante. Sobrevivemos à travessia e os 13 companheiros de viagem estavam muito assustados com essa 1ª. experiência. Mas essa era a “deixa” que precisávamos para entender uma cultura tão distinta e autêntica.
Gibraltar, território britânico, cujo nome (árabe) significa "montanha do Tarique", foi em homenagem ao general muçulmano Tariq ibn Ziyad que no ano de 711 DC iniciou a conquista na região do reino visigótico. O Estreito de Gibraltar é uma separação entre o Mar Mediterrâneo e o Oceano Atlântico e entre dois continentes - Europa e África. É nesse estreito que a gente vê a história como ela é: Europa e África se misturam...vários povos se mesclaram.....uma infinidade de culturas convivem pacificamente (ou não!), um mesmo pedaço de terra é compartilhado desde muito tempo. Ao desembarcar, já do lado da África, a sensação era o peso da história, como se existissem vários povos vivendo num tempo quântico. Além do que visualizamos, tive a sensação de que outros mundos estão ali. O ar é denso, o espaço parece apertado e a visão não acompanha tanto movimento. Entrei na África com a certeza de estar pisando num solo “sagrado” e com a energia de gerações de povos milenares.


MARROCOS – Um pedaço da África, no berço das nações...
Todos os sentidos se intensificam no Marrocos: a visão com as cores fortes das vestimentas, o tato pela textura das construções árabes, o paladar pela gastronomia picante em contra ponto à leveza do “té de menta”, o olfato pelos cheiros de especiarias e temperos e a audição pela língua francesa e árabe, que parecem musica. Em 1900 foi protetorado francês (daí ter como língua oficial o francês, além do árabe) e em 1956 conquistou a independência. A monarquia começa em 1957, com Mohammed V, da dinastia alauíta, considerado descendente de Maomé. Foi sucedido por Mulay Hassan, seu filho, que se tornou um rei muito querido por ter liderado a Marcha Verde de reconquista do Saara dos Espanhóis em 1974. Hoje, o rei é o filho de Hassan, Mohammed VI que trouxe um ar mais moderno para a cidade e tem muito interesse em desenvolver o turismo e industria cinematográfica. Curiosidades sobre o mundo árabe islâmico:
  • Estão no ano 1.436 DC porque seguem o calendário da mudança de Maomé (622 DC) e também o calendário Lunar cuja medida são de 29 e 30 dias.
  • Apesar de ser maioria muçulmana, reconhecem o judaísmo e o cristianismo como religiões.
  • A gastronomia é forte e rica: tajines (cozidos), cuscuz, muitos frutos secos. O chá de menta é como se fosse “nosso cafezinho”. Nada de bebida alcoólica à vista!
  • As mulheres não frequentam cafés e bares (desacompanhadas principalmente) e recomendo não olhar diretamente nos olhos dos marroquinos....muito complicado... 
  • A Medina é parte mais antiga da cidade, cercada por muralhas. É onde tudo acontece. As Medinas têm os Souk’sque são mercados com lojas de rua, verdadeiros labirintos. Sempre existe uma Mesquita, um Hamman (para a pureza física, local de fazer abluções antes de orar), Medersas – escolas corânicas, padaria publica e fonte de água potável.

Uma descoberta à parte....Piratas e Corsários
As estórias de piratas sempre foram para mim, pura ficção. No Marrocos descobri que eles fazem parte de sua história real, existiram e com um propósito nobre (para a época, claro!). Desde o período da queda do império Romano eles atuavam no Mediterrâneo, porém, na época da expulsão dos muçulmanos e judeus pelos reis católicos, muitos migraram para essa região, vindos de Andaluzia. Alguns mais revoltados decidiram se vingar dos cristãos, tornando-se piratas e praticando saques e roubos a navios espanhóis e cristãos. A causa era a vingança pautada pelo conflito religioso em que atacavam embarcações cristãs. Por isso passaram a ser vistos como Corsários, agindo em prol de uma diferença religiosa.

Inshallah (se Deus quiser) seus olhos consigam aqui capturar uma pequena parte do MARROCOS que nos abraça com suas cores, seus souks, seus sons e sua história......




MARROCOS - TANGER...A cidade internacional...
Local de desembarque do Ferry Boat.  No passado foi de grande importância e com forte presença da história europeia, pois recebia com frequência povos da Europa que fugiam da Guerra. Uma cidade internacional cuja zona era neutra. Uma boa maneira de entender a cidade é o livro Entre Costuras da Maria Dueñas, cuja história é um romance com pano de fundo a Guerra Civil e que se passa em TANGER. 
Conheci, uma cidade estilosa, moderna e cheia de glamour, que serviu de fonte de inspiração para vários autores, principalmente na década de 50, como por exemplo, Paul Bowles autor do célebre livro "O Céu que nos protege"

MARROCOS – RABAT... A capital...
A capital é bem organizada. Essa foi a visão que tive. Ficamos no Rabat ChellahHotel
Iniciamos nossa visita pelo Palácio Real, construído em 1864 e é a residência oficial, embora o rei não resida permanentemente no local. Não se pode fotografar diretamente os guardas do rei, sob o risco de ter sua maquina confiscada. Todos os edifícios estão cobertos de telhas verdes, um material reservado para realeza e edifícios religiosos muçulmanos. Seguimos para a Torre Hassan, a mesquita construída por Yacoub El Mansour (sultão almóada que transferiu a capital para Rabat e era da dinastia saadiana). Ficou inacabada com a sua morte. A Mesquita “incompleta” é vista pelas colunas ao fundo da foto. O que deveria ser uma Mesquita, parece um jardim de grossas colunas. Neste local, Mohamed V construiu seu mausoléu e de seus filhos. Todos estão enterrados aqui.   
 
















A Fortaleza/Kasbash dos Oudaias, construída final sec. XII por Yacoub El Mansour tem característica de uma fortaleza (casbá) medieval e o ocre, o vermelho-terra predomina. As curvas dos portais e a textura mostram o contraste da delicadeza e rusticidade. Aqui parece que fui transportada para outro tempo. Kasbash dos Oudaias foi o local que marcou em RABAT a minha memória. 

 
 
 
 
 
 


MARROCOS – CASABLANCA... Play it, Sam...
“Um dos momentos mais emocionantes do filme acontece quando pede para ele tocar a música que ouviram juntos em Paris"
Construída pelos franceses, é uma cidade portuária, cujo nome é literalmente sobre a primeira casa construída, depois do terremoto de 1755, branca, para servir como ponto de referência aos viajantes que chegavam.

Ficou conhecida pelo filme CASABLANCA cenário do romance de Humphrey Bogart e Ingrid Bergman durante a Segunda Guerra Mundial. Qual foi minha decepção porque nenhuma cena do filme foi feita em CASABLANCA e a cidade que inspirou a temática do filme foi TANGER. Mas alguém decidiu construir um café “Ricks Café” fazendo uma alusão especial de que CASABLANCAsempre será do filme. 
Depois dessa pequena frustração, seguimos para a Mesquita de Hassan II– A 3ª. terceira maior do mundo, construída sobre águas. Os fieis se ajoelham sobre um piso de vidro que revela o oceano. Comporta 80 mil pessoas. A sala de ablução é um capítulo à parte de tanta beleza. Apesar de ser uma construção Moderna (inaugurada em 1993), os artesãos marroquinos preservaram a estética tradicional e trabalharam com mármore, granito, madeira, mosaicos e estuque.  








É um símbolo de poder e devoção de uma religião tão antiga e polêmica, num mundo tão moderno. 

Então...conhecer essas cidades gradativamente foram fundamentais para me adaptar com a cultura e história e, ao chegar em Marrakech, poder entender a suntuosidade do Marrocos.....e a viagem segue...cheia de surpresas....


29 julho, 2012

domingo, julho 29, 2012

ANDALUZIA – Málaga, um caminho para a África!

Conhecer Málaga foi uma oportunidade integrada com o curso de Flamenco do Festival de Jerez 2012 e a proximidade física para o Marrocos, com um detalhe: eu queria cruzar o Gibraltar pelo mar. A minha agente de viagens, Dayse - New Age, descobriu um grupo saindo de Málaga para o Marrocos no período que eu queria e de ferry boat...além disso, o custo terrestre era muito atrativo. Programei 2 dias de permanência em Málaga, antes de seguir para Marrocos.
Esta seria a 4ª. cidade de Andaluzia que eu teria a chance de conhecer e me aprofundar na cultura e na história. E claro, uma referência para aficionados pelo flamenco como eu.
Como tinha somente 2 dias, programei alguns locais para mais próximos do centro histórico para conhecer e aproveitei para explorar a cidade caminhando à noite. Era inverno e carnaval, por isso a parte litorânea não estava atrativa para mim. Concentrei-me na cultura e na gastronomia e confesso que o que mais me encantou foi a noite de Málaga. A cidade de Pablo Picasso e Antonio Banderas é leve, fácil, alegre e bem cosmopolita. Adorei a proximidade de tudo...todas as culturas lado a lado. Uma cidade descontraída onde as noites (mesmo de inverno) são quentes e animadas, regadas pelo famoso vinho Moscatel.
Como todas as cidades Andaluzas, aqui passaram fenícios, romanos e árabes. Também foi um berço para o desenvolvimento do flamenco, onde surgiu o VERDIALES, que é um cante folclórico, anterior ao flamenco, de grande influência árabe e em meados do século XIX aparece um baile chamado “MALAGUEÑA", procedente do FANDANGO. Ambos se aflamencam e fazem parte de nosso repertório de cante e baile flamenco. 
Além de ser uma cidade artística, moderna, turística por suas praias e sol e uma referência de flamenco, existe um patrimônio histórico e cultural que merecem atenção especial.
Comecei explorando a Calle Marques de Lários, onde existe uma concentração de comércio e bares/cafés e restaurantes, além de dar acesso à parte mais histórica da cidade. Toda a rua estava adornada para o carnaval e muitos blocos desfilavam um carnaval jocoso com musicas que faziam referência a “chistes” locais. Fiquei hospedada no hotel Bahia Málaga, muito próximo à Marqués de Lários e Avenida Principal, com excelente localização e quartos bem agradáveis.
Seguindo a Calle Marqués de Lários, encontrei o Monumento a Larios, do século XIX, dedicado a Manuel Domingo Larios y Larios quem construiu a dita rua (que leva seu nome). A Marques de Lários é excelente para acesso a vários pontos turísticos. 
Seguindo-a, descobri a Catedral que tem sua origem nos séculos XVI/XVIII e se chama “Encarnación”. No passado, foi uma Mesquita. A obra ficou inacabada, por isso seu apelido “La  Manquita”. Caminhando para depois da catedral, encontramos o Alcazar que deve ter sido construído entre os séculos XI/XIV e já foi um Palácio muçulmano e o Teatro Romano – do Século I AC, está aos pés do Alcazar. Pela história, sabe-se que foi da época de Augusto e depois foi utilizado para armazenamento de materiais do período muçulmano. 
Pelos arredores, é fácil encontrar o Museo Picasso, que fica no Palácio de Buenavista. Um prédio renascentista do século XVI que abriga a coleção permanente de Picasso (mais de 200 obras entre pinturas, desenhos, esculturas, etc), bem como peças fenícias.
E, claro, não poderia deixar de falar sobre o Museo de Arte Flamenco, "PeñaJuan Breva" que tem mais de 5000 peças, entre discos, guitarras, aparatos, adereços de baile, vestidos, etc, do período do século XIX/XX. No térreo do museu tem um bar e espaço para apresentações de flamenco.
A gastronomia é uma diversão à parte....muitos pescados e vinhos. Deliciei-me no Moscatel, o vinho mais consumido na cidade. E pelo frio que estava, caiu muito bem. Por isso que as noites são quentes....imperdível...não deixe de conhecer :

El Chinitas, fica no centro histórico, com acesso pela Calle Marques de Larios. Um local aconchegante, tradicional e de uma perfeição gastronômica, além do ambiente flamenco. Possui salas mais reservadas para grupos e uma decoração bem antiga. No térreo fica o bar o nos andares superiores o restaurante. Bastante romântico e recomendado para noites especiais. E ponto!
El Pimpi, é uma bodega mais que especial e me encantou. De noite, na parte interior, um ambiente típico andaluz, as garçonetes se vestem de flamencas, muita gente jovem e musica flamenca. Passei uma das noites mais relaxadas e alegres. De dia, de frente para o Teatro Romano e Alcazar, ao ar livre, um local de deleite visual e apreciação das tapas e, claro, famoso Moscatel...Esse local é para ir e ficar, sem pressa...e foi aí que me despedi de Málaga, mais uma janela Andaluza.
De Málaga, seguimos para Algeciras (onde fica o Porto de Tarifa – saída do ferry boat para Marrocos). Um pedaço de Andaluzia (Cadiz), Algeciras tem nome árabe, com sangue cigano. Cidade de Paco de Lucia ...quem compôs “Entre Dos Águas”....uma homenagem à cidade que fica entre as águas do Mediterrâneo e Atlântico...Algeciras nem está lá e nem cá..Algeciras...é a porta para um mundo diferente....é a porta para a África e uma nova aventura recomeça...brevemente Marrocos....


E a sequência Andaluzia chega ao fim...Falamos de Andaluzia com Flamenco e Turismo. Detalhamos Sevilha, Granada, Córdoba, Cadiz e Málaga....com tantas histórias e dicas, Andaluzia está muito bem retratada e divulgada por cada um que passou por aqui.
Para mim, a melhor definição de Andaluzia e a história de seus povos ciganos, árabes, judeus é que andar por suas cidades é ter a sensação de estar “retornando para minha casa”. Acredito que cada um que esteve aqui tenha a mesma sensação: uma experiência de vidas passadas. 
O povo flamenco é assim...ganha o mundo...vai para bem longe, mas sempre volta para sua casa, para os seus e para sua história. Somos muitos espalhados pelo mundo e sempre nos encontramos em algum ponto de Andaluzia para matar nossa saudade de outras vidas, como um povo que não se vê há muito tempo. E sempre seguimos para outras terras, levando nossa cultura e paixão.

Andrea Pires

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